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A Voz aos Almadenses: “Uma cidade sem escola secundária: A visão redutora da Junta da Costa da Caparica”

Cristina Agostinho, residente na Costa da Caparica

Esta visão reflete-se noutras ausências estruturais há muito identificadas pela população, como a falta de uma biblioteca pública, de uma piscina municipal ou de outros equipamentos culturais e desportivos essenciais.

Na Assembleia de Freguesia da Costa de Caparica realizada no passado dia 18 de dezembro de 2025, a recém-eleita Presidente da Junta de Freguesia, Vanessa Krause, respondeu a uma questão colocada pelo público relativa à necessidade de criação de uma escola secundária na Costa de Caparica, de forma a permitir que os jovens possam prosseguir os seus estudos na sua própria cidade. “Na minha opinião, não faz sentido a Costa da Caparica ter uma escola secundária”, afirmou.

A resposta da Presidente foi clara e inequívoca: não considera que faça sentido existir uma escola secundária na Costa de Caparica, argumentando que a cidade é “demasiado pequena” para justificar esse investimento. Acrescentou ainda que o facto de os alunos terem de se deslocar para outras localidades para frequentar o ensino secundário é positivo, pois contribui para o desenvolvimento de competências como a organização pessoal e a responsabilidade.

Esta posição ignora uma realidade estrutural e social profundamente desigual. A proposta em causa apontava para a redefinição do atual agrupamento de escolas, defendendo a criação de um novo agrupamento em conjunto com a Trafaria, território contíguo e com maior afinidade identitária. Em vez disso, mantém-se a obrigatoriedade de os estudantes da Costa de Caparica frequentarem o ensino secundário no Monte de Caparica, desconsiderando as claras divergências de identidade territorial, social e urbana entre estas freguesias.

Mais grave ainda, esta política empurra os alunos oriundos de contextos socioeconómicos mais favorecidos para o ensino privado, onde — como implicitamente assumido — se garantem “melhores condições” e um ambiente social considerado mais adequado. Este facto contribui para a segregação social e educativa, aprofundando desigualdades e limitando a escola pública a quem não tem alternativa.

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Ao afirmar que a Costa de Caparica é uma cidade que não necessita de infraestruturas próprias, a Presidente da Junta assume uma visão de gestão corrente, sem ambição estratégica nem compromisso com o desenvolvimento equilibrado do território. Esta visão reflete-se noutras ausências estruturais há muito identificadas pela população, como a falta de uma biblioteca pública, de uma piscina municipal ou de outros equipamentos culturais e desportivos essenciais.

O resultado é uma freguesia reduzida quase exclusivamente à função turística, sem investimento consistente em serviços públicos fundamentais, enquanto outras freguesias do concelho concentram infraestruturas, equipamentos e oportunidades. Esta opção política perpetua a assimetria no concelho de Almada e fragiliza o direito dos jovens da Costa de Caparica a uma educação pública de proximidade, equitativa e digna. Recusar uma escola secundária na Costa de Caparica não é apenas uma decisão administrativa: é uma escolha política que condiciona o futuro da cidade, dos seus jovens e da sua coesão social.

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