Quinzena de Dança: “Fomos crescendo com Almada”

Manter o contacto com o público da dança em Almada e impulsionar novos talentos através do contacto com artistas internacionais são os objetivos da 28ª edição do festival Quinzena de Dança. Depois da estreia de “A Quiet Moment”, a programação prossegue hoje com “Alento”, no Auditório Municipal Fernando Lopes-Graça e continua até 11 de Outubro.

Em entrevista ao ALMADENSE, Maria Franco, diretora da Companhia de Dança de Almada e da Quinzena de Dança de Almada, reflete sobre o que distingue esta edição das anteriores e sobre a história da dança em Almada. Reconhecendo as dificuldades de organizar um festival internacional no panorama atual, adianta que “parar seria pior”.

 

Como caracteriza a dinâmica da Quinzena de Dança de Almada, festival internacional, numa cidade como Almada, onde a dança forma parte de uma identidade regional?

Há 27 anos, quando pensámos em realizar um evento em que várias companhias de dança pudessem participar (e inclusive lecionar workshops) foi a expressão de um trabalho prévio que desenvolvi em Almada. Dou aulas há mais de 40 anos no concelho e fui formando um grupo de jovens bailarinos, com muitas capacidades artísticas, que demonstraram interesse em tornar-se profissionais. Foi assim que fundámos a companhia de Dança de Almada. Apesar de, na altura, serem escassos os equipamentos existentes na cidade, começámos a criar público com a Academia Almadense. Começámos a mostrar o que é a dança: não apenas dança contemporânea. A pouco e pouco, Almada foi crescendo, assim como a Quinzena. Os equipamentos foram melhorando (o primeiro foi o Auditório Municipal Fernando Lopes-Graça). Então começámos a ter uma série de equipamentos que justificava realizar mais eventos e receber mais companhias. Juntamente com a Ana Macara —uma das grandes impulsionadoras deste festival–, comprometemos-mos a traçar uma relação entre Almada e a dança e investimos também na programação da Plataforma Coreográfica Internacional. Portanto, esta dinâmica surge desse público que criámos e da necessidade de dar a conhecer a dança a esse público. Fomos crescendo com Almada.

Como melhor descreveria a história da dança em Almada, tanto no seu percurso como no seu impacto na cidade?

Foi crescendo a pouco e pouco. O público tornou-se mais exigente, as condições foram aparecendo… Contudo, tivemos edições em que nos perguntámos se valia continuar. Eu sempre quis continuar. No início não tivemos muito apoio da Câmara Municipal. O apoio atual dura apenas há dez anos e não foi evoluindo com o festival. Mesmo assim, temos conseguido. Às vezes com grandes dificuldades, mas fomos sempre superando, insistindo e prevalecemos.

28 anos de Quinzena, 30 anos de Companhia. Ambos celebrados num ano sem precedentes, cujo contexto certamente impactou a organização do festival. Para além dos cuidados de higiene impostos pela DGS e da necessidade de uma lotação específica, como se distingue a 28º edição das outras?

Tentámos manter o mesmo registo. Acho que parar seria pior, porque depois é muito mais difícil recomeçar. Estamos a avançar com os riscos que isso implica e apesar de termos tido desistências de confirmações muito importantes que já tinham sido feitas há um ano. Mas estamos a resistir, mais uma vez, para que as coisas aconteçam em Almada. Acho que é muito importante para a dança, e para a Companhia, estas parcerias internacionais que estabelecemos através da Plataforma [Coreográfica Internacional]. Por exemplo, numa edição tivemos uma bailarina asiática convidada que elogiou o nosso trabalho. Após esse contacto fizemos uma digressão de três semanas, durante dois anos seguidos de espetáculos dia sim, dia não. É uma dinâmica muito importante que divulga a cidade a nível internacional.

Referiu a questão dos espaços em Almada para realizar espetáculos de dança, como evoluíram e surgiram. Há algum em particular que guarde um carinho especial?

O auditório Municipal Fernando Lopes-Graça. Desde sempre conseguimos realizar as nossas estreias e espetáculos nesse equipamento, com as devidas condições técnicas. Por ano, temos mais de dez espetáculos a decorrer no auditório e sentimos um grande apoio, através do Sr. Manuel Mendonça, que tem sido muito importante para a companhia.

Que momentos da programação gostaria que o público levasse desta quinzena?

É uma pergunta difícil. A dança é algo pessoal, cada um interpreta da sua maneira, com a sua própria sensibilidade. Eu posso ver um espetáculo onde reveja mais a minha linha estética, mas há pessoas que têm diferentes abordagens ao ver um espetáculo. A dança já está mais acessível e as interpretações são várias. Mas acredito que o que interessa no fundo é a qualidade artística e técnica do espetáculo e não a preferência estética.

Quer deixar alguma mensagem aos almadenses sobre a quinzena?

Gostava de destacar a diversidade da Plataforma internacional. Apesar deste ano termos apenas dez países representados, continua a ser um momento rico em variedade de técnicas e bom para quem quer perceber o que é a dança contemporânea. Para além da Companhia de Dança de Almada, conta com a participação de outras companhias convidadas.

 

Foto: Joana Casado

 

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