Cortes de água afetam moradores de várias freguesias de Almada em dias de calor intenso

SMAS de Almada atribuem as falhas no abastecimento ao aumento do consumo provocado pelas temperaturas elevadas e pela população sazonal, garantindo estar a reforçar a capacidade da rede.

Nas pastelarias da Charneca de Caparica, esta sexta-feira, não era possível tomar café depois de almoço. “Não temos água”, diz uma funcionária aos clientes. “Tem sido assim nos últimos dias. Não sei como vamos lavar a loiça”, desabafa.

Além dos cafés e restaurantes, também milhares de moradores da Costa da Caparica, Charneca e Feijó, no concelho de Almada, têm visto a rotina diária interrompida pelos cortes no abastecimento de água.

Num dos dias mais quentes do ano, Gonçalo Bouças regressou do trabalho ao final da tarde e voltou a deparar-se com o mesmo problema em casa, na Charneca de Caparica. “Nos últimos três dias, sempre que chego a casa por volta das 20h, já não há água e depois só volta pelas 23h”, relata ao ALMADENSE. “Portanto, uma pessoa vem do trabalho e não pode tomar banho. E aquele período todo do jantar, é para esquecer”, acrescenta.

Segundo o morador, a situação tem-se repetido quase diariamente ao longo da última semana. Recorda-se de episódios semelhantes noutros anos, mas considera que este verão o problema é mais frequente, afetando uma área muito mais vasta. “Não é uma coisa pontual de uma rua, é praticamente em toda a Charneca”, afirma.

No Feijó, a situação tem sido semelhante. “É complicado para uma pessoa organizar-se porque nunca sabemos a que horas vai faltar a água”, diz ao ALMADENSE João Vieira, morador na freguesia. “Esta manhã já tinha pouca pressão, por vezes começamos a tomar banho e não conseguimos terminar”, lamenta. Quando o abastecimento não é interrompido por completo, a pressão da água é frequentemente insuficiente para o funcionamento de eletrodomésticos, dificultando tarefas básicas do dia a dia, relata.

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Embora o problema já se tenha registado em anos anteriores, os relatos recolhidos pelo ALMADENSE apontam para uma situação mais generalizada neste verão, com impactos no bem-estar, na saúde pública e na qualidade de vida de moradores e visitantes.

 

SMAS justificam situação com “aumento da população sazonal”

Perante as numerosas queixas dos moradores, os Serviços Municipais de Água e Saneamento (SMAS) de Almada reconhecem, em comunicado, que o concelho atravessa um “período de grande exigência no abastecimento de água”. Segundo a entidade, a conjugação das “temperaturas elevadas” com o “aumento significativo da população sazonal” fez disparar o consumo de água. Nestes dias de calor intenso, explicam, “a procura global tem sido superior à água que conseguimos captar diariamente nos nossos furos”.

Para responder à pressão sobre o sistema, os SMAS dizem estar a implementar uma gestão solidária e rotativa da rede, de forma a garantir o “equilíbrio do sistema e evitar que as mesmas zonas fiquem desabastecidas de forma contínua”. Segundo a entidade, esta medida “permite equilibrar as pressões por todo o concelho, assegurando que o recurso disponível é partilhado de forma justa e equitativa por todas as localidades”.

A empresa municipal garante ainda estar a avançar com medidas para reforçar a capacidade de abastecimento a curto e médio prazo. Entre elas está a entrada em funcionamento de um novo furo de captação, estando prevista a entrada ao serviço de um segundo até ao final de julho. O objetivo, sublinham, é “aumentar a resiliência do sistema”.

Quanto às intervenções previstas para os próximos anos, os SMAS revelam que existem mais três furos em fase de licenciamento e outros três em fase de projeto. A entidade pretende ainda aumentar a capacidade de reserva de água e dar continuidade à reabilitação da rede de abastecimento.

Entretanto, enquanto decorrem estas intervenções, as equipas técnicas dos SMAS asseguram estar a acompanhar o sistema “24 horas por dia para minimizar impactos”.

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4 Comentários

  1. Boa noite.
    Os serviços SMAS de Almada já foram alertados quase todos os dias desde 26 Junho para uma rutura visivel na estrada N377 Na Charneca Caparica depois do Pingo Doce e antes do cruzamento Mário Casimiro. Resposta? Já temos conhecimento, é numa boca de incêndio……bla,bla,bla e piquete?

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