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Urgência de Obstetrícia do Garcia de Orta reabriu, mas ainda faltam médicos para assegurar escalas

Encerramento inesperado das urgências no Garcia de Orta deixou a Península de Setúbal sem resposta no fim de semana. Autarca de Almada critica gestão do Governo.

 

As urgências de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, voltaram a encerrar este fim de semana, apesar da promessa de que a partir de 1 de setembro estariam abertas 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. 

Em julho, a ministra Ana Paula Martins dizia que “não podemos normalizar ter urgências fechadas”. Mas, ao fim de apenas duas semanas, foi o que aconteceu no hospital de Almada. A situação voltou a deixar a península de Setúbal sem assistência hospitalar para as grávidas, uma vez que as urgências de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, e do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, também estavam fechadas. Os casos urgentes tiveram de ser encaminhados para os hospitais de Lisboa.

“Este fim de semana, sem que nada o fizesse prever e à última hora, os [20] médicos prestadores de serviços que asseguram regularmente que as populações da península de Setúbal têm o serviço que lhes é devido, manifestaram a sua indisponibilidade”, segundo comunicado emitido pelo Ministério da Saúde. Estes médicos, vulgarmente chamados de tarefeiros, não são funcionários do hospital, não têm vínculo ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e são contratados à hora ou à tarefa para colmatar as falhas nas escalas. 

Ainda não tinha passado uma semana desde o início do mês e já o Diário de Notícias (DN) reportava que o HGO não tinha conseguido contratar os tão ansiados especialistas de Ginecologia e Obstetrícia. Fontes dentro do hospital, que não quiseram ser identificadas, disseram ao jornal que as escalas estavam cheias de buracos, que iam sendo resolvidos dia a dia. A administração da Unidade Local de Saúde de Almada e Seixal (ULSAS), por sua vez, garantiu ao DN que a escala de setembro já contemplava os sete novos especialistas. Já o jornal Observador, avançou que apenas quatro médicos foram contratados até ao momento.

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Certo é que as urgências evidenciaram a fragilidade logo nos primeiros dias do mês: das 20h de 5 de setembro às 8h do dia seguinte, só receberam grávidas referenciadas pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU). As nove vagas que o Ministério da Saúde autorizou o hospital a abrir (através da ULSAS) deveriam servir para assegurar as escalas destas urgências, sem encerramentos forçados. Agora, a ministra responsabiliza a administração da ULSAS que nomeou há cerca de meio ano.

O ALMADENSE questionou a administração da ULSAS sobre quantos especialistas já foram efetivamente contratados para estas nove vagas que, por serem consideradas carenciadas, dariam aos médicos incentivos financeiros, entre outros benefícios. No entanto, até à publicação deste artigo, não foi possível obter uma resposta.

A situação motivou a preocupação da presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros que, em declarações à agência Lusa, criticou as opções do Governo e da nova direção executiva do SNS. “Ao contrário do que tem sido forçadamente anunciado, não há nenhum plano que, na realidade, esteja a funcionar“, disse a autarca do Partido Socialista. “Neste momento, era mesmo necessário assumir que isto não só não está a correr bem, como está a correr pior.”

 

Solução: urgência regional ou encerramento de serviços?

A ministra da Saúde classificou a situação deste fim de semana como “muito preocupante” e convocou uma reunião de urgência com os administradores das três Unidades Locais de Saúde (Almada-Seixal, Barreiro e Setúbal) e a direção executiva do SNS. À saída da reunião, Álvaro Almeida, diretor executivo do SNS, disse que foi feito o diagnóstico da situação, que foram analisadas soluções e que a ministra da Saúde vai anunciar as decisões.

Xavier Barreto, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH), recorda à ministra o mesmo pedido que foi feito em julho: a criação de uma urgência regional ou metropolitana, tal como acontece há vários anos no Norte do país. Ana Paula Martins disse em junho que para este modelo avançar é preciso negociar com os sindicatos. O modelo já tinha sido anunciado pela própria ministra em setembro do ano passado, mas as referidas negociações não avançaram. 

Alberto Caldas Afonso reforça a ideia em declarações ao Expresso esta terça-feira: “a concentração de serviços é inevitável”. O presidente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente e coordenador do grupo de peritos encarregado pelo Governo de traçar uma nova rede de cuidados obstétricos agudos, promete entregar o planeamento até ao final do mês e não exclui o encerramento de alguns serviços.

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As urgências de Ginecologia e Obstetrícia do HGO reabriram na segunda-feira e, de acordo com o portal do SNS, deverão manter-se abertas pelo menos até ao próximo dia 23 de setembro. 

 

Nove médicos de ginecologia e obstetrícia reforçam Hospital Garcia de Orta em Almada

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