O metro em Almada: proteger especialmente quem anda a pé

Débora Muzzi, membro da Associação Inspira Mobilidade

Almada tem uma oportunidade para reforçar esta visão: uma cidade onde a mobilidade sustentável caminha lado a lado com a proteção da vida humana e com a modernização do transporte público.

Almada é uma cidade feita de bairros, escolas, comércio de proximidade e transportes públicos que estruturam o dia a dia de milhares de pessoas. O Metro Sul do Tejo (MST) é uma peça importante na mobilidade sustentável, ligando o território e contribuindo para a redução da dependência do automóvel. Contudo, precisamente por atravessar a cidade, partilha o espaço com os peões, logo, exige uma necessidade de atenção redobrada ao nível da segurança de quem circula a pé (e é mais vulnerável).

Os recentes atropelamentos mortais de peões na linha do MST — em Almada e em Corroios — trouxeram à discussão pública um tema que merece ser tratado com seriedade, competência técnica e sem alarmismo: como podemos tornar os atravessamentos urbanos mais seguros para todas as pessoas?

Criar segurança para o peão não significa apontar culpados nem colocar em causa o papel do metro. Significa reconhecer que o desenho do espaço público influencia diretamente os comportamentos e os riscos. Em vários pontos do concelho de Almada, o MST atravessa avenidas longas, densamente habitadas, onde as passadeiras estão afastadas entre si e obrigam a percursos pouco compatíveis com a vida quotidiana. Perante isto, muitas pessoas acabam por atravessar nos locais mais diretos — não por negligência ou desrespeito, mas porque a cidade não oferece alternativas adequadas às suas necessidades.

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Nas passagens existentes, o atravessamento é frequentemente longo e complexo, envolvendo duas vias rodoviárias e duas vias do metro. Para crianças, pessoas idosas ou com mobilidade reduzida, este esforço acrescido traduz-se também em maior exposição ao risco, pelo tempo que demoram a fazer a travessia completa.

Há ainda uma realidade técnica que deve ser integrada no planeamento urbano: o metro de superfície tem limitações de travagem. Isto não o torna “perigoso”, mas torna indispensável uma abordagem preventiva, que inclua velocidades ajustadas ao contexto urbano, manutenção rigorosa das infraestruturas (máquinas e carris), adoção de sistema de detecção de obstáculos, e uma operação pensada para territórios partilhados com outros meios de mobilidade.

Felizmente, existem soluções amplamente conhecidas e aplicadas noutras cidades. Reduzir a velocidade do metro em zonas com elevada afluência pedonal, o que tem pouco impacto nos tempos de viagem e um enorme impacto na gravidade de eventuais atropelamentos. Criar mais atravessamentos pedonais nos locais onde as pessoas realmente atravessam, com semáforos luminosos e sonoros, boa iluminação das passadeiras e ilhas de refúgio entre a estrada e a linha do metro, aliados a sinalização clara, são exemplos de boas práticas fáceis de implementar.

Também é importante reforçar a formação dos maquinistas em condução preventiva em meio urbano e investir em campanhas de sensibilização dirigidas a toda a população, baseadas em dados concretos e numa comunicação clara sobre o uso partilhado do espaço público.

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No centro desta discussão deve estar um princípio simples: a cidade deve proteger os seus utilizadores mais vulneráveis. O peão é o mais exposto no espaço público e, ao mesmo tempo, o mais universal, pois todos somos peões em algum momento do dia.

Quando se melhora a segurança para quem anda a pé, melhora-se a cidade como um todo. Ganha-se em qualidade de vida, em justiça social, em dignidade urbana e em confiança no espaço público. Almada tem, assim, uma oportunidade para reforçar esta visão: uma cidade onde a mobilidade sustentável caminha lado a lado com a proteção da vida humana e com a modernização do transporte público. 

Esta posição foi tornada pública em Assembleia Municipal de Almada, no passado dia 16 de dezembro. A Associação Inspira Mobilidade pretende alertar a Câmara Municipal de Almada e demais entidades com competência na gestão territorial, para que sejam tomadas medidas concretas e transparentes na resolução e prevenção deste tipo de incidentes.

 

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3 Comentários

  1. Resido na Avenida 25 em Corroios, local onde passa o MTS. Concordo com o artigo do jornal, mas acrescento e reforço algumas situações que se passam com o MST, como por exemplo: a péssima iluminação pública, principalmente junto às passadeiras, o barulho ensurdecedor, a falta de manutenção do metro e até a côr que é muito escura e a própria iluminação que é muito fraca. À noite, o MST vê-se mal! Outro problema que existe, é é grave, refere-se à excessiva velocidade com que o trânsito automóvel se faz, nesta Avenida. É um perigo constante para os peões, que nem no passeio nos sentimos seguros!!! Há que ter em atenção e arranjar uma solução para a velocidade, que é deveras excessiva. Basta ver os candeeiros que tem sido abalrroados e é também por esse motivo que temos uma má iluminação pública. Resumindo: o que se pretende é que o progresso ande a par da segurança e do bem estar das populações e não o contrário!

  2. Não querendo acusar ninguém: enviei dois emails ao MST e nunca se dignaram a responder e isto porquê? Tive duas situações de parar o meu carro porque o metro não respeitou o respectivo semáforo

  3. Almada acabou, essa cidade onde 40% são velhos e outros 40% subsídio-dependentes, essa cidade HORRÍVEL que não tem qualquer esperança de mudar já que os seus cidadãos votaram na mesma câmara municipal. Cresci no Norte do país e nunca imaginei que uma cidade pudesse ser tão péssima como é Almada em 2025. Horroroso.

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