A Trafaria volta a receber nos dias 11, 12 e 13 de setembro, o Trafaria Bluegrass, festival que leva à vila ribeirinha música bluegrass, concertos, workshops, atividades para várias idades e momentos de convívio. Na quinta edição, a organização mantém a aposta num evento gratuito e comunitário, procurando dar a conhecer não só este género musical, originário dos Estados Unidos, mas também a própria Trafaria, no concelho de Almada.
Durante três dias, o bluegrass volta a espalhar-se pelas ruas e diferentes espaços da Trafaria, numa iniciativa que, desde a primeira edição, procura aproximar o público nacional de um género musical ainda pouco conhecido em Portugal. O festival, que se assume como o primeiro evento de bluegrass realizado no país, chega este ano à quinta edição com cinco bandas internacionais e duas formações em representação de Portugal.
Este ano, o objetivo da organização passa sobretudo por “continuar a divulgar a música e a vila com qualidade”, e não tanto por aumentar a dimensão do evento, explica Fernanda Leitão, presidente da associação Recreios Desportivos da Trafaria, em entrevista ao ALMADENSE. Na sua quinta edição, o projeto pretende consolidar-se, mantendo o compromisso de crescer sem perder a sua identidade e dimensão local.
“Um festival essencialmente comunitário, gratuito, onde toda a gente caiba e com qualidade”. É assim que a organização define a iniciativa que, ao longo dos anos tem contribuído para associar a Trafaria ao universo do bluegrass. A vila é hoje conhecida por alguns visitantes nacionais e estrangeiros como um dos pontos de encontro deste género musical, havendo inclusive pessoas que regressam todos os anos para participar no festival.
Sete bandas levam o bluegrass à Trafaria
A programação desta quinta edição reúne uma vez mais artistas de diferentes países, procurando manter uma ligação às raízes norte-americanas do género musical. Entre os nomes confirmados estão Erica Brown & The Bluegrass Connection, dos Estados Unidos da América, Tennessee Studs, dos Países Baixos, Rookie Riot, da Suécia, The Grassmobiel, da Bélgica, e The Arbour Hillbillies, da Irlanda. Portugal estará representado pelos Stonebone & Bad Spaghetti e pelos The Seven Hills Pickers.
A escolha das bandas esteve a cargo do diretor artístico do festival, André Dal, que acompanha regularmente o circuito de bluegrass, mantendo contacto com músicos e festivais internacionais. A organização destaca ainda a importância de garantir a presença de uma formação oriunda dos Estados Unidos, país onde o género nasceu.
“Faz-nos todo o sentido ter uma banda oriunda do país de origem”, explica Fernanda Leitão, acrescentando que a seleção procura também assegurar a qualidade e entrega dos músicos. “Temos trazido sempre bandas com uma entrega muito grande, que gostam muito de música, que se divertem a tocar no palco e fora dele. E é contagiante.”
O bluegrass, género de música popular e tradicional norte-americana com raízes nos Apalaches, caracteriza-se pelo recurso predominante a instrumentos de cordas acústicos, como o banjo, a guitarra, o bandolim, o violino e o contrabaixo. A tradição do género cruza influências da música celta, do jazz e do blues, valorizando a alternância entre vozes, instrumentos, solos e improvisos.
Na Trafaria, os espetáculos vão dividir-se entre o palco principal, instalado no Largo da República, onde também haverá barraquinhas com comida e bebida, o palco dos Bombeiros Voluntários da Trafaria, o palco na Igreja de São Pedro da Trafaria, o palco Coreto, no centro da vila, o palco Poço Novo e o palco instalado no antigo “Casino da Trafaria”.
Mais do que concertos

Embora a música esteja no centro do programa, o Trafaria Bluegrass procura levar o festival para além dos palcos. A iniciativa distribui-se por diferentes pontos da vila e inclui workshops de instrumentos e voz, oficinas, visitas e caminhadas pela Trafaria, atividades para crianças, momentos de dança, gastronomia e jams espontâneas entre músicos.
A organização considera esta componente essencial para cumprir um dos principais objetivos do festival: transformar a Trafaria numa verdadeira “vila musical”.
“O nosso objetivo é transformar a Trafaria numa vila musical”, afirma Fernanda Leitão. A ideia passa por levar os visitantes a descobrir diferentes espaços e histórias da localidade, fazendo com que o festival seja também uma oportunidade para conhecer o território e a sua população.
Entre os espaços envolvidos encontram-se, por exemplo, o Poço Novo e os Bombeiros Voluntários da Trafaria, onde são acolhidos momentos musicais. “O que queremos é chegar a todos”, explica. “Queremos que cada pedacinho da vila conte a sua própria história”.
A programação inclui ainda atividades de sensibilização ambiental e de participação comunitária, reforçando a ligação do festival ao território. Além disso, durante os três dias de evento, são frequentes as jams espontâneas, com músicos locais, visitantes e artistas convidados a juntarem-se para tocar em diferentes pontos da vila.
Um festival feito de voluntários
A dimensão comunitária do Trafaria Bluegrass entende-se também à própria organização do evento, que vive em grande medida do trabalho voluntário, contando com a participação de pessoas da comunidade e também de voluntários estrangeiros.
“Este festival vive muito do voluntariado. Todos nós somos voluntários”, revela Fernanda Leitão, que estima que cerca de um quarto dos voluntários sejam estrangeiros.
A crescente presença de visitantes de fora de Portugal é, aliás, um dos sinais da internacionalização do festival. Mas o impacto pretendido não é apenas turístico. A organização quer também aproximar o bluegrass das novas gerações, admitindo reforçar, no futuro, o trabalho junto dos estabelecimentos de ensino mais próximos. Um dos exemplos já realizados foi um workshop numa escola da Trafaria, onde os alunos tiveram oportunidade de contactar diretamente com os músicos.
Da Trafaria para o palco
Para a organização, o objetivo final é que quem chega ao festival pela primeira vez não saia apenas com uma ideia sobre o bluegrass, mas leve consigo uma experiência ligada à música, à comunidade e à própria vila.
A história de Tomás é apresentada como um exemplo disso mesmo. O jovem chegou ao festival como voluntário, começou por ajudar no bar e acabou por conhecer músicos e participar numa jam. Tocava guitarra e foi convidado a juntar-se a um momento musical. Atualmente, integra uma das bandas que vai marcar presença no festival, The Seven Hills Pickers.
“Isto é o que sempre ambicionámos: que realmente houvesse pelo menos uma, duas, três pessoas que ficassem tocadas pela música”, conta Fernanda Leitão ao ALMADENSE.
É tambem esse espírito de descoberta e partilha que a organização pretende manter nesta quinta edição. Entre música, oficinas, atividades para famílias, encontros espontâneos entre músicos e visitas à vila, a Trafaria volta a assumir-se como ponto de encontro para quem já conhece o bluegrass e para quem o vai ouvir pela primeira vez.
“Queremos acolher as pessoas com qualidade e mostrar aquilo que somos, a música, como pessoas e como comunidade”, resume a responsável. Para conhecer o programa completo da edição deste ano do Trafaria Bluegrass – Onde o Tejo se Faz ao Mar, consulte o site oficial do evento.
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