Descubra como os pagamentos fracionados com cartão de crédito permitem gerir o orçamento em compras de maior valor, quando são vantajosos e que custos deve analisar antes de aderir a um plano em frações.
Quando utiliza um cartão de crédito para fazer compras, nem sempre é conveniente liquidar o valor total de imediato, especialmente se o montante for elevado ou se preferir gerir o orçamento acauteladamente.
É aqui que entram os chamados “pagamentos fracionados”, uma opção cada vez mais comum em Portugal, que permite repartir o valor de uma compra por várias prestações mensais. No entanto, será que compensa sempre?
Neste artigo, explicamos como funcionam estes pagamentos fracionados, quais são os custos inerentes e quando valem realmente a pena.
O que são pagamentos fracionados?
Os pagamentos fracionados permitem dividir o valor de uma compra feita com o cartão de crédito em várias prestações mensais fixas, em vez de pagar tudo de uma só vez no extrato.
Na prática, quando realiza uma compra com o seu cartão, pode optar por “converter” esse gasto num plano de crédito fracionado, que será amortizado mês a mês. Assim, em vez de ver a totalidade da despesa no próximo extrato, o valor será diluído num número definido de prestações.
Este mecanismo oferece maior flexibilidade na gestão do seu orçamento, sendo especialmente útil em situações de despesas elevadas ou imprevistas, quando não é viável arcar com o valor total de imediato.
Diferenças entre fracionamento do banco e fracionamento do comerciante
É importante distinguir duas formas comuns de fracionar pagamentos:
Fracionamento oferecido pelo banco/emitente do cartão
Neste caso, o titular do cartão recorre a uma funcionalidade da entidade emissora (via app ou homebanking) para converter uma compra já realizada numa linha de crédito parcelado.
Fracionamento proposto pelo comerciante
Em contextos de “compre agora, pague depois” (Buy Now, Pay Later), o comerciante (ou a plataforma de compras) oferece a opção de parcelar o pagamento no momento da compra. Isto pode envolver um parceiro de financiamento ou a própria entidade de pagamento, que repassa o valor ao consumidor em prestações.
Embora ambas as opções tenham o mesmo objetivo de flexibilizar o pagamento, o seu funcionamento pode variar bastante, sobretudo no que diz respeito a juros, comissões e responsabilidades.
Vantagens dos pagamentos em várias prestações
Optar por pagamentos fracionados pode trazer múltiplas vantagens, entre as quais se destacam:
- Maior controlo do orçamento mensal: ao diluir uma despesa elevada por vários meses, reduz o impacto num único extrato, evitando apertos financeiros;
- Flexibilidade financeira: útil em compras de bens ou serviços de maior valor (viagens, eletrodomésticos, mobiliário, reparações, etc.), permitindo acomodar o gasto no orçamento sem sacrificar a liquidez imediata;
- Libertação do plafond do cartão: ao transformar o gasto num crédito fracionado, o limite de crédito do cartão pode ser libertado à medida que vai pagando as prestações;
- Previsibilidade de pagamentos: com prestações mensais fixas, torna-se mais fácil planear despesas futuras.
Além disso, em alguns casos, os bancos ou instituições podem oferecer planos com prazos relativamente alargados ou condições atrativas que, comparativamente a outros tipos de financiamento mais rígidos, ajudam a evitar surpresas.
Situações em que fracionar compensa realmente
Nem sempre faz sentido fracionar, mas há cenários em que a opção pode ser bastante vantajosa:
- Quando se trata de uma compra pontual de valor elevado, como eletrodomésticos, mobiliário, viagens, cursos ou outras despesas inesperadas ou não recorrentes;
- Quando é importante manter liquidez a curto prazo para, por exemplo, pagar a pronto os bens essenciais do mês, optando por fracionar apenas as compras mais pesadas;
- Quando o plano oferecido tem juros ou comissões razoáveis, tornando o custo total aceitável face à conveniência;
- Quando o orçamento mensal é limitado ou instável e repartir a despesa ajuda a evitar um endividamento elevado de forma imediata.
Nestes contextos, o fracionamento funciona como um apoio estratégico à gestão financeira, permitindo conciliar necessidades imediatas com a estabilidade do orçamento mensal.
Riscos e custos ocultos associados ao fracionamento
Os pagamentos fracionados não estão isentos de desvantagens, sobretudo se não forem bem geridos:
- Os juros e encargos podem aumentar bastante o valor final: ao adotar um plano de prestações, o total a pagar será maior do que o valor original da compra, devido aos juros (TAN/TAEG), impostos e eventuais comissões;
- Imposto do Selo Sobre a Utilização de Crédito (ISUC): em algumas modalidades, há impostos incidentes sobre o crédito concedido, o que eleva o custo do plano;
- Possibilidade de acumular várias prestações em simultâneo: se não houver controlo, pode acabar com vários créditos a decorrer simultaneamente, o que compromete o orçamento mensal;
- Tentação de gastar mais do que o orçamento permite: o facto de fracionar pode incentivar compras maiores ou mais frequentes, levando ao endividamento;
- Dependência dos prazos e regras do banco/comerciante: se não cumprir as prestações, os juros ou penalizações podem ser pesados; além disso, nem todos os cartões ou transações são elegíveis.
Assim, antes de fracionar, avalie cuidadosamente os custos, os prazos e o impacto real no seu orçamento.
Como comparar taxas antes de aceitar um plano fracionado
Para decidir conscientemente se vale a pena fracionar, convém analisar sempre:
- A TAN/TAEG: compare a Taxa Anual Nominal (TAN) e a Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG), que já inclui juros e encargos. Quanto mais baixa for a TAEG, mais atrativo será o fracionamento;
- Os impostos e comissões associados: como o Imposto do Selo Sobre a Utilização de Crédito (ISUC) ou outras comissões de disponibilização, quando aplicáveis;
- O número de prestações e o valor por prestação: certifique-se de que a prestação mensal cabe no seu orçamento sem comprometer outras despesas fixas;
- O custo total final da compra: compare o valor a pagar a pronto com o total em prestações, incluindo todos os juros e encargos, de forma a apurar o Montante Total Imputado ao Consumidor (MTIC);
- As limitações de crédito e o número máximo de planos ativos: verifique se o seu cartão permite o fracionamento e quantas compras pode efetuar em prestações ao mesmo tempo.
Só depois desta análise faz sentido aceitar o plano para evitar surpresas no futuro.
Alternativas ao fracionamento a considerar
Antes de optar por pagamentos fracionados, vale a pena ponderar outras opções:
- Pagar o total no extrato com o seu cartão de crédito: se tiver capacidade financeira para tal e quiser evitar juros, esta continua a ser a opção mais económica;
- Poupar antecipadamente: planeie a compra e junte o valor necessário para pagar a pronto, evitando juros e encargos;
- Utilizar outras formas de crédito ajustadas ao objetivo da compra: como crédito pessoal ou financiamento específico, que, em alguns casos, pode oferecer condições mais vantajosas, como prazos alargados ou juros mais baixos;
- Parcelamentos sem juros: quando oferecidos pelo comerciante, permitem dividir o pagamento sem aumentar o valor final da compra.
Fracionar nem sempre é a melhor solução; compare com outras opções e escolha a mais vantajosa para o seu caso.
Considerações finais
Os pagamentos fracionados, quando utilizados com critério e bom planeamento, podem representar uma forma eficaz de gerir o orçamento e realizar compras de maior valor sem comprometer a liquidez imediata.
No entanto, como em qualquer funcionalidade associada a um cartão de crédito, convém estar atento às taxas, comissões e condições do plano para que o custo final não acabe por anular a conveniência.
Antes de aceitar um fracionamento, analise bem o custo total, compare com o pagamento a pronto ou outras opções e certifique-se de que consegue cumprir as prestações sem comprometer o seu equilíbrio financeiro.
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