Remoção de amianto nas escolas de Almada ainda sem data para conclusão

Município não cumpriu o objetivo de concluir a remoção do amianto até ao Verão e poderá falhar a meta do final do ano.

 

O processo de substituição dos telhados das escolas públicas do concelho de Almada continua a decorrer durante o período letivo e não tem ainda data para conclusão. O município não conseguiu cumprir o objetivo inicialmente previsto pelo Governo de concluir a retirada do amianto até ao Verão e poderá mesmo falhar a meta do fim do ano.

Neste momento, os trabalhos de remoção as placas de fibrocimento encontram-se a decorrer em quatro estabelecimentos de ensino: nas escolas secundárias Daniel Sampaio e António Gedeão e nas escolas básicas Francisco Simões e Alembrança. Em lista de espera encontram-se ainda três: as escolas secundárias Fernão Mendes Pinto, Cacilhas-Tejo e D. António da Costa, de acordo com a informação enviada ao ALMADENSE pela Câmara Municipal de Almada (CMA).

Desta forma, até à presente data, as estruturas já foram removidas na totalidade em oito estabelecimentos: Anselmo de Andrade, EB1 Trafaria, EB3 Trafaria, AE Trafaria, Costa da Caparica, Carlos Gargaté, Elias Garcia e Miradouro de Alfazina.

Questionada pelo ALMADENSE sobre qual a previsão para a conclusão dos trabalhos no conjunto das escolas de Almada, fonte da autarquia não se comprometeu com uma data, indicando apenas que estão a ser feitos esforços “para que as obras terminem o quanto antes”. Ainda assim, o município sublinha que “os trabalhos têm sido realizados em tempo recorde”, graças “ao incansável e redobrado esforço de todos os funcionários da CMA e entidades parceiras no projeto”.

No entanto, junto dos encarregados de educação, a possibilidade dos trabalhos se prolongarem no tempo é fonte de preocupação. “Com os atrasos e acidentes que têm acontecido, não estamos confiantes que as obras terminem sequer no final deste ano”, afirma ao ALMADENSE Rute Silva, mãe de um aluno que frequenta a Escola Básica da Alembrança, no Feijó.

 

Obras no Feijó prosseguem no fim do mês

A remoção das placas de fibrocimento na Escola da Alembrança, no Feijó, gerou controvérsia na semana passada devido a problemas ocorridos durante a execução das obras. “No decorrer dos trabalhos, veio a verificar-se uma maior complexidade na remoção e transporte dos canaletes removidos da cobertura. Foram, de imediato, acionados os procedimentos de segurança, incluindo a deslocação da ACT ao local”, explicou a CMA em comunicado.

Considerado que era necessário um reforço das condições de segurança, a situação que levou mesmo ao encerramento do estabelecimento de ensino durante os dias 15 e 16 de novembro. Entretanto, a atividade letiva presencial foi retomada na quarta-feira, dia 17 de novembro, “após terem sido verificados todos os procedimentos de segurança e a avaliação da qualidade do ar no local.”

Quanto à restante intervenção, irá decorrer durante a pausa letiva que irá ocorrer entre os dias 26 de novembro e 1 de dezembro, avança a autarquia. Uma decisão que vai ao encontro das reivindicações feitas por encarregados de educação e junta de freguesia. “A execução das obras devia ter sido lançada num outro quadro cronológico, em que não existam alunos e docentes no espaço escolar”, afirma Luís Palma, presidente da Junta de Freguesia de Laranjeiro e Feijó, em declarações ao ALMADENSE.

 

Movimento mantém preocupação

Enquanto decorrem os trabalhos, as comunidades escolares de Almada continuam a reportar regularmente este problema junto do Movimento Escolas Sem Amianto (MESA). “A maior parte prende-se com as remoções em período de aulas. Mas, já houve outras mais específicas, sobre trabalhadores sem as proteções devidas, sobre acidentes com telhas de fibrocimento que terão caído no chão e também sobre a falta de aviso aos morados das imediações”, descreve ao ALMADENSE André Julião, dirigente do movimento. Para o responsável, a situação é “extremamente perigosa para toda a comunidade”, uma vez que a degradação do amianto liberta fibras microscópias, potencialmente cancerígenas, que se podem instalar nos pulmões.

Por sua vez, a Câmara de Almada recorda que a remoção das coberturas de fibrocimento decorre unicamente “fora do horário de funcionamento das escolas”, ou seja, após a atividade letiva, durante o fim-de-semana ou nas pausas letivas. “Encontram-se reunidas as condições de segurança que esta empreitada impõe, estando acautelado o interesse público, a proteção e a salvaguarda da saúde pública”, assegura a autarquia.

Apesar do compromisso, os pais de muitos alunos mantêm o receio de que não estejam reunidas todas as condições de qualidade do ar quando as aulas são retomadas. “A falta de dados das monotorizações antes do reinício das aulas e após o final de cada intervenção deixa as escolas intranquilas e alarmadas”, sublinha André Julião.

 

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