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Costa da Caparica sem água: roturas e cortes de abastecimento motivam queixas da população

Os cortes no abastecimento de água têm-se repetido nos últimos dias. SMAS justificam situação com aumento sazonal do consumo, mas moradores dizem que o problema “tem anos”.

 

Os habitantes da Costa da Caparica têm sofrido cortes intermitentes de água ao longo da última semana. Duas ruturas de “grandes dimensões” na rede, uma no domingo (3 de agosto) e outra na quarta-feira (6), provocaram várias falhas no abastecimento, que afetaram também localidades vizinhas. Segundo os moradores, a situação é recorrente e evidencia as fragilidades da infraestrutura de abastecimento na região.

A primeira rotura ocorreu no domingo, numa conduta adutora, afetando as localidades de Raposo, Lazarim, Costa de Caparica e Monte de Caparica. “No domingo voltei a casa do trabalho, por volta das 17h e percebi que não havia água. Mais tarde, perto das 22h, voltou, mas com uma pressão muito baixa”, descreve ao ALMADENSE Ana Vinagre, uma das residentes afetadas. 

Após a regularização da primeira situação verificada — descrita ao ALMADENSE por fonte dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada como “um imprevisto” — uma nova rotura, junto ao IC20 (a via rápida que liga Almada à Costa da Caparica), motivou uma nova intervenção, que provocou o corte do trânsito no acesso rodoviário e condicionou o abastecimento durante as 24 horas seguintes.

Desta forma, a falta de água na Costa da Caparica foi uma constante ao longo da semana, tendo-se repetido todos os dias, de forma intermitente, entre domingo e quarta-feira. “É frustrante porque quando estamos fora, no trabalho, não há problema. Mas, quando chegamos a casa, precisamos de água para cozinhar, lavar a louça, fazer uma máquina de lavar e não conseguimos”, afirma Ana Vinagre, lamentando igualmente a falta de informação à população.

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Nas redes sociais, o SMAS de Almada foi dando conta, periodicamente, de constrangimentos ao serviço de águas — ainda que vários moradores nas redes sociais fossem manifestando desagrado e lamentassem a falta de informação prestada à população. Na quarta-feira à tarde, os SMAS de Almada informaram que a situação se encontrava regularizada e que o abastecimento seria reposto de forma “faseada” ao longo das 24 horas seguintes.

 

SMAS falam em “consumo elevado”; moradores dizem que o problema é antigo 

Como justificação para o sucedido, os SMAS invocaram “o excecionalmente elevado consumo de água que, de forma persistente, se tem verificado nos últimos dias, poderá originar, ocasionalmente, diminuições da pressão, ou perturbações pontuais no abastecimento”, referiram os serviços, em declarações à agência Lusa. Já num aviso publicado no seu site oficial, os SMAS apelavam também a “um consumo responsável e moderado de água, de modo a garantir o acesso equitativo a todos”.

É uma explicação que não convence os moradores. “Irrita-me que digam isso, porque o problema não é de agora”, diz Ana Vinagre, que relata inclusive um corte recente antes da primeira rotura, ocorido no dia 1 de julho. “Estas roturas são frequentes e o que me parece é que o SMAS andam a meter pensos rápidos num problema que é estrutural.”

A moradora recorda várias ruturas ao longo dos últimos anos. Relata mesmo o rebentamento de uma conduta, ocorrido em 2021, que criou um buraco na estrada que “engoliu” um carro e um candeeiro. “Aqui na Costa as pessoas já brincam, dizem que se virem na água na rua, ou está a chover ou houve mais uma rotura”, refere Ana Vinagre.

Questionada pelo ALMADENSE sobre que medidas preventivas estariam a ser tomadas para evitar situações futuras, os SMAS não se comprometeram. “Estamos a falar de imprevistos, são coisas que acontecem. Neste momento o que podemos garantir é que o serviço à população se encontra restabelecido e a funcionar de forma normal”, afirmou fonte dos serviços.

 

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Partidos acusam autarquia

Também os partidos políticos criticaram a situação, lamentando especialmente a falta de comunicação e de apoio à população. “É inaceitável que, em pleno verão e com a freguesia da Costa da Caparica a receber dezenas de milhares de pessoas, o município não seja capaz de assegurar a continuidade de um serviço básico e essencial como o fornecimento de água”, referiu a Iniciativa Liberal, em comunicado enviado às redações. Os liberais acusaram ainda a autarquia de se “refugiar no silêncio” e os partidos com representação na câmara de se “demitirem coletivamente da sua responsabilidade política e institucional”.

Já esta quinta-feira, a CDU emitiu também uma nota enviada à imprensa, descrevendo a situação como “irresponsabilidade do Executivo Municipal”, e refutando a tese de aumento sazonal do consumo avançada pelo SMAS. “[O problema] resulta da recusa sistemática do atual executivo municipal em investir aquilo que é necessário e indispensável na restruturação das redes municipais de abastecimento de água em todo o concelho”, referem os comunistas, apelando à necessidade de investir de forma consistente e robusta ao nível da conservação, manutenção e reconversão das infraestruturas” para responder ao crescimento demográfico do município.

 

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4 Comentários

  1. parece que vivemos no terceiro mundo tristeza de camara e junta freguesia nada fazem não agua ruas sujas ´ bom é ir dormir a PARIS resto que se lixe…

  2. Não é só a agua, é o lixo imenso espalhado,são as ruas esburacadas e cheias de ervas daninhas ,é o estacionamento selvagem (em especial nas zonas não pagas ), a falta de policiamento, obras sem nexo,etc…

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