Militares recomendam aguardar a melhoria das condições meteorológicas antes de avançar com intervenção na arriba.
O Exército entende que, de momento, não existem condições de segurança para intervir com equipamento pesado na arriba de São João da Caparica, onde no sábado um deslizamento de terras obrigou à retirada de 35 moradores de três edifícios junto à arriba fóssil.
Uma equipa da Direção de Infraestruturas esteve no local esta segunda‑feira, dia 9 de fevereiro, tendo concluído que o terreno se “encontra saturado e, sendo o mesmo argiloso, apresenta um risco elevado de atolamento e/ou deslizamento de máquinas”, pode ler-se num relatório citado pela agência Lusa.
Por isso, o relatório recomenda aguardar a melhoria das condições meteorológicas antes de se avançar com maquinaria pesada e proceder, entretanto, à remoção manual da lama que entrou em algumas habitações. O deslizamento arrastou terra e árvores, “que embateram em janelas e entraram em algumas habitações”, descreve o relatório.
No mesmo documento, o Exército refere que “por parte dos serviços da Proteção Civil, já foram implementadas medidas mitigadoras”, destacando “a abertura de uma vala para desvio das águas no topo da encosta”, medida considerada “adequada para o momento, impedindo que o fluxo de água continue a incidir sobre a zona de deslizamento”. Foi ainda aberta uma vala parcial de drenagem na base do talude, com o objetivo de facilitar o escoamento das águas pluviais.

O Exército sublinha ainda que o muro de suporte existente, “embora apresente deformação visível e tenha sido galgado pela lama, conteve o impacto principal, evitando danos estruturais diretos mais graves nas casas”. Mesmo no caso de cedência do muro, não se prevê a destruição dos edifícios. Desta forma, o afastamento entre a encosta e os edifícios, bem como a existência de um logradouro na parte traseira, “atuou como barreira de segurança”, acrescenta o relatório, a que a agência Lusa teve acesso.
Técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e elementos do Exército estiveram no terreno na segunda‑feira, numa visita que coincidiu com a deslocação à Costa da Caparica de deputados do PSD eleitos pelo círculo de Setúbal.
A presença no local do Exército e de elementos do LNEC motivou uma troca de acusações entre a Câmara de Almada, o Governo e o PSD local. Num ofício enviado ao Governo, Inês de Medeiros acusou o Executivo de atuar apenas na Costa da Caparica “por se tratar de uma junta PSD”, acrescentando que a atuação “ignorou as normas da Proteção Civil”.
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