O percurso teatral Cais2Cais regressa para novas sessões em setembro, convidando o público a caminhar pelo Cais do Ginjal, em Almada, num espetáculo que cruza a dramaturgia, a memória oral, o património industrial e a experiência sensorial.
Criado por João Monteiro e Francisca Paiva, o espetáculo Cais2Cais junta “as memórias do passado industrial de Almada com a paisagem do Tejo e com as diferentes camadas humanas que constituem este território”, pode ler-se na nota de apresentação do espetáculo. Com vista para a margem norte do Rio Tejo, os participantes podem conhecer “o lugar através da experiência vivida, procurando incorporar no processo de criação memórias e testemunhos de diferentes gerações”, indica a mesma nota.
Descrevendo o espetáculo como uma “experiência única”, João Monteiro salienta que cada sessão é diferente, tornando-se uma experiência que varia “bastante de dia para dia, em função das pessoas que estão no grupo e também das contribuições que dão em certos momentos mais abertos de conversa e discussão”, refere ao ALMADENSE. Depois de quatro sessões em junho, o espetáculo regressa agora com sessões limitadas a 20 participantes.
Ao longo de duas horas e meia, num percurso de 1,5 quilómetros pela zona ribeirinha do Cais do Ginjal, entre o Farol de Cacilhas e o Olho de Boi, os espetadores são conduzidos por uma experiência sensorial que, para além da dimensão dramatúrgica, inclui também momentos de degustação. Os participantes poderão “provar diferentes elementos, entre folhas de plantas locais, broa e licor de ginja”, lê-se na nota de apresentação do projeto.
No final do percurso, os participantes podem, ainda, desfrutar de uma caldeirada à cruzeiro, acompanhada por um Martini e uma sobremesa, prolongando “a experiência para lá da narrativa” e convidando “à contemplação do rio”.
“Damos a conhecer Almada de forma diferente”
Mais do que um espetáculo, o Cais2Cais pretende “consolidar o Ginjal enquanto lugar de memória”, explica João Monteiro. Para o criador do projeto, é importante preservar as memórias do passado industrial de Almada e do Ginjal, que são já “são mais imateriais do que materiais”. “Apesar de já ter sido um corpo material, neste momento, no Ginjal, já não existe o edificado”, diz ao ALMADENSE, recordando as demolições levadas a cabo em 2025, depois da interdição da circulação no Cais do Ginjal por razões de segurança.
Para além de preservar a memória, João Monteiro espera que este espetáculo leve as “pessoas de Almada” a voltarem “a caminhar por aquela paisagem, que é de todos”, mas também “trazer pessoas que são de fora, nomeadamente da Área Metropolitana de Lisboa”.
Para além disso, um dos objetivos é trazer população estrangeira ao espetáculo, aproximando-a do público local. “Temos o espetáculo em português e em inglês, de forma a cruzar públicos diferentes”, diz ao ALMADENSE.
Da mesma forma, este projeto apresenta uma forma diferente de fazer turismo. “Damos a conhecer Almada de forma diferente”, diz João Monteiro. “Trazemos um turismo que é diferenciado, que é mais lento e que permite esta descoberta do território e feita de uma forma entrecruzada com a comunidade local”.
O projeto é promovido pela Meio do Mato – Associação Cultural, com consultoria científica do Centro de Arqueologia de Almada. Conta ainda com o apoio do ALMADENSE como media partner, da DGARTES – Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal de Almada.
As sessões decorrem nos dias 3, 4 e 5 de setembro, às 17h, e nos dias 26 e 27 de setembro, às 16h30. Os bilhetes variam entre os 25 euros (até uma semana antes) e os 30 euros (na semana antes) e podem ser reservados online.
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