15.6 C
Almada

Edifícios do Cais do Ginjal começaram a ser demolidos

Após as demolições, o grupo AFA irá fazer obras que permitam a circulação de pessoas em segurança no local, informou Inês de Medeiros.

 

Os edifícios do Cais do Ginjal, em Cacilhas, começaram esta segunda-feira, dia 5 de maio, a ser demolidos, informou a presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros. “O grupo AFA iniciou hoje as demolições no Ginjal”, avançou a autarca durante a reunião camarária realizada no mesmo dia.

De acordo com a autarca, após a demolição, o grupo AFA — proprietário da quase totalidade dos edifícios ali localizados — será obrigado também a realizar as obras necessárias naquele espaço, de forma a permitir a circulação de pessoas em segurança, tanto dos que “querem usufruir do Ginjal”, como daqueles que pretendem “aceder ao comércio”, afirmou, referindo-se aos dois restaurantes muito frequentados, “Ponto Final” e “Atira-te ao Rio”.

Relativamente às demolições, estas estão a decorrer com normalidade, indicou Inês de Medeiros. A presidente da Câmara explicou, no entanto, que uma parte do processo é mais complexa devido à presença de amianto — um material que exige procedimentos especiais. Acrescentou ainda que o grupo proprietário já entregou “o plano de demolições para as matérias perigosas”.

- PUBLICIDADE -
farmacia-reis-barata

Enquanto as obras não são realizadas, continua interdita a circulação no Cais do Ginjal. Recorde-se que a autarquia decretou, no passado dia 3 de abril “Situação de Alerta” devido ao agravamento da degradação na zona, “potenciado pelos vários eventos meteorológicos e fenómenos naturais que se têm vivenciado”, adiantou na altura a CMA. A interdição à circulação abrange toda área desde o terminal fluvial de Cacilhas até aos restaurantes Ponto Final e Atira-te ao Rio, no Olho de Boi.

Entretanto, a “Situação de Alerta” foi levantada no passado dia 1 de maio, mas manteve-se a interdição de circulação, mantendo-se também o portão de dois metros ali instalado no dia 9 de abril para impedir o acesso.

Quanto às pessoas que viviam naquele local, em edificados devolutos, foram obrigadas a abandonar as suas habitações, tendo sido alojadas no dia 10 de abril numa Zona de Concentração e Apoio à População (ZCAP) instalada na Escola Secundária Anselmo de Andrade. A solução provisória foi rapidamente desativada a 15 de abril.

“As pessoas [que ali habitavam] foram todas encaminhadas para os serviços sociais, estão a ser atendidas pelas equipas”, indicou a autarca, acrescentando que a autarquia conta ainda com “a Santa Casa da Misericórdia como parceiro neste apoio social”. Quanto aos bens das pessoas que residiam no Ginjal, encontram-se “a cargo do grupo privado”, estão “devidamente identificados” e “vão ser colocados em contentores”.

Recorde-se ainda que o Plano Pormenor do Cais do Ginjal foi aprovado em 2020, prometendo transformar aquele território num “ícone da margem sul”. Avaliado em 300 milhões de euros, o projeto previa a criação de um hotel com 160 quartos, um conjunto habitacional com 300 fogos, áreas destinadas a comércio, serviços, equipamentos culturais e um parque de estacionamento com capacidade para 500 viaturas. Contudo, mais de quatro anos depois, a zona ribeirinha de Almada continua a aguardar por obras.

 

Preços das casas aceleram em Almada com subida de 14% num ano

Somos uma voz local, livre e independente

O ALMADENSE não é detido por nenhuma empresa ou grupo de comunicação social. Escrevemos com total autonomia editorial, com critério e compromisso, sempre ao serviço da comunidade. Com o seu apoio, poderemos continuar a desenvolver o nosso trabalho.

1 Comentário

  1. …Se fossemos listar todo o impacto negativo que esta zona completamente negligenciada, ignorando o perigo eminente para visitantes e locais, pessoas e animais. Mortes, ferimentos, e todo as consequências indirectas que causou a todos….alem de que, claro não esta ao standard de um pais QUE SE DIZ da EU.

    Acho que há bastante negligencia e todos os orgaos organizacionais, incluindo a CMA, Junta de Cacilhas, Proteccao Civil e companhia servem para quê? Há quantos anos é dito aos locais a mesma história “isso é dono privado ninguém pode fazer nada”
    Não percebo como e que não existem leis ‘ se existerem nao sao cumpridas, mas isso já é o problema de sempre – falta de fiscalizacao e fazer as coisas pela regra, ainda por mais quando isso custa vidas.
    Desde que estou vivo lembro me de uns quantos que faleceram, entre eles pescadores…

    mas eu entendo, se for feito um artigo dessa magnitude dava um documentário que bem merecia.

    Quando é que é suficiente, para uma organização realmente accionar o seu poder em prol do interesse comum?
    Tem de morrer alguém?

    Ou só se for ali na entrada que dá mau aspecto perto do barco, mas se for “lá pro fundo”, que se lixe?

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

PUBLICIDADE
FCT-mestrados-Half

Últimas

PUBLICIDADE

Mais Notícias

PUBLICIDADE

Artigos Relacionados

58 moradores da Costa da Caparica regressaram a casa após derrocadas

Residentes tinham sido retirados das suas habitações devido às fortes derrocadas ocorridas na arriba fóssil. 72 permanecem desalojados.

Charneca de Caparica assinala Dia da Mulher com concerto da SFUAP e almoço-convívio

Almoço-convívio, iniciativas simbólicas e momento musical assinalam a data junto da comunidade.

160 moradores regressam a Porto Brandão duas semanas depois de terem sido retirados

Reabertura dos acessos rodoviários e reposição dos transportes públicos permitiram o regresso de 74 famílias à localidade. Já os moradores da Azinhaga dos Formozinhos, não poderão regressar.

Governo garante que Almada vai receber apoios, apesar de não estar em “calamidade”

Ministro Leitão Amaro justificou a exclusão de Almada da lista de concelhos em situação de calamidade com o facto do município ter um vasto território "em que o nível de afetação não é o mesmo”.