O Piaget, que conta com um campus em Almada, alertou para a necessidade urgente de formar, valorizar e fixar enfermeiros obstetras em Portugal, numa altura em que as maternidades continuam a enfrentar constrangimentos e falta de profissionais. A instituição de ensino defende um maior aproveitamento das competências destes especialistas para reforçar a resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
De acordo com comunicado divulgado pelo Piaget, no final de 2025 estavam registados em Portugal 3483 Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia (EE-ESMO). A mesma nota refere que estes profissionais asseguram cerca de 70% dos partos normais realizados no país.
Segundo o comunicado, a área de saúde materna e obstétrica enfrenta ainda a necessidade de renovar as suas equipas, devido ao envelhecimento de parte dos profissionais atualmente em exercício e à aproximação da idade da reforma. Perante este cenário, o Piaget defende que a resposta à atual situação das maternidades deve passar por um planeamento a médio e longo prazo.
“Precisamos mesmo de enfermeiros obstetras. Houve períodos em que se formaram muito profissionais, mas isso não significa que tenha existido uma estratégia adequada para os distribuir, especializar e fixar nas áreas onde eram necessários”, afirma Catarina Amaral, professora do Mestrado em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica do Piaget.
Na mesma nota, a instituição considera que a formação de novos profissionais é apenas uma parte da solução. O Piaget defende também melhores condições de trabalho, valorização profissional e remuneratória e reconhecimento das qualificações, de forma a criar condições para que os enfermeiros permaneçam no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
De acordo com Catarina Amaral, um enfermeiro especialista em saúde materna e obstétrica pode receber uma remuneração semelhante à de especialistas de outras áreas, pesar da elevada responsabilidade clínica e profissional associada à função.
Aproveitar competências dos enfermeiros obstetras
Segundo o comunicado, os enfermeiros obstetras têm competências para acompanhar gravidezes e partos de baixo risco, em articulação com as equipas médicas. Para o Piaget, o aproveitamento destas competências poderá contribuir para avaliar a pressão sobre os médicos obstetras e melhorar a resposta dos serviços.
“Não se trata de substituir médicos por enfermeiros. Trata-se de utilizar corretamente as competências de cada profissão”, explica Catarina Amaral.
O Piaget considera ainda que uma utilização mais ampla das competências dos EE-ESMO poderá ajudar a reduzir desigualdades territoriais no acesso aos cuidados de saúde, numa altura em que, segundo o comunicado, algumas grávidas são obrigadas a percorrer longas distâncias para encontrar resposta devido aos constrangimentos existentes nas urgências de Ginecologia e Obstetrícia.
Piaget aposta em formação especializada
É neste contexto, que segundo o comunicado, o Piaget aposta na formação especializada através do Mestrado em Enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica. O curso prepara enfermeiros para áreas como o acompanhamento da gravidez, trabalho de parto, pós parto, saúde reprodutiva e situações de emergência obstétrica.
De acordo com a instituição, a formação especializada deve ser encarada como um investimento na capacidade futura do sistema de saúde, mas acompanhada por políticas que permitam valorizar e fixar os profissionais formados.
“É necessário olhar para o salário de entrada, para a progressão ao longo da carreira e para o reconhecimento de quem investiu numa especialidade, num mestrado ou noutras qualificações”, defende Catarina Amaral.
Na mesma nota, o Piaget identifica quatro prioridades para responder aos atuais desafios: reforçar a formação especializada em Saúde Materna e Obstétrica; valorizar profissional e financeiramente os especialistas; criar condições para fixar profissionais no SNS; e aproveitar plenamente as competências dos enfermeiros obstetras, nomeadamente no acompanhamento de gravidezes e partos de baixo risco.
O Piaget, que conta com um campus em Almada, defende assim uma estratégia de longo prazo para responder às necessidades de profissionais na área da saúde materna e obstétrica.
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