Todos os dias, faça chuva ou sol, seja fim de semana, férias ou feriado, é possível encontrar Sónia Abraços e Ana Isabel Silva na zona da Romeira. São duas das mais de 400 voluntárias que cuidam de colónias de gatos no concelho de Almada.
O apego de Sónia Abraços pelos gatos começou por volta dos 14 anos. Certo dia, a gata que tinha apareceu morta, o que a fez prometer a si mesma que a partir dali cuidaria de todos os gatos que passassem pelo seu caminho. Começou logo a cuidar e a tratar de felinos, mas o afinco só veio quando conheceu os gatos da zona da Romeira, no concelho de Almada.
Funcionária pública, colaborou como voluntária num canil no concelho do Seixal antes de criar o “Corações Sem Dono”, um dos vários grupos de cuidadores que acompanham colónias de gatos em Almada. Com dez anos de atividade, sempre funcionou de forma independente. O abrigo foi construído num espaço cedido pela Câmara Municipal de Almada inteiramente com a ajuda de voluntários: desde o chão de paletes, à cerca, passando pelas instalações para os felinos, brinquedos e telhado.
Só no concelho de Almada há mais de 400 voluntários cadastrados que desenvolvem trabalho comunitário na defesa do bem-estar animal. O objetivo é contribuir para a contenção da população de gatos no concelho, fomentando a convivência saudável entre a comunidade e estes animais, importantes no controlo de pragas em zonas urbanas.
Também na Romeira trabalha Ana Isabel Silva, responsável pelo acompanhamento de outras colónias de gatos da zona. Influenciada pela mãe, sempre cuidou e alimentou gatos. Antes de se dedicar aos felinos da Romeira e oficializar a “Tribo dos Patudos”, Ana Isabel já esterilizava os gatos da região onde mora, por influência de Lurdes Soares, da associação “Onde Há Gato Não Há Rato”. A cuidadora conta ainda com o apoio da Provedoria dos Animais do Município de Almada, que doa ração aos gatos, e de outras doações de particulares, que por vezes deixam alimentos à porta do abrigo.

O trabalho dos voluntários não se esgota na alimentação: inclui todo um cuidado integrado, que contribui para diminuir o número de gatos errantes que existe no concelho. “Infelizmente alimentar não basta”, conta Ana Isabel ao ALMADENSE. “Também é preciso cuidar de doenças, fazer esterilizações e prover abrigo a tantos animais desamparados”. Para Sónia Abraços, o mais crítico continua a ser o abandono de animais, sejam os idosos ou as ninhadas, que as voluntárias procuram combater. “Ainda falta alguma sensibilidade”, lamenta.
Com uma equipa de quatro a cinco voluntários, o “Corações Sem Dono” recorre frequentemente a doações para assegurar o cuidado dos gatos. Através da sua página do Facebook, que conta com mais de 8 mil seguidores, Sónia faz apelos, pedidos de doação e procura pessoas para a adoção responsável. Também assinou uma parceria com um veterinário que garante desconto nas esterilizações, além de abrigo e alimentos enquanto os gatos estão em recuperação.
Perigo de atropelamento

Recentemente, os felinos da Romeira deram que falar em Almada devido aos sinais de trânsito alertando os condutores para “travessia de gatos”, colocados após a conclusão das obras de pavimentação da estrada. Um dos sinais encontra-se justamente em frente ao abrigo “Tribo dos Patudos”, de Ana Isabel, que sempre testemunhou os problemas relacionados com a velocidade: “muitos gatos foram atropelados”, lamenta.
As cuidadoras consideram, por isso, positivo o gesto dos vereadores do PSD na Câmara de Almada, Nuno Matias e Miguel Salvado (responsáveis pela mobilidade e trânsito) ao colocarem os sinais, mas receiam que seja insuficiente para evitar atropelamentos. “Quem respeita os animais sempre respeitou – e não precisa de placas para tal. E os que aceleram com o carro hão de sempre acelerar – com ou sem placa”, indica Sónia Abraços.
Nota: Se quiser juntar-se às centenas de voluntários pela causa animal no concelho de Almada, entre em contacto através da associação Onde Há Gato Não Há Rato.
https://almadense.sapo.pt/cidade/almada-arrancam-obras-para-abrir-rotunda-na-praca-mfa/




