Associação criada em Almada homenageia jovem de 15 anos e luta por novos tratamentos para o cancro pediátrico

Associação foi criada em 2026 em memória de Catarina Dimakopoulos, que faleceu aos 15 anos, depois de 11 anos a lutar contra um cancro raro.

Acaba de nascer, em Almada, uma nova associação que pretende dar visibilidade ao ARMS, um dos tipos de cancro pediátrico mais raros, prestando simultaneamente homenagem à jovem Catarina Dimakopoulos, que lutou contra esta doença durante mais de 11 anos.

Fundada oficialmente a 7 de abril de 2026, a Associação Catarina Dimakopoulos – Uma Estrela Contra o ARMS nasceu da vontade dos pais e das amigas de preservar o legado de Catarina, que faleceu há dois anos, com apenas 15 anos de idade, após enfrentar o ARMS (Sarcoma Alveolar de Partes Moles). Agora, a associação tem como missão sensibilizar a sociedade para a doença e apoiar o financiamento da investigação científica, alimentando a esperança de que, no futuro, outras crianças e jovens possam ter acesso a tratamentos e oportunidades que Catarina não teve.

Através da realização de vários projetos, de doações e da venda de merchandising solidário, a associação, sediada em Vale Figueira, na Sobreda, procura alertar para o diagnóstico precoce e financiar a investigação científica pediátrica de ponta, descobrindo novos tratamentos para este tipo de sarcoma.

Este tipo de cancro surge a partir de células musculares que, devido a uma falha genética, não se desenvolvem corretamente e passam a multiplicar-se de forma descontrolada. O ARMS afeta apenas entre três e quatro crianças e jovens por ano em Portugal, apresentando, por isso, como um dos tumores em idade pediátrica mais raros. Para além disso, este tipo de cancro regista uma elevada taxa de agressividade biológica, já que uma a três destas crianças acabam por falecer.

Cláudia Guerreiro, diretora da Associação e mãe de Catarina, assume que pretende que “as pessoas entendam o quão raro e silencioso é este tumor”, explicou ao ALMADENSE. “O desfecho clínico destas crianças não depende de uma roleta estatística fixa, mas sim do diagnóstico precoce e da identificação de alterações genéticas específicas”, explica.

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Cláudia lamenta, igualmente, a ausência de investimento por parte da indústria farmacêutica na descoberta de novos tratamentos. “Por ser uma doença micro, a indústria farmacêutica não investe nela. Cabe-nos a nós, sociedade civil, financiar os laboratórios nacionais para que os nossos cientistas encontrem a cura através da medicina de precisão molecular”, acrescenta.

“Não queremos que o futuro destas crianças e adolescentes com ARMS dependa de tratamentos gerais, “emprestados” de outras patologias. E queremos que todos os jovens de 15 anos tenham direito a viver todos os seus sonhos”, sublinha a diretora da associação.

 

“Falar da Catarina é falar de muita luta, mas também de muita alegria”

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Além da paixão pela dança, Catarina Dimakopoulos desenvolveu o gosto pela ilustração mangá. Foto: Cláudia Guerreiro / DR

“Uma pessoa com muita alegria e uma verdadeira amiga, o verdadeiro significado da palavra amizade”. É assim que as amigas de Catarina a descrevem ao ALMADENSE. Inês Gaspar conheceu Catarina quando ainda eram muito pequenas. “Os nossos pais já eram amigos na adolescência, por isso, nós conhecemos-nos desde que nascemos”, revela. Apesar de morar no Seixal, Inês cresceu com Catarina na zona da Sobreda, tornando-se uma das suas melhores amigas. Já Íris Pereira, vive na Charneca e conheceu Catarina no primeiro ano de escolaridade, na Escola Básica Vale Fetal. Ambas estiveram ao seu lado durante a sua luta longa contra o Rabdomiossarcoma Alveolar – ARMS.

Para Íris Pereira, recordar a Catarina “é um misto de emoções”. “É falar de muita luta, de muita esperança, mas ao mesmo tempo é falar de muita alegria e e de muitos momentos em que sabes que vai estar lá alguém para nós”, diz ao ALMADENSE. Emociada, Íris confessa que falar da amiga “é falar de uma pessoa que esteve sempre lá quando era preciso, mas também falar de certos momentos em que a vida consegue ser mais complicada”.

Procurando manter viva a memória da amiga, Íris e Inês foram uma peça importante na criação da Associação Catarina Dimakopoulos – Uma Estrela Contra o ARMS. “Quando a Catarina morreu, a mãe dela quis encontrar uma forma para que outras pessoas que tivessem a mesma doença não sofressem tanto ou que tivessem outros tratamentos. Então, nós fomos tentando influenciar e motivar para que a associação fosse mesmo para a frente”, diz Íris Pereira.

Para além de amigas, Inês e Íris são, desta forma, “Guardiãs do Sorriso de Catarina”. “Ser Guardiã do Sorriso significa continuar a história dela [Catarina], significa continuar a sorrir, a ajudar. É continuar o legado e a história que ela não pôde”, conta Inês Gaspar ao ALMADENSE.

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Também Íris Pereira recorda os sorrisos de Catarina e a forma como “conseguiam contagiar qualquer pessoa que a rodeasse”. Para a jovem, ser “Guardiã do Sorriso da Catarina” é, por isso, “conseguir passar a alegria que ela sentia a outras pessoas”, principalmente a outras crianças que têm a mesma doença.

 

“Ela passava mesmo muito tempo a desenhar”

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As amigas Íris Pereira, Catarina Dimakopoulos e Inês Gaspar. Foto: Cláudia Guerreiro / DR

Desde pequena que Catarina praticava dança contemporânea e hip hop, uma das formas que encontrou para “se conseguir sentir livre no meio daquilo tudo que vivia“, conta Íris Pereira. “Apesar de estar doente, a Catarina tirava momentos do dia dela para dançar. Ela punha os fones e ficava a dançar”, recorda, igualmente, Inês Gaspar com um sorriso no rosto. Catarina frequentava, igualmente, a Showit Dance Academy, na Sobreda.

Para além da paixão pela dança, Catarina desenvolveu o gosto pela ilustração mangá. Inês conta que o interesse por este tipo de ilustração japonesa surgiu “quando começou a passar mais tempo sozinha no hospital”. Seja em casa ou no IPO de Lisboa, lugar onde passou grande parte da vida, a Catarina “passava mesmo muito tempo a desenhar”, diz Inês.

Conhecida no mundo da arte digital sob a marca Shine Bright, a arte de Catarina caracterizava-se, essencialmente, por uma expressividade profunda, com inspiração nos géneros Seinen e Shoujo, com as personagens a refletirem frequentemente uma dualidade entre a vulnerabilidade e uma determinação inabalável. Não desenhando apenas personagens, Catarina criava, muitas vezes, mundos onde a força, a emoção e a estética dark-alternative se cruzavam.

Mais do que um hobby, o desenho era para a jovem um meio que utilizava para se expressar. “Quando a Catarina não conseguia dizer aquilo que sentia, ela passava o seu sentimento para o papel”, acrescenta Íris. Por isso, Inês e Íris explicam que decidiram utilizar o portfólio de Catarina, composto por centenas de esboços e desenhos finalizados, e transformá-los em algo para a associação, acreditando que não havia melhor forma de honrar a sua memória e os seus sentimentos.

Recentemente, no dia 13 de julho, a Associação Catarina Dimakopoulos – Uma Estrela Contra o ARMS lançou a coleção “Liberty”, com 150 artigos exclusivos, como t-shirts e totebags, que juntam o traço original de estilo Mangá, da autoria da Catarina Dimakopoulos, e as letras do projeto musical internacional IAMX, que era a sua discografia preferida e a sua grande inspiração no processo criativo.

Íris Pereira acredita que a associação pode “dar a outras crianças que sofrem com esta doença uma nova esperança de que é possível existir um tratamento, que é possível alguma coisa mudar”. “Este tipo de associações pode ajudar todas estas pessoas a acreditar que vai ficar tudo bem”, diz.

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Segundo Inês, para além de “dar a conhecer a história da Catarina, o que ela foi e o que ela fez”, a associação é importante para que outras crianças “não tenham o mesmo desfecho que a Catarina acabou por ter”. Financiando a investigação para novos tratamentos mais eficazes, a associação pode servir para que outras crianças “tenham uma esperança que a Catarina não teve“, conclui Inês Gaspar.

 

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