Câmara Municipal de Almada vai investir seis milhões de euros na requalificação do histórico edifício de Keil do Amaral, destinado a acolher os serviços municipais.
Depois de quase duas décadas ao abandono, o antigo edifício da EDP, no centro de Almada, vai finalmente ser reabilitado. Assinado por Ricardo Bak Gordon, o projeto de arquitetura escolhido foi dado a conhecer este fim de semana, durante uma exposição realizada no interior do próprio edifício. Uma vez lá dentro, os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer as propostas que fizeram parte do concurso para a reconversão do edifício icónico.
O arquiteto vencedor, Ricardo Bak Gordon, recebeu o prémio das mãos da presidente da Câmara Municipal de Almada (CMA), Inês de Medeiros, numa cerimónia realizada este domingo, dia 24 de abril.
Nos planos da autarquia está a instalação no imóvel dos serviços municipais da Câmara, que atualmente se encontram dispersos em vários pontos do concelho. O investimento previsto na obra de requalificação ascende a um total de seis milhões de euros.
“Um dos temas fundamentais que aqui temos é a reabilitação de um edifício que é, de facto, um património da arquitetura moderna. Esta é uma obra significativa do arquiteto Keil do Amaral e que, depois de muitos anos parada e molestada, vai ser reabilitada”, afirmou Bak Gordon, citado no boletim oficial da CMA.

O arquiteto pretende recuperar a dignidade do espaço abandonado desde 2004, mantendo as linhas originais do imóvel projetado por Francisco Keil do Amaral, mas alterando a “função para qual o edifício foi pensado e desenhado”, sublinhou o arquiteto, que também é um dos autores do novo Museu dos Coches, em Lisboa.
Depois de reabilitado, o antigo edifício da EDP vai passar a acolher os gabinetes de vereação e o gabinete da Presidência, bem como um auditório. Nos planos de Bak Gordon está ainda a criação de uma praça aberta a todos, à qual o arquiteto chamou “anti-claustro” por ter um ar relativamente claustral, aberto no “plano horizontal à cidade e não propriamente apenas no céu”. Para o arquiteto, “o que faz sentido é que, no dia em que este edifício esteja novamente em funcionamento e entregue aos cidadãos, quem aqui possa entrar possa reencontrar o sabor do edifício original e aquilo que os anos 1950, do ponto de vista arquitetónico, nos transmitiam”.
Com esta reabilitação, a autarquia espera dotar Almada de uma nova centralidade, numa zona carente de dinamização. “Uma boa parte de um enorme quarteirão, bem no centro de Almada, vai ganhar novas funções e vai abrir-se à cidade aos cidadãos” destacou Inês de Medeiros, presidente da CMA, numa nota afixada na exposição.
Adquirido pela Câmara em 2016 por dois milhões de euros, o edifício nasceu do pensamento de Keil do Amaral (que também desenhou o Parque Eduardo VII), um dos nomes de referência do movimento Moderno em Portugal.
https://almadense.sapo.pt/cidade/parque-da-paz-construir-natureza-no-coracao-de-almada/




