Petição contra o traçado do metro já recolheu mais de mil assinaturas até ao momento. Critica entrada do metro na Costa e defende aposta em soluções alternativas. “A Costa já não aguenta mais construção”, dizem promotores do movimento.
Um grupo de moradores da Costa da Caparica está a contestar o traçado proposto para a expansão do Metro Sul do Tejo, especialmente no que diz respeito ao atravessamento da Av. Afonso de Albuquerque e à entrada na Trafaria.
Invocando motivos ambientais e de ordenamento do território, os residentes opõem-se ao itinerário definido para o metro, considerando que aquela zona da Costa da Caparica é uma área sensível, por se situar na base da arriba fóssil, praticamente ao nível do mar e junto a uma praia em erosão.
“Não se deveria impermeabilizar mais este território com uma estrutura pesada como o metro”, diz ao ALMADENSE João Morais, arquiteto especializado em urbanismo e membro do grupo que lançou uma petição contra o traçado proposto, que já reúne mais de 1.100 assinaturas.
Em causa está o projeto de expansão do metro de superfície da Margem Sul que pretende ligar a atual estação “Universidade”, no Monte de Caparica, à Trafaria, passando pela Costa da Caparica. Atualmente, está em curso o Estudo Prévio, desenvolvido pelo Metropolitano de Lisboa.
Apresentada no início deste ano, a proposta pretende acrescentar ao metro 10 novas estações, num percurso de 7 quilómetros. No entanto, enquanto as três primeiras (Pêra, Várzea de Pêra e Centro da Costa da Caparica) reúnem algum consenso, as estações seguintes (Parque Urbano da Costa, Santo António, São João, São Pedro, Madame Faber/Matas Nacionais, Bombeiros Voluntários da Trafaria e Estação Fluvial da Trafaria), estão no centro da contestação popular.

“A arriba fóssil é sensível, tem problemas de estabilidade e a praia tem vindo a diminuir. A Costa já não aguenta mais construção”, afirma o arquiteto, residente em São João da Caparica, defendendo inclusive que aquele território deveria ser reconhecido como “zona protegida”, lembrando que grande parte da freguesia (as Terras da Costa), já se encontra classificada como Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN).
Para o grupo, não está em causa a chegada do metro até à Costa da Caparica ou a criação do interface previsto no final do IC20, mas sim o atravessamento da freguesia. A solução atual “é incompreensível”, diz Diogo Faria de Oliveira, engenheiro especializado em recursos hídricos e ambiente e outro dos mobilizadores da petição.
“É um movimento de cidadania heterogéneo, de várias faixas etárias, apartidário”, descreve Faria de Oliveira. De gestores a economistas, passando por engenheiros, pescadores, reformados, estudantes, residentes e comerciantes da Costa e da Trafaria, os signatários têm em comum o facto de fazerem a vida entre a Costa e a Trafaria. Agora, estão unidos pela preocupação de que a obra venha a ser prejudicial para a comunidade.
Outra das principais preocupações tem que ver com o impacto que a extensão terá no espaço público da freguesia. “Esta não é uma zona urbana. A Av. Afonso de Albuquerque é uma zona de passeio, de lazer, arborizada. É o único espaço público de lazer na zona, seria lamentável destruí-lo”, diz João Morais.
“A Costa tem a sua própria identidade, poderia perder-se. Além disso, a chegada do metro vai provocar ruído, vibração e pode contribuir para aniquilar a praia que existe”, acrescenta Faria de Oliveira.
Custos elevados
A petição tem também subjacente uma preocupação com o impacto financeiro que a construção poderá vir a ter no bolso dos contribuintes. Uma vez que ainda não se conhecem projeções oficiais do custo do projeto, os dinamizadores da petição levaram a cabo os seus próprios estudos, chegando à conclusão de que o metro até à Trafaria poderia chegar a custar cerca de 300 milhões de euros, ou seja cerca de dez vezes superior em relação à solução de Metrobus (autocarro em via própria), que defendem como alternativa à circulação dentro da Costa, e que já é aposta noutras cidades do país como Lisboa, Oeiras, Porto e Coimbra. “Este tipo de soluções [metro de superfície] está a ser descontinuado e substituído por soluções de Metrobus”, apontam.
Além disso, receiam que a procura por parte dos passageiros seja insuficiente para justificar um metro de superfície. Recordando que em Almada, o Estado tem que compensar anualmente a concessionária porque a procura está abaixo do previsto inicialmente, os peticionários têm receio que os custos disparem na Costa da Caparica porque a ocupação poderia ser especialmente baixa fora dos meses de época alta. “O metro ia andar vazio no inverno“, apontam.
Solução Metrobus
O grupo defende que a solução de Metrobus traria várias vantagens, desde logo ao nível da rapidez da implementação e do baixo custo, mas também no facto de se tratar de um impacto de obra mínimo e de oferecer uma flexibilidade que os carris do Metro não têm. “Com os 300 milhões que o metro custaria resolviam-se todos os problemas de transporte público na Costa da Caparica”, diz Diogo Faria de Oliveira.
Traçado deixa centro de fora
O grupo critica ainda o facto de o itinerário apresentado não incluir o centro da Costa da Caparica, onde se concentra a maior densidade populacional da cidade. “No traçado apresentado, a área de influência do metro cobre menos de 25% da frente de praias de Almada”, diz Diogo Faria de Oliveira.
No que diz respeito a soluções de transporte público para a zona, defendem também o regresso do Transpraia, que entendem ser compatível com a solução Metrobus, sobretudo para ligar às praias a sul, que a solução de metro não prevê.
No fundo, consideram que a solução atual é endémica de um problema com raízes mais antigas. “Não somos contra o transporte público, por isso apontamos outras soluções. Tem de haver bom senso”, dizem.
Expansão do metro vai criar novos interfaces de transportes na Costa da Caparica e na Trafaria





Não sou nada entendido nestas coisas mas, tendo em conta os argumentos expostos, porque não apontar a linha para sul com terminal na zona da Torre das Argolas/finanças (a partir da estação C Caparica – Centro?
A partir daí as pessoas seguiriam por outros meios.
Visão retrógrada e como sempre contestatária porque tudo o que necessita de inovar e mudar em Portugal tem de ser contestado para depois ser aceite. Boicotamo-nos constantemente. É o eterno problema entre o copo meio vazio e o copo meio cheio. Essas infraestruturas já deviam estar feitas há muito tempo. Estão atrasadas.
Se ler bem percebe que ninguém está contra o metro e que esta solução é que está ultrapassada. Ainda há um mês Lisboa e Oeiras anunciaram a ligação por metro-bus que é o que é defendido por este grupo é um pouco por todo o Mundo.
Se não se atualizar e não estiver atenta é natural que seja a senhora que vá apoiando soluções retrógradas.
Como moradora na Costa da Caparica, apoio 100% a contestação aqui feita. Não queremos um Metropolitano a partir ao meio a nossa terra! Continuem o vosso excelente trabalho
Quem é que pode pensar em trocar um sistema de elétrico moderno (metro de superfície) utilizado em toda a Europa, America do Norte e Ásia, por uma porcaria de transporte terceiromundista, o metrobus, utilizado na América do Sul e África? Só de labregos! Por favor, investiguem os interesses que estão realmente por trás dessa ideia pindérica! Até o Rio de Janeiro está a substituir as suas linhas de metrobus, por linhas de elétrico moderno! Viajem e observem! E esse argumento estúpido do ruído também não pega! O metro de superfície é um transporte mais silencioso do que o trânsito automóvel! Alterem eventualmente o traçado proposto, mas não pensem na estupidez do metrobus! É um autocarro em sítio próprio! Só mesmo de labregos!
Ideia pindérica é pensar que uma terra com 14.000 habitantes precisa de metro, um transporte de massas para zonas com alta densidade populacional. E para além de pindérica é um desperdício de recursos dos contribuintes.
Como é possível um grupo de pessoas juntar-se para prejudicar severamente a Costa da Caparica e a Trafaria?
Sou engenheiro de sistemas de transportes e nunca ouvi tanto disparate nem tanto argumento falso vindo de alguém que se diz urbanista.
A Costa da Caparica e a Trafaria precisam de Metro Ligeiro de Superfície, o metroBus não é uma boa solução e só anda a ser implementado para agradar a certas empresas de autocarros.
Em termos de construção, o metroBus tem um impacto negativo no ambiente e no ruído muito mais elevado, para além de implicar mais intervenções. Digo-o porque vivi 4 anos em Coimbra numa rua onde estavam a construir o metroBus de lá.
A população tem de se revoltar contra este grupo de pessoas que quer destruir a freguesia e cancelar o Metro Ligeiro de Superfície.
Concordo com a expansão do metro sul do Tejo até à Charneca da Caparica
Seria mais logico do que para a Costa… desde que os horários não fossem estabelecidos pela Carris Metropolitana.
Metrobus é uma solução coxa e que só serve interesses sobejamente conhecidos. O metro de superfície que, na realidade, é um eléctrico maior, na maior parte dos casos, permite uma solução de continuidade e contribui efetivamente para melhorar a mobilidade na zona. Um Y na Costa para a linha de praias a Sul seria uma solução interessante, permitindo diminuir estacionamento junto às praias e menor impacto ambiental da circulação automóvel.
E se em vez de trazer mais pessoas para a Costa, fizessem chegar o comboio até à Silopor para tirar das estradas do concelho centenas de camiões?
Este grupo da zona de São João é elitista, mt presunçosos e desprezam a restante população.
Há vizinhos que não apreciam a forma de estar e viver destas pessoas, são inimigos de si próprios.
O sr Daniel Queiroz é cara disso mesmo, tem um tacho no SMAS e é militante no PSD.
Apenas não querem o metro porque pensam que gera mais barulho quando passa próximo das suas casas.
Esse grupo “elitista” não tem só pessoas de S.João… Já agora, fica a saber que a Costa e Trafaria tem muito mais gente em barracas e bairros clandestinos do que classificável como pertencente a “elites”. E que tal os nossos decisores políticos locais e nacionais resolverem essa vergonha civilizacional em vez de andarem a brincar aos comboios?
É por causa de pessoas assim que a costa não desenvolve. Deixem trabalhar os entendidos.
Os “entendidos” em quê? Ajustes directos? Empresas fantasma? Sobre-facturação de produtos e serviços? Comissão sobre empreitadas públicas na forma de cargos ou dinheiro por baixo da mesa? Diga-me lá. Porque é que será que há uma vontade política tão inabalável de fazer uma obra destas na Costa da Caparica, se nunca cá fazem nada? Nem o básico fazem como manutenção e limpeza…Como correu e está a correr o metro de Almada? O que diz a população local? O que aconteceu ao centro de Almada? Quem mora por aqui viu isso tudo e sabe…Enfim, “entendidos”… 😂
Esqueçam o metro de superfície que só traz poluição e incómodos para quem vive na prometida Avenida Atlântica e façam o túnel proveniente de Algés e talvez tenhamos passantes menos kitsh!
A Trafaria não preciosa de metro. A Trafaria precisa que os barcos funcionem com frequências e horários confiáveis e uma empresa a geri-los e não uma espécie de empresa. Para que será necessário o metro chegar à estação se não houver barcos com passageiros?
Assisti às duas das reuniões havidas para discussão do metro, atos de pura propaganda e fiquei com a forte seringação de que o rabo escondido do gato são urbanizações à bruta. O casco velho da Trafaria não terá por onde crescer. Se o fizerem crescer para lá da Corvina, terão que por camionetas… para o metro. A Costa tem a arriba fóssil, o que é diabólico em termo ambientais (há quantos anos se ouve falar na via direta por baixo da arriba para retirar o tânsito do meio da vila ?) e gerida por várias entidades (Câmara, Nato, ICNB (ICNBF ? e outros tais como APA, gestão do litoral etc. etc.etc.)
Pela minha parte, com as dúvidas que tenho, é minha opinião que o metro não deverá ser a solução. Será mais um projeto para gastar dinheiro (nosso).
Concordo!!
De acordo.
Penso que estão a pensar de forma errada. A presença do metro vai tirar imensos carros da costa da caparica, e a ligação à trafaria vai aumentar o uso do barco e a redução do tempo de viagem para os municipios da linha de cascais e do centro de lisboa por mais de 30 minutos. Na minha experiência, nunca a Av Afonso de Albuquerque foi uma area de lazer, mas sim uma area barulhenta e desagradável por conta dos carros.
Não percebo muito de transportes mas de ódio de classe sim. Penso que a linha deveria passar pelo meio do quintal destes betinhos.
Apenas mais um esquema para os patos bravos ganharem dinheiro…
Vêm com os disparates da 3º ponte e com o túnel, depois queixam-se de que o interior está desertificado…
O importante é tirar as pessoas daqui e não meter cá mais!
Bem observado. Concordo.
Não ao metro de superfície: sim ao túnel vindo de Algés previsto antes do 25 de abril.
Não ao metro e não ao túnel também… A Costa da Caparica não é Vilas Novas ou Grândola para comprar bifanas ou pão de passagem para o Algarve. Uma via de grande tráfego que atravesse a Costa mete ainda mais pressão nas suas já subdimensionadas infraestruturas. O espaço viário, urbano e de praia é limitado, não estica e já se encontra no limite em época balnear. Por isso é que o metro é discutível mesmo só até à Costa. Trata-se de um equipamento sobretudo de lazer. Não vale a pena pensar que não se trataria de um Transpraia em grande, porque assim será se for implementado.
Acredito que se deveria aproveitar o traçado do IC20 em direção à Costa para implementar uma linha de metro ao centro. Isso permitiria reduzir o número de faixas rodoviárias, que atualmente incentivam ainda mais o uso do carro próprio, algo que traz várias consequências negativas para cidades e vilas. É essencial reformular os meios de transporte coletivo com foco na sustentabilidade. O mesmo princípio poderia ser aplicado à A33, ligando à zona da Charneca da Caparica.
Comentário típico de alguém de esquerda. Vamos lá obrigar os outros a viver da forma que nós achamos que devem viver, quer queiram, quer não…
Ninguém prejudica ninguém simplesmente por achar que não se devem gastar rios de dinheiro a resolver problemas que não existem. Por acaso já ouviu alguma vez algum Caparicano/Trafariano a suspirar pelo metro? Uma associação de “carentes do metro”? Não existe essa necessidade no eixo costa-trafaria. Mesmo os autocarros que existem actualmente andam vazios.
Completamente de acordo. É uma completa asneira a ligação Costa-Trafaria. Não serve a maioria da população, não tem movimento de passageiros que justifique, vai interferir com a vala existente no meio da avenida, que neste momento está encanada e tapada e vai ter um custo brutal. É mais barato, flexível e serve melhor toda a população criar uma rede de “mini bus” com passagem pelos principais pontos da cidade, com ligação ao transpraia e ligação à Trafaria.