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Ruído do metro em Almada: “É como um pequeno tremor de terra a cada cinco minutos”

Problema arrasta-se praticamente desde que o metro de superfície foi inaugurado e tem vindo a agravar-se, asseguram os moradores. Concessionária promete atuar durante este semestre.

 

Quando João Paiva comprou o apartamento que habita na avenida principal de Almada, há pouco mais de um ano, sabia que a circulação do Metro Transportes do Sul (MTS) provocava ruído, mas pensava que a colocação de janelas com vidro duplo resolveria o assunto. Investiu milhares de euros na remodelação da casa e acabou por fechar também a varanda para tentar minimizar o barulho.

“Não funcionou”, conta ao ALMADENSE o morador da avenida D. Nuno Álvares Pereira. “Não é só o ruído, é também a vibração. É como um pequeno tremor de terra a cada cinco minutos”, relata, garantindo que dorme com tampões nos ouvidos mas, mesmo assim, acorda “muitas vezes durante a noite” devido à passagem do metro.

 

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O mesmo acontece com Norberto de Oliveira, residente na Av. 25 de Abril, em Cacilhas, para quem o barulho é “ensurdecedor, vergonhoso e certamente ilegal na escala da lei do ruído”. De acordo com o morador, igualmente preocupante é “a trepidação que se faz sentir no interior das habitações”, que o leva semanalmente a afastar “as loiças nos armários para que não partam”. No seu caso, já caíram dois candeeiros do teto, “felizmente causando apenas danos materiais”.

As consequências da vibração são, por isso, visíveis também nas casas: “verificam-se fendas e rachas nos edifícios e habitações que antes não existiam”, assegura Norberto de Oliveira. Além disso, há “folgas nas janelas, que tremem a cada passagem das carruagens”, relata.

Desde que entrou o MTS entrou em funcionamento, em 2008, que se acumulam queixas, petições, abaixo-assinados, ofícios e manifestações denunciando o ruído excessivo provocado pela passagem das composições. Tudo sem que tenha havido uma solução, aponta, por sua vez, Marco Sargento, membro da Comissão de Utentes de Transporte da Margem Sul, que sublinha os “impactos gravíssimos” que o ruído provocado tem na saúde da população e lamenta que “o ruído não ajude em nada à imagem do MTS, principalmente junto das populações que residem mais próximo do canal de circulação”.

Não sendo uma realidade nova, os moradores acreditam que o problema tem vindo a agravar-se. Residente junto à linha desde finais de 2006, Norberto de Oliveira acompanhou todo o decorrer da empreitada e assegura que “a deterioração tem sido visível e audível ao longo dos tempos”. João Paiva também não tem dúvidas: “a situação piorou nos últimos meses”.

 

Três horas de descanso por noite

Um dos principais problemas apontado pelos moradores é o facto de haver apenas um período de três horas de silêncio total por noite, uma vez que o serviço do MTS (concessionado ao Grupo Barraqueiro), tem início por volta das 5h30 da manhã e se prolonga até às 2h30. “Numa cidade moderna isto não pode acontecer”, defende João Paiva, lamentando que “ninguém defenda o direito das pessoas ao descanso” e sugerindo a “suspensão da circulação do metro pelo menos algumas horas durante a noite, de forma a que os moradores possam dormir”.

As perturbações do sono são, de resto, uma das principais consequências causadas pela exposição ao ruído, aponta a associação ambientalista Zero, que tem vindo a alertar para o impacto na saúde de níveis elevados de poluição sonora. A longo prazo, os problemas incluem “um aumento do nível de stress”, com consequências ao nível da “irritabilidade e surgimento ou agravamento de doenças cardiovasculares”, assinala Francisco Ferreira, presidente da associação, em declarações ao ALMADENSE.

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Habituada a fazer monitorizações de ruído, a associação ambientalista admite, no entanto, nunca o ter feito em Almada porque no caso do metro de superfície “as medições implicam ir um pouco mais longe do que a simples avaliação através de meios aproximados como as aplicações de telemóvel”, que a Zero utiliza. Numa situação desta natureza, adianta Francisco Ferreira, deve-se “recorrer a um sonómetro e a períodos longos de medição. A principal razão é que uma avaliação do ruído do metro exige mais rigor, devendo ser efetuada por um sonómetro, caracterizando-se também o chamado ruído tonal (associado ao chiar das rodas com os carris), que torna o ruído muito mais incomodativo para quem está próximo ou vive nas habitações circundantes à linha”.

 

Concessionária promete atuar

O ALMADENSE procurou saber junto da Câmara Municipal de Almada que medidas tem a autarquia previstas para mitigar o ruído e a vibração provocados pela passagem do metro, mas não obteve resposta.

Já a presidente da Comissão Executiva do MTS, Ana Cristina Dourado, indicou que a concessionária irá “durante o primeiro semestre deste ano, proceder a uma operação de esmerilagem dos carris, em grande parte do percurso do metro no concelho de Almada”.

De acordo com a responsável, esta intervenção foi identificada como “a melhor medida a tomar, no seguimento de diversos estudos que têm vindo a ser efetuados por especialistas nesta matéria”. Neste sentido, “será deslocado um equipamento especial para Almada que, ao circular ao longo da linha, irá repor o perfil do carril”. Devido ao traçado do percurso, “muitas vezes sinuoso, foram produzidos desgastes anormais em alguns troços da via mais sujeitos a pressões”, prossegue Ana Cristina Dourado, destacando que a operação será “planeada e coordenada com a Câmara Municipal de Almada, pelos impactos que terá no espaço público, e ainda “amplamente divulgada antes da sua realização”.

Apesar da promessa, quem mora junto à linha mantém o ceticismo: “não creio que o problema esteja apenas no carril, mas também no próprio material circulante, que deve ser alvo de reparação”, aponta João Paiva. O morador pede também a “redução da velocidade praticada” pelas composições e defende que a substituição do empedrado poderia contribuir para “minimizar o ruído”.

 

https://almadense.sapo.pt/cidade/almada-lanca-concurso-para-projeto-de-reconversao-do-antigo-edificio-da-edp/

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