Almada investe um milhão de euros na criação da Polícia Municipal

Corpo de segurança municipal vai arrancar com 40 operacionais, número que será posteriormente reforçado. 

 

A Câmara de Almada aprovou esta segunda-feira, dia 6 de março, a proposta de regulamento que define a estrutura, quadro de pessoal, funções e competências da futura Polícia Municipal que vai atuar no concelho. O documento, que segue agora para consulta pública, contou com os votos favoráveis da maioria PS/PSD e com os votos contra da CDU e do Bloco de Esquerda.

Desta forma, a autarquia dá mais um passo na criação da Polícia Municipal, que irá desempenhar sobretudo “funções administrativas de âmbito municipal”, explicou Francisca Parreira, vereadora com o pelouro da Proteção Civil e Segurança.

“Não são forças de segurança nem órgãos de polícia criminal”, adiantou a autarca. “Compete-lhes a fiscalização do cumprimento das leis e regulamentos em matérias relativas a atribuições da autarquia”, afirmou, destacando que o novo corpo municipal irá cooperar “com as forças de segurança na manutenção da tranquilidade pública e proteção das comunidades locais”.

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No que diz respeito ao investimento, Francisca Parreira esclareceu que no primeiro ano se prevê um encargo anual próximo de um milhão de euros. Numa fase incial, o novo corpo municipal será constituído por um chefe de divisão, 40 operacionais de polícia municipal, dois técnicos superiores e quatro assistentes técnicos, avançou ainda a responsável.

Para além dos votos favoráveis dos cinco vereadores eleitos pelo PS, a proposta contou ainda com o apoio do vereador do PSD, Nuno Matias, para quem a criação da Polícia Municipal é um “projeto estratégico” para o município. “Almada é neste momento dos municípios desta dimensão provavelmente o único que não tem uma força de polícia municipal”, argumentou o autarca, para quem o novo corpo de segurança será “um complemento fundamental para uma fiscalização e monitorização de tudo o que se passa no município e do cumprimento dos regulamentos”.

 

Oposição critica proposta

A proposta do Executivo almadense não contou, contudo, com o apoio dos vereadores da oposição, que votaram contra o regulamento. Manifestando a “discordância política da CDU relativamente à criação e funcionamento de polícias municipais”, a vereadora Helena Azinheira afirmou que a “primeira função e razão de ser das polícias municipais é serem um serviço de polícia administrativa do município, dedicados à fiscalização dos regulamentos municipais”. Contudo, para a formação, a atual lei prevê “condições para a atividade de intervenção que vão muito para além daquela que foi a razão de ser das polícias municipais”.

Os comunistas discordam, por isso, do “regime de uso e porte de arma, o recurso a meios coercivos que incluem o direito à detenção, o uso e porte de arma fora de serviço ou previsão de que as viaturas utilizadas possam ser descaracterizadas, sem que se encontre justificação para tal”. Para a CDU, a intenção do regulamento é “criar, não uma polícia administrativa, mas um corpo de polícia muito distinto, prevendo funções que extravasam largamente as funções meramente administrativas e que se confundem com as funções próprias de uma polícia criminal cuja competência é exclusiva do Estado Central”.

Na mesma linha, a vereadora do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua, afirmou que a formação não entende “o que justifica a criação de uma policia municipal”. Para a autarca, “não cabe a um corpo municipal nem andar armado nem fazer as vezes de força de autoridade”, afirmou.

 

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