A Assembleia Municipal de Almada chumbou a moção de censura apresentada pelo PSD contra o Executivo PS-CDU, na sequência da crise no abastecimento de água no concelho. Realizada esta terça-feira, dia 21 de julho, a sessão extraordinária prolongou-se pela madrugada, tendo ficado marcada por momentos de tensão.
Após uma longa discussão, a moção foi rejeitada com os votos contra do PS, da CDU e do Livre. Por sua vez, PSD, Chega e Iniciativa Liberal votaram a favor, enquanto o Bloco de Esquerda optou pela abstenção.
A moção foi apresentada pelo deputado municipal do PSD, Luís Durão, que justificou a censura ao Executivo afirmando que a iniciativa “nasce da acumulação de falhas em nove áreas essenciais para a cidade: água, proteção civil, habitação, higiene urbana, energia, fiscalidade, escolas, centros de saúde e o crescimento descontrolado de bairros de barracas”. Na mesma intervenção, o dirigente social-democrata afirmou ainda que “Almada tem falta de água, mas não de problemas”.
“Começamos pelo capítulo mais recente, a crise do abastecimento de água. Faltou, novamente, água em Almada e vamos recuar a maio: os níveis dos reservatórios, que deveriam rondar os 60%, começam a cair, semana após semana, chegam a cerca de 10% antes da Câmara reagir. No final de junho, a água já começa a faltar aos almadenses, na Costa da Caparica, na Charneca e em todo o concelho. E só a 6 de julho é ativado o Plano de Contingência. E só a 8 de julho é declarada a situação de alerta”, afirmou Luís Durão.
Medeiros atribui crise hídrica à fragilidade das captações de Almada
Em resposta às críticas, Inês de Medeiros defendeu a sua atuação afirmando que “as medidas anunciadas no dia 8 de julho permitiram recuperar as reservas de água, que atingiram mínimos históricos e que hoje já se encontram nos 55%”.
Reiterando que não pretende demitir-se da presidência do município, a presidente da Câmara admitiu que a atual crise “não tem paralelo com nenhuma outra”, distinguindo-a da registada em agosto de 2025, uma vez que não resultou de uma sucessão de roturas.
A responsável explicou que o problema atual está relacionado com “a falta de água para captar no nosso território em quantidade suficiente para o nosso consumo”, admitindo que “a grande maioria das nossas captações são no município vizinho” do Seixal. “Não é novidade que Almada não tem água suficiente para si própria”, afirmou a autarca, indicando que “a recusa do município do Seixal para que Almada possa substituir o seu maior furo que colapso em fevereiro passado, veio agravar ainda mais a nossa fragilidade geográfica”. Ainda assim, manifestou a esperança de que, em conjunto com o município vizinho e com as entidades competentes, seja encontrada “uma solução de emergência para que este bem não falte aos almadenses”.
Durante a sua intervenção, Inês de Medeiros adiantou também que está em curso a identificação dos consumidores abrangidos pelas medidas compensatórias, para que os munícipes afetados pelos cortes possam ser indemnizados.
Ao mesmo tempo, a autarca informou que o município reforçou as ações de fiscalização, garantindo que as “perdas reais na rede de abastecimento são de 26%”, contrariando os valores de 33% ou 35% apontados pela ministra do Ambiente.
A autarca manifestou ainda estranheza perante a apresentação da moção de censura, lembrando que o PSD “assumiu responsabilidades máximas nos SMAS de Almada durante os últimos dois mandatos”. Sublinhou, nesse contexto, que, entre 2018 e 2025, os SMAS realizaram investimentos superiores a 32 milhões de euros, dos quais cerca de 19 milhões foram aplicados diretamente no sistema de abastecimento.
Momentos de tensão
Realizada na sala Pablo Neruda do Fórum Romeu Correia, a reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Almada ficou também marcada por momentos de tensão e pela presença da PSP.
Com a sala lotada, dezenas de munícipes continuaram a acompanhar a sessão no exterior. Quando a presidente da Câmara Municipal, Inês de Medeiros, iniciou a resposta às intervenções dos munícipes, ouviram-se vários protestos com pedidos de “demissão”. Perante a situação, a autarca afirmou que não estavam reunidas as condições necessárias para dar continuidade aos trabalhos, reafirmando, que não pretende demitir-se. O incidente levou à suspensão temporária da sessão, tendo os trabalhos sido posteriormente retomados.
Reservas de água em Almada recuperam para 55%, segundo atualização dos SMAS





