Por Movimento Ginjal – Memória e Futuro
Requalificar não pode significar descaracterizar. Investir não pode significar excluir. Modernizar não pode significar apagar. Defendemos um desenvolvimento que una memória, comunidade e sustentabilidade. Um projecto que sirva Almada e não o contrário.
O Ginjal não é um vazio no mapa. É memória viva, trabalho, cultura ribeirinha e identidade colectiva.
Em 2008, foi reconhecido como território de características únicas, exigindo preservação do seu carácter, usos culturais, indústrias criativas, habitação acessível, equipamentos públicos, renaturalização da frente ribeirinha e participação cidadã.
Em Abril de 2025, o Cais do Ginjal foi interditado pelo Serviço Municipal de Protecção Civil. Seguiram-se demolições significativas no âmbito da intervenção conduzida pelo grupo AFA, com apoio do Município de Almada. Hoje, permanecem dúvidas profundas sobre o destino do território — agravadas pelos danos recentes causados pelas intempéries.
O Ginjal representa uma oportunidade rara de requalificação da frente ribeirinha. O investimento privado é um instrumento importante para essa transformação. Contudo, a escala e localização do projecto, exigem um compromisso claro com o interesse público, a memória colectiva e a diversidade funcional.
Perante isto, nasce o Movimento Ginjal – Memória e Futuro.
Perguntamos:
- Quem decide o futuro do Ginjal? Com base em que estudos?
- Que critérios foram adoptados para a demolição?
- Que garantias existem para preservar a identidade local?
- Que mecanismos reais asseguram a participação dos cidadãos?
- Que património material e imaterial foi protegido?
- Que soluções estão a ser encontradas para os moradores desalojados em Abril de 2025?
- Que lugar terão os colectivos culturais e artísticos, locais?
- Que percentagem de habitação acessível será garantida?
- Que espaços públicos, verdes e equipamentos servirão a comunidade?
- Que impacto terá o projecto na paisagem, na mobilidade e na vida quotidiana?
- Que contrapartidas públicas estão asseguradas?
- Quando haverá nova consulta pública efectiva?
Requalificar não pode significar descaracterizar. Investir não pode significar excluir. Modernizar não pode significar apagar.
Defendemos um desenvolvimento que una memória, comunidade e sustentabilidade. Um projecto que sirva Almada e não o contrário.
Este manifesto não é contra o futuro. É contra o silêncio, a opacidade e contra a pressa sem diálogo.
Considera-se do interesse público a criação de um Arquivo de Memória do Ginjal. Este Arquivo, já em fase de construção, pretende reunir documentação histórica, registos fotográficos e audiovisuais, testemunhos, plantas, relatórios técnicos e eventuais elementos patrimoniais salvaguardados, assegurando a preservação e futura acessibilidade da informação relativa ao território. Este acervo constituirá uma garantia de que a requalificação urbana não implicará apagamento documental e histórico.
O movimento posiciona-se como interlocutor construtivo – propondo a criação de uma comissão de acompanhamento com representação municipal, promotor, entidades técnicas e representantes da sociedade civil – disponível para contribuir com propostas concretas e fundamentadas, visando um projecto que valorize o território não apenas economicamente, mas também social e culturalmente.
Nota editorial: O manifesto “Ginjal – Memória e Futuro” é promovido por um grupo de cidadãos e pode ser assinado aqui.




