Uma decisão que muda a vida das pessoas sem ouvir as pessoas

Pedro Félix, presidente do Movimento Futuro da Costa

Uma Costa da Caparica melhor não pode ser construída contra as pessoas.​ Defender o espaço público e melhorar a mobilidade não significa ignorar os problemas que​ uma determinada solução pode criar.

Há decisões urbanísticas que se medem em metros quadrados, projetos e desenhos. E há​ decisões que se medem na vida das pessoas.​ A decisão de tornar definitivo o encerramento do troço da Avenida Movimento das Forças​ Armadas, junto ao Mercado da Costa da Caparica, é uma dessas decisões.

À primeira vista, pode parecer apenas uma alteração à circulação automóvel ou uma opção de​ requalificação do espaço público. Mas, para quem vive, trabalha ou tem um negócio naquela​ zona, as consequências são muito mais concretas. Estamos a falar de moradores que precisam de aceder às suas casas, de comerciantes que​ dependem do acesso dos seus clientes e fornecedores, de trabalhadores, de cargas e​ descargas e de pessoas idosas ou com mobilidade reduzida. Estamos a falar de uma alteração​ que pode interferir diretamente com o quotidiano de muitas pessoas.

É por isso que a nossa preocupação não está apenas na decisão, mas sobretudo na forma​ como este processo está a ser conduzido.​ Onde esteve a comunicação atempada da Câmara Municipal de Almada e da Junta de​ Freguesia da Costa da Caparica? Onde estiveram as reuniões com moradores e comerciantes?​ Onde foram apresentadas as alternativas? Onde foram discutidos os impactos na circulação,​ na acessibilidade, no comércio local e na segurança?

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Uma decisão com consequências tão diretas não pode ser apresentada à população como um​ facto consumado.​ As pessoas não podem descobrir o futuro da sua própria rua através de uma notícia.

E perante um abaixo-assinado local que reúne perto de mil assinaturas de cidadãos​ preocupados com esta decisão e com a forma como o processo está a ser conduzido, não é​ aceitável ignorar esta manifestação de descontentamento. Mil assinaturas não são apenas um número. São pessoas. São famílias, moradores,​ comerciantes e cidadãos que entendem que devem ter uma palavra a dizer sobre uma​ alteração que terá impacto nas suas vidas.

O Movimento Futuro da Costa não é contra a valorização da Costa da Caparica.​ Pelo contrário.​ Queremos uma Costa mais bonita, mais organizada, mais segura, com melhores espaços​ públicos e melhores condições para quem cá vive e trabalha.​ Mas uma Costa melhor não pode ser construída contra as pessoas.​ Defender o espaço público e melhorar a mobilidade não significa ignorar os problemas que​ uma determinada solução pode criar. É necessário garantir acessibilidade aos moradores,​ condições para as cargas e descargas, acesso adequado ao comércio e respostas para quem​ tem maiores dificuldades de mobilidade.

É também necessário ouvir quem conhece a realidade no terreno todos os dia​s. A participação da população não pode acontecer depois da decisão. Tem de acontecer antes.

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Ouvir não significa abdicar de governar. Significa governar melhor.​ Por isso, entendemos que, antes de tornar esta solução definitiva, a Câmara Municipal de Almada e a Junta de Freguesia da Costa da Caparica devem parar, ouvir a população,​ apresentar os estudos e impactos previstos, esclarecer as dúvidas e avaliar alternativas que​ permitam conciliar a qualificação do espaço público com as necessidades de moradores e​ comerciantes.

Ainda vão a tempo de o fazer.​ 

Ainda vão a tempo de ouvir.

Ainda vão a tempo de dialogar e encontrar soluções.

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Não se trata de ser contra a mudança. Trata-se de exigir que a mudança seja feita com as​ pessoas e não à custa das pessoas.

A Costa da Caparica não é apenas um projeto urbanístico num gabinete. É a casa de milhares​ de pessoas e o local de trabalho de muitas outras. É uma comunidade com identidade própria,​ com necessidades concretas e com direito a participar nas decisões que condicionam o seu​ futuro.

Porque governar não é apenas decidir.

É ouvir. É explicar. É dialogar. E é assumir a responsabilidade pelas consequências das​ decisões.

A Costa da Caparica merece ser valorizada.

Mas, antes de lhe mudarem a vida, a Costa merece ser ouvida.

Troço da Av. Movimento das Forças Armadas junto ao Mercado da Costa da Caparica vai ser pedonal

2 Comentários

  1. Já uma vez era para fechar a av m.f.a e as pessoas já tinham dito que não queriam e agora estão a tentar novamente. Mas porquê se as pessoas já disseram uma vez que não? Já agora, pergunto quem é que têm tal interesse se já responderam que não?

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