A urgência regional de ginecologia e obstetrícia da Península de Setúbal entrou em funcionamento no Hospital Garcia de Orta, em Almada, esta quarta-feira, 15 de abril, tornando-se a segunda estrutura do país a operar segundo o novo modelo definido pelo Ministério da Saúde, criado para mitigar a falta de especialistas nesta área.
O serviço passa a funcionar em dois polos: no Hospital Garcia de Orta, que assume o papel de unidade de referência, com apoio perinatal diferenciado, e no Hospital de São Bernardo, em Setúbal, que assegura o atendimento de urgência à respetiva área de influência.
Com este novo modelo, a urgência de obstetrícia do Hospital do Barreiro é encerrada, mantendo-se, no entanto, a maternidade em funcionamento, garantiu a direção executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Esta é a segunda experiência deste tipo no país, depois da implementação de um modelo semelhante no Hospital de Loures, no mês de março.
Numa fase inicial, a equipa será composta em 80% por profissionais da ULS Almada-Seixal e 20% da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (Barreiro). Neste momento, as equipas estão “a adaptar-se de forma a colaborar entre si para que funcione de forma muito organizada no futuro”, afirmou Ana Luísa Broa, diretora clínica para a área dos cuidados de saúde da ULS Almada-Seixal, durante a conferência de imprensa que assinalou a abertura do serviço no Hospital Garcia de Orta. Na mesma sessão, estiveram presentes os diretores clínicos para a área hospitalar da Península: Elisabete Gonçalves (ULS Arco Ribeirinho) e Nuno Marques (ULS Arrábida).
De acordo com a profissional, o arranque da urgência concentrada decorreu sem incidentes. Até às 10h30, tinham sido atendidas sete utentes. “Ainda não tivemos nenhum parto. Está a ser um dia bastante tranquilo, tivemos apenas duas admissões de mulheres que não eram da nossa área de influência”, referiu Ana Luísa Broa, em declarações à RTP.
Utentes contestam concentração de serviços
Paralelamente, doze organizações de utentes dos serviços públicos anunciaram um manifesto onde alertam para a “falta de resposta adequada” nos cuidados de saúde na Península de Setúbal, mostrando preocupação com a concentração das urgências.
Os subscritores consideram o encerramento da urgência do Barreiro “incompreensível e injustificável”, defendendo que esta decisão poderá “agravar os atuais constrangimentos existentes e sobrecarregar desmesuradamente a urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital Garcia de Orta, onde serão concentradas, e potenciar as condições para que os partos possam ocorrer, ainda com mais frequência, fora de um ambiente hospitalar seguro e necessário”.




