O projeto comunitário que quer pôr as crianças de Almada a ler

Há um novo conceito de biblioteca infantil a nascer em Almada: em vez de uma sala fechada, o projeto Bandlivros vai espalhar pequenas estantes pela cidade, estimulando as crianças a levarem os livros que quiserem.

 

O objetivo é estimular os hábitos de leitura entre os mais pequenos através da troca informal de livros. Para isso, pequenas bibliotecas gratuitas de formatos diversos serão construídas e instaladas em diferentes espaços do concelho de Almada.

Trata-se do projeto Bandlivros, criado pela artista especializada em material reciclado Leanne Annear e pela neuropsicóloga Ana Beatriz Saraiva, um projeto da associação Almada Mundo e com o apoio da Câmara Municipal de Almada. Mas o propósito é fomentar o envolvimento da comunidade, que poderá doar livros e a sugerir ideias.

 

“O maior desafio é falar sobre o projeto sem uma biblioteca física. Quando as crianças pensam numa biblioteca, imaginam imediatamente um espaço com mesas e cadeiras, onde alguém entra, se senta e lê. Mas as pequenas bibliotecas gratuitas são como um armário ou uma estrutura que ocupa um pequeno espaço, onde a criança pode deixar um livro e levar outro, numa lógica de troca por troca”, explica Ana Beatriz Saraiva, ao ALMADENSE.

“Gostávamos de dar às crianças algo que abrisse as mentes para a criatividade. Queríamos também que fosse algo reciclável, de baixo custo, que os pais se envolvessem em atividades em conjunto com os filhos”, acrescenta Leanne Annear, australiana que há dois anos se instalou em Almada.

Neste momento, a equipa está a trabalhar no design da primeira estrutura, que será instalada na Escola Básica Cataventos da Paz, em Cacilhas. A ideia de começar numa escola beneficiou o projeto, acreditam as gestoras, uma vez que alunos e professores embarcaram na ideia, tornando-se verdadeiros embaixadores das pequenas bibliotecas. Em apenas cinco dias, foram recolhidos mais de 800 livros infantis, fruto de doações de muitas famílias.

 

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Em apenas cinco dias, foram doados 800 livros na EB Cataventos da Paz.

 

Outra peculiaridade das “Bibliotecas Livres” é a forma como irão funcionar: a ideia é que a criança não se sinta pressionada em lidar com a burocracia na retirada de um livro, muito menos com a responsabilidade de cuidar e devolvê-lo intacto, dentro do prazo estipulado. Sendo assim, elas têm liberdade para retirar os livros e devolvê-los quando e se quiserem.

As pequenas bibliotecas serão montadas de acordo com as doações de livros da comunidade. Neste momento já há livros suficientes para a inauguração das duas bibliotecas planeadas para este ano de 2021. As duas gestoras garantem a qualidade, assegurando que todos os livros estão intactos e são apropriados para as idades-alvo. Uma vez feita esta análise, os livros ganharão um selo de qualidade, que os identifica como parte do projeto Bandlivros.

A triagem é um passo importante, uma vez que se pretende que não haja mistura entre livros de adultos e de crianças. Desta forma, os mais pequenos podem procurar livremente os livros que mais lhe interessam sem a ajuda de um adulto, sabendo que todos os materiais que se encontram nas pequenas bibliotecas são adequados às suas idades.

 

Com as mãos nos livros

Para além das doações de livros e atividades curriculares realizadas junto à EB Cataventos da Paz, o Bandlivros está a preparar também atividades online, como a Oficina de Mediadores de Leitura, que terá lugar no dia 24 de abril, das 11h00 às 13h00, com entrada livre, mediante inscrição e com vagas limitadas.

A ideia é capacitar não só professores, mas também pais, avós, tios e madrinhas, assim como bibliotecários, agentes sociais locais e outros membros da comunidade para interagirem com as crianças através de contos de histórias, com o intuito de promover o gosto pela leitura e formar leitores entre crianças em diferentes espaços.

Pode inscrever-se através deste formulário até ao dia 19 de abril.

 

Texto: Karina Lerner

Foto: Francisco Águas

 

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