12.2 C
Almada

Almada vai aplicar taxa turística

Medida foi aprovada com os votos favoráveis do PS e Bloco de Esquerda e com os votos contra da CDU e do PSD.

 

Almada vai passar a cobrar uma taxa aos turistas que pernoitam no concelho. A medida foi aprovada em reunião de câmara privada, realizada esta segunda-feira, dia 28 de outubro, contando com seis votos favoráveis (PS e Bloco de Esquerda) e cinco contra (CDU e PSD). Desta forma, Almada junta-se a outras 30 cidades portuguesas que já aplicam a taxa municipal turística.

“O aumento significativo da atividade turística no concelho de Almada nos últimos anos” e o impacto financeiro que esta tem “na manutenção e qualificação urbanística, patrimonial, territorial e ambiental do espaço público”, motivam a criação desta nova taxa, adiantou ao ALMADENSE fonte da Câmara Municipal de Almada.

Ao mesmo tempo, “a manutenção, reparação e qualificação de diversas infraestruturas, equipamentos e sistemas, a diversificação das ofertas culturais, artísticas e de lazer, bem como a segurança dos cidadãos”, justificam a aplicação da tarifa, explicou a mesma fonte, numa resposta enviada por escrito.

- PUBLICIDADE -

A nova taxa será criada no âmbito do Regulamento e Tabela de Taxas do Município de Almada, que se encontra neste momento em revisão. Quanto ao valor final a aplicar, que geralmente varia entre um e três euros por noite, será decidido “após consulta pública”, adiantou a Câmara Municipal. Depois disso, terá lugar a aprovação final em sede de Assembleia Municipal. Por esse motivo, a autarquia considerou ser “ainda prematuro fazer mais comentários sobre o tema”.

 

Proposta do Bloco de Esquerda

A criação de uma taxa turística é uma proposta que o Bloco de Esquerda de Almada tem vindo a apresentar desde 2019, mas que foi chumbada sucessivamente com os votos contra do PS, PSD e CDU.

Por isso, o partido vê com satisfação que “perante a pressão do Bloco e a realidade concreta do concelho”, haja “finalmente um entendimento sobre a necessidade de avançar com a taxa turística”.

Para a formação, “é justo que o turismo também contribua para o orçamento municipal e pague a sua parte face aos impactos desta atividade na sobrecarga nos serviços de recolha do lixo, no ambiente e sobre os preços de bens e serviços locais acentuando problemas de acentuação de desigualdades económicas entre as comunidades locais”, explicou ao ALMADENSE.

Por isso, o Bloco de Esquerda defende que “a taxa turística deve financiar investimentos municipais em habitação acessível”, sobretudo tendo em conta que Almada é “um dos concelhos mais afetados pela especulação imobiliária”.

- PUBLICIDADE -

 

PS e PSD com entendimento diferente

Ao contrário do que é habitual na Câmara de Almada, onde vigora um acordo de governação entre PS e PSD, nesta ocasião a medida foi aprovada por uma maioria invulgar, formada pelos vereadores socialistas e pela representante do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua.

Já o PSD, votou contra a medida, por considerar que é “necessário estimular a economia através do turismo, seja ele gastronómico, de praia ou religioso”, afirmou Paulo Sabino, presidente da concelhia, em declarações ao ALMADENSE. Para o responsável, “Almada não tem a pressão turística que justifique a introdução de uma taxa. O que devemos fazer é dinamizar o turismo nas suas diferentes áreas”.

De acordo com o dirigente, não há contradição com o facto do vereador do PSD em Almada, Nuno Matias, ser responsável pelo pelouro do Turismo, que irá aplicar a medida. “O facto do partido politicamente votar contra não impede os serviços técnicos de desenvolver e aplicar a proposta”, afirmou.

Embora a Câmara de Almada não se tenha ainda comprometido com uma data para a aplicação da taxa nem com um valor, o Bloco de Esquerda adianta que a mesma poderá entrar em vigor em 2025 e que esta terá incidência em estabelecimentos hoteleiros (hotéis, pousadas), aldeamentos turísticos, apartamentos turísticos, conjuntos turísticos (resorts), empreendimentos de turismo de habitação, empreendimentos de turismo no espaço rural, alojamento local e parques de campismo e caravanismo.

Em cima da mesa está a cobrança de dois euros no caso de estabelecimentos de alojamento turístico (num máximo de cinco noites) e de 1,5 euros no caso de parques de campismo e caravanismo. Destes, 50 cêntimos revertem a favor dos próprios parques. Além disso, a taxa não será cobrada a crianças com idade até 12 anos, inclusive.

 

Governo investe 9 milhões de euros na reposição de areia na Costa da Caparica

- PUBLICIDADE -

Somos uma voz local, livre e independente

O ALMADENSE não é detido por nenhuma empresa ou grupo de comunicação social. Escrevemos com total autonomia editorial, com critério e compromisso, sempre ao serviço da comunidade. Com o seu apoio, poderemos continuar a desenvolver o nosso trabalho.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

PUBLICIDADE
matrizauto-halfpage

Últimas

PUBLICIDADE
referencia

Mais Notícias

PUBLICIDADE

Artigos Relacionados

Presidenciais 2026: guia eleitoral para os almadenses

Portugueses deslocam-se às urnas este domingo para eleger o novo Presidente da República para...

Teatro contemporâneo chega a Almada com “Introdução à Minha Vida”

Espetáculo de Philip Ridley sobe ao palco do Auditório Osvaldo de Azinheira a 17...

Almada celebra 50 anos do Poder Local Democrático na Oficina da Cultura

Memória, homenagem e diálogo entre gerações marcam as comemorações promovidas pela Associação Amigos da...

Almada AC vence dérbi almadense na Cova da Piedade

Num domingo repleto de embates para os quatro clubes almadenses na I Divisão da...