Do total de 130 pessoas que ficaram desalojadas na Costa de Caparica no seguimento das derrocadas ocorridas na arriba fóssil, 58 moradores já regressaram às suas habitações. Desta forma, permanecem desalojadas na Costa da Caparica um total de 72 pessoas (que correspondem a 32 famílias), de acordo com um Relatório Preliminar da Câmara Municipal de Almada, ao qual o ALMADENSE teve acesso.
Questionada sobre o eventual regresso das famílias desalojadas, a Câmara de Almada informou que continua a aguardar “as avaliações do Serviço Municipal de Proteção Civil para essa definição”. No entanto, a autarquia já reconheceu que muitas pessoas não poderão regressar às suas habitações, uma vez que se situam em zonas consideradas de risco, tendo algumas ficado soterradas devido aos delizamentos de terras da arriba fóssil.
312 desalojados em todo o concelho
Em todo o concelho de Almada, 312 pessoas (92 famílias) permanecem desalojadas neste início do mês de março. A maioria (216 pessoas) residia na Azinhaga dos Formozinhos, seguindo-se a Costa da Caparica com 72 afetados, e outras 24 pessoas em zonas como o Segundo Torrão, Abas da Raposeira, Fonte Santa, Olho de Boi e Raposo.
Do total de desalojados, 149 pessoas (57 famílias) mantêm-se atualmente alojadas pela autarquia em unidades hoteleiras de emergência. O Caparica Sun Center (na Costa da Caparica), concentra o maior número de alojados, seguido pelo Inatel, a Orbitur e uma unidade hoteleira na Charneca de Caparica, locais onde muitas permanecem há quase um mês.
O relatório municipal sublinha ainda que “cerca de metade das pessoas encontra-se em casa de familiares e amigos, o que vai aumentar a curto prazo a pressão sobre as respostas do município”, uma vez que o alojamento nestas condições tem quase sempre uma natureza muito temporária.
No caso da Azinhaga dos Formozinhos, a chamada “Zona D” concentra o maior número de famílias desalojadas, sendo esta área já considerada de não retorno pelas autoridades.
Já os moradores da parte baixa do Porto Brandão, regressaram na semana passada às suas casas, duas semanas depois de terem sido evacuadas. O regresso foi viabilizado após as operações de limpeza e remoção de escombros levadas a cabo pela autarquia, que possibilitaram a reabertura da Rua 1.º de Maio, único acesso rodoviário ao Porto Brandão.
Câmara de Almada manda demolir casas na Azinhaga dos Formozinhos. Moradores sentem-se “angustiados”





Relativamente à informação divulgada de que “58 moradores da Costa da Caparica regressaram a casa após derrocadas”, importa esclarecer alguns pontos.
De que forma foi apurado este número? A que zona concreta se refere essa informação? É que, em Santo António da Caparica, não houve qualquer regresso às habitações, nem alteração à situação dos moradores.
É fundamental que exista rigor na comunicação pública, para não criar a perceção de que o problema está resolvido quando, na realidade, continuam a existir moradores desalojados e situações por resolver.
Pedimos, por isso, esclarecimentos claros sobre:
Que moradores regressaram ?
Em que zonas específicas ?
Em que condições foi autorizado esse regresso ?
A transparência é essencial para garantir confiança e respeito por todos os que continuam afetados.