Petição pede deslocalização dos Silos da Trafaria

Grupo de moradores exige a deslocalização do Terminal Portuário da Trafaria para uma zona com menos pressão urbanística. Petição soma mais de 200 assinaturas.

 

“O barulho dura a noite toda. Além disso, há muitos cereais no ar, o que prejudica a população, especialmente quem já tem problemas respiratórios”, aponta Susana Pereira, uma das impulsionadoras da petição que pede a deslocalização do Terminal Portuário da Trafaria, no concelho de Almada.

Desde 1986 que os imponentes silos de moagem da Silopor recortam o perfil ribeirinho da pequena vila piscatória. Quando chegaram, os silos prometiam trazer emprego e dinamismo a esta zona da margem Sul do estuário do Tejo. No entanto, acabaram por provocar uma deterioração na qualidade de vida da população, deixando as promessas por cumprir, apontam os subscritores da petição.

 

Logo a começar, para erguer a construção foi destruída uma praia, recorda Susana Pereira. “Não há nenhuma capital europeia com silos à porta da cidade”, diz ao ALMADENSE, chamando também a atenção para o impacto ambiental provocado pelo Terminal, os efeitos na qualidade do ar e até a poluição do rio, motivada pelo intenso tráfego de barcos.

Na vila, as pequenas embarcações dos pescadores convivem lado a lado com as grandes betoneiras, com uma altura média de 72 metros, destinadas a armazenamento, distribuição e transporte de cereais. O ruído chega à margem norte do rio, à zona de Algés, Dafundo e Cruz Quebrada, acrescenta a trafariense, de 44 anos. Por sua vez, as complicações respiratórias são exponenciadas pelo grande movimento de camiões naquela zona ribeirinha.

Dirigida ao Presidente da Assembleia da República e Deputados, a petição, que reúne, à data, 116 assinaturas online e aproximadamente mais 100 em papel, pede a deslocalização do Terminal para “uma zona industrial com menos pressão urbanística”.

Além disso, a “continuação da utilização de transporte rodoviário para este tipo de mercadorias, com elevadas emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, a médio prazo será insustentável”, escrevem as autoras da petição.

Sugerem, por isso, que a área mais indicada para a deslocalização dos silos seria o Porto de Sines, por ter “uma ligação de ferrovia”, ou uma zona mais interna do estuário do Tejo com menos habitação e fosse possível fazer uma ligação para a ferrovia, como “na zona do Pinhal Novo”, indicam.

 

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Moradores pedem deslocalização dos Silos para uma zona com menos pressão urbanística.

 

Embora o descontentamento da população seja de longa data, 2021 colocou de novo a questão em cima da mesa, levando os subscritores a pedir que a solução seja financiada pelos fundos comunitários do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Em ano de autárquicas, as impulsionadoras da petição consideram o momento importante para colocar pressão sobre os candidatos a Almada. No entanto, o calendário eleitoral nem sempre é uma vantagem: “por vezes, as pessoas associam-nos a partidos políticos e não assinam por ser partidário ou por não ser do partido delas.”

 

Mais de 35 anos de Silos e promessas por cumprir

“Se não mudarem a localização dos Silos, dêem-nos contrapartidas”, pede Susana Pereira, recordando que foi prometida uma piscina e um complexo de desportos e frisando que o Centro de Saúde continua encerrado, apesar dos problemas respiratórios serem comuns.

A criação de postos de trabalho foi outra das promessas. A Silopor precisava de recrutar para “postos de trabalho especializados”, mas “essa espacialização não existia na Trafaria”, pelo que não teve grande impacto na vila.

Ao nível da responsabilidade política, Susana Pereira aponta tanto o Governo como o parecer favorável da autarquia, mas prefere olhar em frente. “Na altura, quem autorizou a nível de Governo foi o PS e, na autarquia, a CDU convenceu a população de que seria bom e que haveria postos de trabalho. Agora não vale a culpa estar a culpar o passado, gostava é que se mudasse o presente e o futuro”, conclui.

 

Texto: Beatriz Ribeiro

 

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2 Comentários

  • Setembro 6, 2021 at 12:18 pm
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    Faz-me lembrar a Lisnave, com os “impactos ambientais da treta”, que só agora é que despoleta a atenção da população. Destruíram o maior produtor de mão de obra da margem sul, tudo por causa da CMA e de muitas marias mal humoradas vizinhas da Lisnave, a roupa se sujava, e da famosa central sindical CGTP, agora sim, a Lisnave está melhor… Miseráveis.

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  • Setembro 16, 2021 at 1:38 pm
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    Carlos não sabes o que é poluição e nem a historia do concelho. Chega-te para lá

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