Almada é o município com maiores perdas de água no país, segundo a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho. De acordo com a governante, o concelho regista fugas “acima da média, com mais de 35%”, salientando ainda, em declarações aos jornalistas citadas pela Agência Lusa, que “há uma necessidade de manutenção e de investimento que é importante fazer”.
Questionada sobre a situação que se vive no concelho de Almada, onde as falhas no abastecimento de água se estendem a várias freguesias, em particular à Costa da Caparica, Charneca de Caparica, Laranjeiro e Feijó, Maria da Graça Carvalho afirmou que não existiu “nenhum alerta da Câmara Municipal de Almada sobre problemas, nem nenhum pedido”. A ministra do Ambiente e Energia, que falava esta terça-feira, em Évora, acrescentou ainda que o primeiro contacto com a autarquia ocorreu apenas na segunda-feira, por telefone, quando o vice-presidente da Câmara, Filipe Pacheco, a contactou para abordar o processo de licenciamento de novos furos de captação de água.
Maria da Graça Carvalho acrescentou ainda que tanto a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) como o Grupo Águas Portugal “já se disponibilizaram para ajudar no que for preciso, embora a responsabilidade seja municipal.” Também o “Governo está para ajudar”, complementa.
Para além disso, a governante explicou que a APA pretende conhecer os projetos que a autarquia tem para melhorar a rede de abastecimento, percebendo se o problema “está pura e simplesmente na gestão do sistema, se está nas perdas de água”.
“Se é necessário [fazer] obras de perdas de água, porque é que não foram feitas, porque tem havido financiamentos nos fundos europeus para perdas de água, como houve no Algarve, em que diminuíram drasticamente as perdas de água”, sublinha, em declarções à Lusa.
Recorde-se que na terça-feira, dia 7 de julho, a Câmara Municipal de Almada anunciou a criação de um Gabinete de Crise para responder às falhas no abastecimento de água, que tem como objetivo monitorizar o abastecimento, avaliar a eficácia das medidas implementadas, bem como definir novas ações que mitiguem e acelerem a regularização do serviço.
“Nunca se consumiu tanta água em Almada como em 2026”
Já esta semana, a Câmara Municipal de Almada e o Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada justificaram as falhas no fornecimento de água na cidade com o aumento populacional e com o facto de a procura ser superior à quantidade de água captada. Na segunda-feira, vários moradores da Costa da Caparica e de outras freguesias protestaram, em frente ao SMAS, devido à situação e à falta de respostas por parte das entidades responsáveis.
Neste sentido, para que a população possa “perceber a pressão que o sistema de abastecimento está a sentir este ano”, a autarquia divulgou, nas redes sociais, vários dados referentes ao consumo de água no concelho. Na publicação, a Câmara Municipal de Almada refere, nos últimos 75 anos, “nunca se consumiu tanta água em Almada como em 2026“.
A autarquia começa por referir que o concelho registou um aumento de consumo de água de 4,3% no primeiro semestre deste ano face aos primeiros seis meses de 2025.
Segundo os dados divulgados pela autarquia, o aumento do consumo de água não é igual em todo o concelho, com várias zonas da cidade a dispararem: a Charneca da Caparica cresceu 15,2%, a Sobreda e o Lazarim 15% e a Costa de Caparica 14,2%.
A autarquia revela, ainda, que “só na zona da Charneca e da Sobreda, o consumo aumentou 370 mil metros cúbicos em seis meses, o equivalente a 32% de toda a água consumida no concelho”, ultrapassando “o consumo histórico do Pragal e da Costa de Caparica.
Em sentido contrário, as zonas de Raposo e Monte registaram uma diminuição de 4,6%, tal como a Cova da Piedade (-3,7%) e Pragal, Almada e Cacilhas, com uma descida menos significativa de 1,9%. O Laranjeiro e o Feijó registam uma estabilização no consumo de água, apresentando ligeiras subidas de 0,7% e 5,7%, respetivamente.
Almada cria Gabinete de Crise para responder às falhas no abastecimento de água




