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Carlos Magno, candidato do Chega a Almada: “Se não ganharmos a Câmara, não vamos ser obstáculo”

AUTÁRQUICAS 2025

Candidato à Câmara de Almada pelo Chega, o coordenador autárquico nacional do partido assume como prioridades a higiene urbana e a habitação, prometendo que, se for eleito, constrói 10 mil casas num ano. Em entrevista ao ALMADENSE, Carlos Magno defende que não deve haver demolições no bairro de Penajóia se não houver alternativa habitacional e afirma que é necessária coragem política para resolver problemas como os parques de campismo da Costa da Caparica. Rejeita coligações pós-eleitorais, mas admite entendimentos pontuais com outras forças políticas.

 

Tendo vivido um ano e meio em Almada e atualmente residindo em Évora, o que o motivou a aceitar o desafio de se candidatar à presidência da Câmara?

Como sabe, sou o coordenador autárquico nacional do partido. Sou o responsável pelas 308 candidaturas e, na escolha dos candidatos, entendi que Almada precisaria de alguém que não fosse de cá, mas que queira recuperar Almada, porque fico muito triste quando vejo Almada assim.

Considera então que o facto de não ser de Almada não é uma desvantagem para a sua candidatura?

Na escolha dos candidatos, a nível nacional, fui apologista de que em muitas câmaras, deveríamos colocar alguém que não fosse do local, de forma a combater a corrupção, o “amiguismo”. Muitas vezes, um candidato local tem amigos, tem família, tem primos, e aí começa o compadrio. Porque a grande corrupção existe no poder local. Eu sou um homem de trabalho. Venho para trabalhar, não venho para fazer amigos. Não faço amigos na política. Vim numa missão e estou a cumpri-la. Eu sou um dos fundadores do partido. Agora quero pegar na Câmara e gerir o concelho de Almada como se estivesse a gerir a minha casa.

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Mas não é importante ter um conhecimento aprofundado da cidade e das suas especificidades para assumir a presidência de um concelho tão vasto e diversificado?

Há pessoas que vivem em Almada que se calhar conhecem Almada menos do que eu. Porque o conhecimento ganha-se no dia a dia. A falar com as pessoas. E o que é que um político do poder local tem que fazer? Resolver os problemas das pessoas que ali habitam. E para isso não é necessário uma pessoa ser do concelho ou da terra. Precisamos é de bons gestores, bons técnicos e preparar o município para o futuro. Basta olhar para Almada e ver que o que precisam aqui uma pessoa que, acima de tudo, cumpra a lei. Porque ninguém cumpre a lei em Almada.

Quais seriam as suas prioridades se fosse eleito presidente? 

Em primeiro lugar, a higiene. Sou apologista que uma cidade limpa se torna uma cidade sem crime. Porque as pessoas quando veem tudo vandalizado, sujo, dá tendência ao crime. E o crime e a imundice em Almada têm estado a crescer juntas. Se mantivermos Almada limpa, creio que o crime também irá descer.

Se eu for eleito presidente de Câmara, faço 10 mil casas num ano.

Entrando na questão da habitação, vivemos atualmente um grande desfasamento entre os preços da habitação e os rendimentos das pessoas. O que é que o Chega propõe para combater esta realidade em Almada?

Nós temos várias propostas na habitação para resolver o problema de muitas pessoas que vivem no limiar da pobreza e que residem em situações em que nenhum ser humano deve viver. Para isso, temos uma solução imediata, que é a construção modular. Houve um debate em que a Inês [de Medeiros] disse que já tinha falado com não sei quantas empresas em Portugal e que ninguém tinha condições para fazer. Mas se eu for presidente de Câmara, faço 10 mil casas num ano.

Com financiamento da autarquia? Seria um investimento muito elevado…

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Com dinheiro nosso, claro. E isso vai para rendas acessíveis. Há muitas famílias produtivas que podem pagar, que recebem 2.000 euros de ordenado entre o marido e a mulher, com dois filhos, mas não conseguem pagar 1.200 euros por uma casa. Portanto, a nossa prioridade seriam as famílias produtivas. Quem produz, tem filhos, mas não consegue pagar uma renda. Seria feita uma taxa de esforço, tal como nos empréstimos do banco. Se recebem 2.000 euros, podem pagar 400 euros, por exemplo, e assim será. Além disso, se aumentarmos a oferta, outras casas em Almada terão que baixar os valores porque depois não terão quem queira ir para lá. Se nós fizermos construção de renda acessível, a nossa prioridade serão sempre os jovens.

De acordo com o último Censos [2021], em Almada há cerca 9 mil casas devolutas. Essas casas poderiam ser mobilizadas para servirem de habitação para quem precisa?

Isso é mais complexo por uma razão. Dessas 9 mil casas, se calhar uma grande percentagem pertence a privados. Temos que respeitar o que é privado. Isto aqui não é Venezuela, não é Cuba, nós defendemos o direito à propriedade privada. Sou muito apologista que o Estado não deve ter nada. O Estado tem que ser um Estado social. Não tem que ter empresas, não tem que ser dono das coisas.

Os parques de campismo da Costa da Caparica são uma aberração.

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O candidato do Chega à Câmara de Almada tem como prioridades a higiene e a habitação. Foto: Bruno Marreiros / Almadense

Ainda no contexto da habitação, sabemos que o Alojamento Local tem registado um crescimento significativo, especialmente na Costa da Caparica. O Chega defende a imposição de limites a esse crescimento?

Nós entendemos que não devemos interferir no que é privado. Pode haver os regulamentos. A questão é por que é que há tanto Alojamento Local na Costa. Porque a Costa não tem hotéis. E depois tem aqueles parques de campismo que são uma aberração. Temos que dizer a verdade. Não podemos iludir as pessoas. Aqueles parques não cumprem a lei. Estão todos fora da lei. O que a Costa precisa é de uma revitalização grande. Precisa de mais hotéis, bons hotéis e trazer bom turismo para a Costa.

Sobre os parques de campismo da Costa da Caparica, o que é que o Chega propõe para resolver a situação? Deveriam ser relocalizados, retirados dali?

Eu não posso dar uma opinião concreta do que é que tem que ser feito porque não tenho os processos daqueles parques. Mas basta olhar por via satélite e um dos inícios é que um parque de campismo deve ter árvores. E não são poucas, é uma percentagem grande. Só aí já não cumprem a lei. Em segundo lugar, acho que qualquer português, um miúdo de Braga, um miúdo de Évora, um de Beja… Um grupo de miúdos que queira vir para a Costa fazer surf… não tem alojamento. Não tem um parque onde possa acampar.

Porque aqueles parques estão cheios praticamente todo o ano e cada vez mais pessoas têm ali habitação permanente…

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Não há espaço para tendas. Para quem quer vir para a Costa, ficar temporariamente numa tenda, eles não têm isso. Portanto, aquilo não pode ser considerado um parque de campismo. Digam que é um parque de caravanismo ou que é um parque de casas modulares. Porque aquilo de campismo não tem nada.

Então, o que fazer?

A questão é essa porque, apesar de tudo, há muita gente que vive lá. Tem de se saber porquê lá vivem, se é uma segunda casa, se é casa principal, se estão a pagar renda… Tudo isto tem de ser visto ao pormenor. E não é mandar para o lado porque estão ali muitos votos. É resolver aquele assunto. Sem medo, com coragem. Se estiverem a cumprir, mantém-se. Se não estiverem a cumprir, tem que se resolver o problema. Se for uma primeira casa, tem que se realojar quem lá está. Porque aquilo também não são condições de vida para ninguém.

Eventualmente retirando os parques daquele local?

É como eu vos digo: teria que estudar bem, tinha que saber quem vive lá, que tipo de pessoas lá estão e quais os contratos. Tem que se fazer esse levantamento, mas com coragem e honestidade. Não ser um ditador, não é chegar ali, ‘quero, posso e mando’, não. Tem que se ouvir as pessoas para se chegar a uma solução. Não deixar ninguém mal, não é chegar ali e deitar abaixo. Mas uma coisa é certa: aquilo ali não pode ficar.

Penajóia é um problema humanitário. está ali uma catástrofe humana. a gente não pode chegar lá e deitar tudo para o chão. Não é assim que se trabalha.

O bairro da Penajóia tem registado um crescimento exponencial. Que medidas propõe o Chega para lidar com este crescimento? E que ações poderia a autarquia tomar, considerando que esta alega que os terrenos pertencem ao IHRU e que, por isso, não pode intervir?

Em primeiro lugar, nem mais uma barraca. Aliás, eu não lhes chamo barracas. Chamo-lhes habitações provisórias. Porque as pessoas fazem as barracas porque não têm onde viver. Portanto, se eu ganhar estas eleições, no dia em que tomar posse, nem mais uma habitação provisória é construída em Penajóia. Nem mais uma. Dizerem que o terreno é do IHRU, que é do Estado, e que a Câmara não pode atuar, é uma aberração. Existe a lei, e a lei é explícita: a Câmara é obrigada a fiscalizar e o que estiver mal construído, no plano urbanístico, é notificar, embargar, demolir. É o que diz a lei. Seja do Estado, seja seu, seja meu, seja de quem for. O Estado não está acima da lei. E mais, aquele problema que ali está não é do Estado, é da Câmara. A Câmara é que autorizou a construção.

Já visitou o bairro?

Já almocei em casa de vários residentes nos bairros. Seja no Cor de Rosa, no Branco, no Amarelo. Já almocei dentro das casas.

No bairro de Penajóia também?

Em Penajóia estive à porta, mas faço questão de ir lá dentro. Como dizia, são habitações provisórias. Aquilo é um problema humanitário. O próprio executivo há uns dias disse que aquilo até há dois anos atrás era gerível e que agora não é. E a culpa é de quem? É minha?

A questão agora é: o que propõe fazer em relação ao bairro, tendo em conta que o seu crescimento já ocorreu? Referiu que impediria novas construções, mas qual é a sua posição relativamente às edificações já existentes? Defende a sua demolição?

E agora está lá aquela gente toda a viver com aquelas crianças todas sem condições… Agora temos ali um problema gravíssimo. Dentro do Penajóia residem muitas famílias produtivas. Alguns já estão em Portugal há mais de 20 anos. Muitos são funcionários de empresas de construção civil. E muitos deles até ganham 1.500, 1.800 euros por mês só o homem. E a mulher ainda ganha mais 1.000, mas não conseguem alugar uma casa. E muitas vezes até é por serem africanos que não lhes alugam a casa. Há esse obstáculo.

Deveriam ser realojados?

Claro que sim. Por isso é que eu quero fazer as casas modulares para resolver o problema imediato. Eu não posso chegar agora ali ao Penajóia e dizer: vamos realojar mas têm que esperar 10 anos, porque tem que se construir. O problema é imediato. Quem é que criou aquele problema? Quem é que abriu as portas do país? Não foi o Estado? Não foi o Governo? Então agora, como está ali uma catástrofe humana, a gente não pode chegar lá e deitar tudo para o chão. Não é assim que se trabalha.

Portanto, não deve haver demolições se não houver uma alternativa habitacional?

Nós somos seres humanos. Temos que respeitar o ser humano, era o que mais faltava. E agora, como é que eu ia dormir à noite? Mandar aquilo tudo abaixo e os miúdos que lá vivem? Primeiro, tem que se fazer um levantamento, tem que haver um processo para cada casa. Nós não somos nenhuns monstros.

Grande parte dos moradores de Penajóia tem origem cabo-verdiana. Sabemos que o Chega tem dito que, no que diz respeito à habitação pública, a prioridade deveria ser os portugueses. Sendo assim, o realojamento destes moradores não seria prioritário?

Grande parte deles tem origem cabo-verdiana mas são portugueses. Saíram de Cabo Verde e podem já ter nacionalidade, muitos deles.

Muitos estão regularizados, mas podem não ter nacionalidade portugueses. Não seria por aí que ficariam impedidos de aceder a habitação pública?

Claro que não, isso nunca. Por isso eu digo que temos que fazer um levantamento e falo em 10 mil casas, mas pode ser mais ou pode ser menos. Temos é construir o que faz falta.

Mas não deixaria ninguém de fora por ter origem em outros países?

Claro que não. Nós não somos esses monstros que as pessoas dizem de nós. Eu próprio nasci em Angola. Tenho muitos amigos angolanos. Uma das coisas que eu mais gosto, é ir ao bairro Cor de Rosa comer uma bela comida africana. Ainda a semana passada lá estive na casa de uma senhora que me convidou. As pessoas fazem de nós uns monstros, nós não somos monstros.

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Carlos Magno fotografado em Porto Brandão. Foto: Bruno Marreiros / Almadense

Relativamente à higiene urbana, de que forma deveria ser feito o reforço que defendem? Através da contratação de mais funcionários? Considera que esses serviços deveriam ser internalizados pela Câmara ?

Eu tenho outra forma de ver as coisas. Acho que isto não deve ser trabalho do município, da Câmara. Deve ser subcontratado. Porque aí nós podemos exigir. Se nós contratarmos, não pode haver derrapagens. Se não fizerem o que está no contrato, a câmara tem que ficar sempre salvaguardada. Se não cumprirem, não recebem. É fácil.

Recentemente, a Presidente da CMA defendeu a nacionalização da Amarsul. O Chega concorda?

Não. Nós acreditamos no privado. Isso foi no 25 de Abril. Foi há 50 anos atrás. Tem de ser externalizado.

Onde o privado entra, tudo corre melhor. Porque no Estado é só derrapagens. Pessoalmente, defendo que o Estado tem que ser zero.

Na saúde, está prevista uma PPP para o Hospital Garcia de Orta. Acompanham essa possibilidade? Em que é que isso pode melhorar a gestão do hospital?

Em tudo. Onde o privado entra, tudo corre melhor. Porque no Estado é só derrapagens. Pessoalmente, defendo que o Estado tem que ser zero, zero Estado. Por que se não, é só derrapagens. Se não tivermos pessoas vocacionadas para fazer uma administração hospitalar, tudo funciona mal. O privado procura o lucro, por isso faz uma gestão como deve ser.

Está prevista a construção de centros de saúde no Feijó e na Costa da Caparica. E quanto ao Centro de Saúde da Trafaria, defendem a reabertura?

Primeiro temos que construir o centro de saúde do Feijó e o da Costa da Caparica. Vamos fazer esses primeiro. Não vamos prometer coisas que depois não podemos cumprir.

Portanto, a Trafaria não seria prioridade?

Não é questão de não ser prioridade. É lógico que a Trafaria também merece um centro de saúde. Agora temos o Feijó e a Costa da Caparica. Vamos fazê-los e, depois de entrarem em construção, já podemos falar da Trafaria.

Onde existe o metro [de almada], poderiam passar a circular autocarros elétricos. 

A mobilidade é uma das principais preocupação dos almadenses. Está de acordo com a expansão do metro até à Costa e Trafaria?

Sempre. Tem que haver a ligação. Todos têm o mesmo direito. Fazer a ligação completa, para a mobilidade ser mais rápida.

O traçado tem gerado alguma contestação de alguns grupos de moradores. Qual é a vossa visão sobre esta matéria?

Eu tenho uma visão pessoal. Porque vejo a coisa por fora… Em relação a este troço que está para ser feito, sei que houve contestação. Eu entendo que os autocarros elétricos têm um custo de manutenção talvez um quarto mais barata do que o metro de superfície. Portanto, onde existe o metro poderiam passar a circular autocarros elétricos. Mas como o corredor está feito, não haveria filas.

Portanto, defende substituir o atual metro por um autocarro elétrico? Uma solução estilo metrobus?

Defendo o percurso em corredor até à Costa da Caparica, mas em autocarro elétrico. Substituir o metro sim.

Mas defende retirar o metro que circula atualmente em Almada? 

Dentro da Almada, acho aquilo uma aberração. É feio, deu cabo do centro da cidade. Acabou com o comércio no centro de Almada, porque meteu muitos entraves e muitos problemas no centro. É um grande problema.

Mas agora que já está em funcionamento, defende retirar? 

Mas mantendo o corredor, que seria só para transporte público. O problema é quando aumentamos o transporte público, mas as rodovias onde circulam são as mesmas. Então não flui. Mas, neste caso, o corredor existe.

Portanto, manter o corredor e expandi-lo até à Costa, mas em autocarro elétrico.

Sim, expandi-lo até à Costa. Poderá haver muito mais horários de autocarros elétricos e ainda há a vantagem que o autocarro consegue sair do corredor para ir a um ponto onde for preciso, é mais flexível.

E também está no vosso programa que defendem um corredor para autocarros na Ponte 25 de Abril.

Sim, porque é preferível haver sempre corredores para transportes públicos. Para descongestionar o trânsito.

E o túnel Algés-Trafaria? 

Também sou apologista do túnel.

Sabemos que essa solução via túnel poderia custar mais de mil milhões de euros. Considera que este investimento seria justificado?

Isso é muito pouco. A corrupção em Portugal é superior a isso. Não pode é haver derrapagens.

Com esse valor, seria possível construir muita habitação, adquirir barcos e realizar outros investimentos que até agora não foram feitos. Compensa?

Compensa. Mil milhões de euros é o que se gasta mal gasto. E quanto é que veio da bazuca? Quanto é que vem do PPR? Muito mais que esses mil milhões. Muito mais. Onde é que está esse dinheiro? Quanto é que é a corrupção em Portugal? Quanto é que é a economia paralela em Portugal?

Portanto, entende que este seria um investimento justificado.

Fundamental para o concelho de Almada e não só: também para o distrito de Setúbal. Porque cerca de 35% dos carros que atravessam a ponte são de pessoas que vão trabalhar para Algés, Oeiras…

[na antiga lisnave] faria uma zona comercial estilo Freeport de Alcochete. Um outlet ao ar livre. ali não pode haver mais habitação.

Sobre os antigos estaleiros da Lisnave, que estão há anos ao abandonado… O governo apresentou o projeto Parque Cidade do Tejo. Concorda o que previsto para aquela zona?

Eu ali não fazia habitação, sou sincero. Ali faria uma zona comercial estilo Freeport de Alcochete. Um outlet ao ar livre. Um projeto em que a arquitetura fosse muito idêntica à de Cacilhas, à arquitetura antiga de Almada. Depois teria também restauração, sempre virada toda ela para o rio. Além disso, o nosso projeto inclui também a construção de uma espécie de Taguspark, de forma a atrair empresas aqui para Almada.

Portanto, discorda do projeto que foi apresentado pelo Governo, que inclui habitação, uma ópera… não se revê nesse projeto.

Eu acho que os políticos hoje em dia não vivem na realidade. Eu já tenho empresas que querem fazer este projeto, que querem comprar o projeto, que querem construir este projeto que nós temos. Mas ali não pode haver mais habitação. Só ia piorar o caos no trânsito. Almada tem que expandir para outro lado.

Mas não é um projeto da Câmara. Pertence ao Estado. Portanto, teria que haver uma negociação com o Estado.

É igual. Se ganhar a Câmara, o Governo vai ser do Chega também. Nós, até lá somos Governo.

Já tem, então, empresas em vista para investirem ali?

Nós temos investidores. Pessoas que vêm mesmo para investir.

Nacionais ou internacionais?

Os dois. Uma das que queria mesmo é inglesa. Está ligado ao Freeport.

Mas teria que haver concurso público.

Claro que tem que haver. Mas se o terreno for vendido, o privado faz lá o que quer. Agora, tem haver vontade política que diga ao investidor: “podes avançar”. Porque o terreno já esteve à venda. Por isso, teria que ser vendido para um certo tipo de projeto. As pessoas querem vir, querem investir. Porque onde os privados investem à séria, as coisas correm bem.

No caso do Cais do Ginjal, trata-se de uma propriedade privada, mas o projeto encontra-se parado há vários anos devido a um processo em tribunal.

Eu não tenho conhecimento do processo em tribunal, nem sei quem é que pôs a ação em tribunal, não tenho conhecimento disso. Isso teria sempre uma questão de ser visto, mas nunca atrasar. Nós vimos para desbloquear.

E sobre o projeto em si, acha que o plano pormenor que já foi aprovado na Câmara ainda é viável?

Isso terá que ser o investidor a achar se é viável para ele ou não.

Pergunto se entende que aquele projeto ainda faz sentido ali para aquela zona Implica, por exemplo, também muita habitação naquela zona ribeirinha, que é uma zona sensível…

Teria sempre que ver o projeto.

Não conhece o projeto? 

Não. Do Ginjal, não. Mas se eu estiver à frente da Câmara, vou pedir responsabilidades para perceber porque é que aquilo está assim. Perceber o porquê e avançar.

No  que diz respeito à Loja do Cidadão, no vosso programa defendem rever a localização escolhida. Que localização defendem?

Boa pergunta. Não tenho presente onde é que é a nova localização.

A CDU teve autarcas muito bons. Esta é a verdade. Também temos que ser sérios, não é só dizer mal. 

Olhando para os últimos anos de governação do PS-PSD, que balanço faz em comparação com o período anterior de governação da CDU? Considera que a gestão melhorou?

Almada está entregue ao abandono. Se houvesse governação, com coragem, com vontade, Almada não estava como está. Portanto, para mim, não houve governação. Houve alguém que andou a brincar aos políticos dentro da Câmara.

Comparando com a anterior gestão da CDU, houve uma melhoria ou a situação mantém-se idêntica?

Eu gosto de ser sério: a CDU, durante muitos anos, trabalhou em câmaras muito bem. Bem geridas. A CDU teve autarcas muito bons. Esta é a verdade. Também temos que ser sérios, não é só dizer mal. E a verdade é que a CDU estava muito ligada ao poder local, próxima das pessoas, e fizeram uma boa governação. Só que com o passar do tempo, começou a haver compadrio, corrupção… Mas houve bons presidentes de câmara da CDU, e nós temos que assumir. Agora, neste momento, vê-se que eles vão acabar por perder as câmaras. Porque os verdadeiros [presidentes], que andavam cá em missão deixaram de existir.

Na sua opinião, é importante para o Chega começar a governar a nível local?

O Chega precisa de começar a governar primeiro a nível local. As pessoas também têm que nos pôr à prova para saberem como é que é o Chega. Para nos poderem avaliar. Para também saber se nós somos ou não capazes de governar uma Câmara. Se conseguimos governar uma Câmara, governamos o país.

O Chega veio para governar, mas caso não sejamos nós a ganhar a Câmara, também não vamos ser obstáculo a nada.

Tendo em vista as eleições que se aproximam, quais são os objetivos do Chega? Nas últimas autárquicas tiveram 5,6%. Não conseguiram eleger vereação, mas elegeram dois deputados municipais. Este ano as expectativas são superiores?

As expectativas que temos é vencer, sempre. Quando vamos à guerra é para ganhar, não é para perder. Mas isso está nas mãos dos eleitores. Nós vamos entrar no executivo. Não viemos cá para protestar, viemos para governar. Mas, caso não sejamos nós a ganhar a Câmara, também não vamos ser obstáculo a nada. Estamos cá para ajudar a governar Almada. Acreditamos que a maioria acabou. Desde que o Chega entrou no cenário político nacional, e local, acabámos com as maiorias.

Vamos ter um cenário mais fragmentado.

Sim. Aqui temos oito candidatos à Câmara. Todos podem vir a ter representação na Assembleia Municipal, o que é bom para a democracia.

Considerando este cenário fragmentado, caso o Chega consiga representação, independentemente da posição que venha a ocupar, a governabilidade poderá exigir acordos entre partidos. O Chega estaria disponível para entendimentos com o PS, PSD… CDU?

Não. O Chega está disponível para ter entendimento com a população da Almada. Se for bom para a Almada, o Chega está presente. O Chega não vai votar contra seja o que for se for bom para a Almada só porque não gosta da Inês ou não gosta do Hélder… Já damos esse exemplo na Assembleia da República. Nós aprovamos, por exemplo, muitas propostas feitas pela CDU. Agora, não fazemos coligações com ninguém, tanto que vamos sozinho às 308 câmaras, o único partido que o faz.

Está fora de questão um acordo pós-eleitoral?

Está fora de questão. Não há coligações com ninguém.

Autárquicas 2025: As propostas dos candidatos à freguesia da Costa da Caparica

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