Autarquia já realojou cerca de 230 pessoas, admitindo que em muitos casos “não será possível regressar às habitações”.
A Câmara Municipal de Almada vai criar uma “task force municipal” destinada a acompanhar os efeitos das recentes tempestades no concelho, bem como preparar as reparações necessárias e antecipar situações futuras.
A medida, anunciada esta segunda-feira, dia 16 de fevereiro, em reunião camarária, surge na sequência dos danos causados pelo mau tempo, que já motivaram a evacuação completa do Porto Brandão e de várias habitações na Azinhaga dos Formozinhos e na Costa da Caparica.
Até ao momento, foram realojadas um total de 230 pessoas, informou a presidente da Câmara, Inês de Medeiros. “Além destas, muitas pessoas tiveram resposta alternativa junto de familiares e amigos”, acrescentou a autarca, sublinhando que “todas serão contabilizadas nas necessidades de habitação”, uma vez que em “muitos casos não será possível regressar às habitações”, explicou.
Sobre a monitorização das arribas e vertentes, Medeiros lembrou que desde 2023 o município trabalha com uma equipa da NOVA FCT. “Agora, na sequência dos últimos desenvolvimentos, voltámos a acionar as equipas da FCT para nos próximos dois anos continuarem a monitorizar a vertente ribeirinha e da Costa”, explicou Inês de Medeiros. De acordo com a autarca, será necessário continuar a acompanhar toda a arriba fóssil, que, por ser um “ser vivo”, continua em movimento, exigindo “monitorização constante”, explicou.
Autarca lamenta ausência do Governo
A presidente agradeceu também à Secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, o “contacto diário” que tem mantido com a autarquia, sublinhando que se trata do “único membro do Governo” que “está a tentar encontrar soluções” para Almada, afirmou. Em contrapartida, lamentou a ausência do Governo no terreno: “Não tive nenhum contacto nem do primeiro-ministro nem do ministro Miguel Pinto Luz, nem ministra do Ambiente, nem representantes da APA”, afrimou, deixando um “convite para que possam vir ao território” para verem o que está a acontecer. “Não é porque parou a chuva que o perigo abrandou”, alertou.
Medeiros revelou ainda ter solicitou apoio ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) para reforçar a capacidade local. “Precisamos de apoio claro para acompanhar estas movimentações de terra e decidir o que se pode fazer”, afirmou a autarca, reforçando a necessidade de vigilância contínua sobre o território e lamentando que a resposta inicial do LNEC tenha referido a “natureza confidencial” das conclusões retiradas da primeira visita feita à Costa da Caparica.
Ainda assim, garantiu que o município continuará a insistir para que as equipas visitem Porto Brandão e Azinhaga dos Formozinhos, agradecendo ao departamento de infraestruturas do Exército que, no dia seguinte à visita que fez a São João da Caparica, disponibilizou um relatório sobre a situação, recomendando adiar a intervenção na estabilização da arriba até que as condições meteorológicas o permitam.
Destacando que “felizmente não tivemos nenhuma perda de vida humana” no concelho, a autarca lamentou apenas “a ocorrência de um cão desaparecido”, sublinhando que continuam os esforços para proteger os animais de companhia dos moradores e reforçando que a vigilância e a monitorização das zonas afetadas vão manter-se nos próximos dias.
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