Meta é atingir as 7.500 assinaturas, de forma a levar o tema a debate em plenário da Assembleia da República.
Soma mais de 5 mil assinaturas a petição pública contra o pórtico de portagem da A33, localizado no Nó da Queimada, na Charneca de Caparica, que contesta a cobrança de portagem num troço com apenas cerca de um quilómetro. A iniciativa foi lançada no passado dia 1 de dezembro pelo movimento de moradores designado “Grupo dos Amigos da Charneca de Caparica e Sobreda”.
Os promotores da petição defendem que a atual configuração da A33 penaliza os residentes, uma vez que a autoestrada (concessão da Baixo Tejo) se situa sobre o antigo corredor rodoviário que servia como alternativa gratuita à Estrada Nacional 377.
“O atual traçado da A33 foi implantado sobre a única via alternativa que existia à antiga estrada nacional que atravessa o centro da Charneca de Caparica (ex-EN377), aproveitando e substituindo esse corredor viário sem manter uma opção equivalente gratuita para a população”, pode ler-se no texto da petição, disponível na plataforma Petição Pública.
Segundo os subscritores, em vez de ser criada uma verdadeira alternativa para aliviar o trânsito, a introdução de portagens na A33 transformou essa “via alternativa” numa opção paga, retirou à população local a possibilidade de utilizar o antigo percurso sem custos. Esta situação acabou por agravar a pressão sobre a estrada que cruza o centro da freguesia, contribuindo para os congestionamentos que hoje se verificam.
De acordo com o documento, esta realidade obriga muitos residentes e trabalhadores a pagar portagem em deslocações internas dentro do próprio território. “Muitos residentes e trabalhadores são, assim, obrigados a pagar portagem para percursos internos, não dispondo de alternativa rodoviária razoável”, sublinha a petição.
Uma luta antiga
Filomena Silva alerta ainda para as consequências da portagem no trânsito local, chamando a atenção para impactos ao nível ambiental e de segurança rodoviária. “Esta situação aumenta significativamente o tráfego na via principal da Charneca, a N-377, que tem apenas uma faixa de rodagem em cada sentido. O trânsito é caótico e a estrada é utilizada inclusivamente por veículos pesados que ali circulam para evitar a portagem. Há muito trânsito, é horrível”, afirma.
Dependência do automóvel
Numa freguesia em crescimento populacional e onde a oferta de transportes públicos continua limitada, a dependência do automóvel continua, segundo a moradora, inevitável. “Vivo em Vale Fetal, numa zona que fica longe dos transportes. Preciso de carro para me deslocar. Chegar à estação do Pragal a partir da Charneca não é fácil”, refere.
O objetivo do grupo Amigos da Charneca de Caparica e Sobreda passa agora por atingir as 7.500 assinaturas, número necessário para que a petição seja discutida em Plenário da Assembleia da República. Recorde-se que o mesmo movimento chegou a ser ouvido em comissão parlamentar em 2012, mas a questão acabou arquivada sem que a situação tivesse sofrido alterações.
Com Maria João Morais




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