Apresentação pública sobre Eixo Central de Almada longe de gerar consensos

Apresentação pública confirma que está prevista a criação de duas vias de trânsito em ambos os sentidos do eixo central de Almada, sendo a via da direita destinada à circulação partilhada de bicicletas e autocarros. Prevê-se ainda a redução dos passeios em algumas zonas e a criação de mais bolsas de estacionamento.

 

A primeira sessão pública de esclarecimento e discussão sobre a intervenção prevista para o Eixo Central de Almada, realizada esta quarta-feira, 9 de Junho, deixou em evidência a ausência de consenso em torno do projeto. Perante uma sala completa, onde se juntaram cerca de 40 munícipes, a Câmara Municipal de Almada deu a conhecer alguns pormenores das várias fases do projeto, que se estende desde a rotunda do Centro Sul até Cacilhas.

Durante a apresentação da proposta,  Gabriel Oliveira, diretor municipal na área da mobilidade, confirmou a intenção da autarquia de passar a ter duas vias de trânsito em ambos os sentidos em praticamente todo o eixo central. No caso da Av. Dom Nuno Álvares Pereira, prevê-se retirar ao passeio “entre 50 e 70 cm”, de forma a garantir a criação das novas vias “em pleno”, sendo que a via da direita será destinada à circulação partilhada entre autocarros e bicicletas, explicou o responsável.

No que diz respeito àquela que é conhecida como a “rotunda dos bancos”, pretende-se passar de duas para três faixas de rodagem, para “melhorar a circulação”. Já na Avenida Bento Gonçalves, “verifica-se que os passeios são muito largos, havendo estacionamento desordenado”, pelo que a proposta passa por criar na zona estacionamento legal, “que poderá ser em espinha”, indicou Gabriel Oliveira.

Para além da requalificação das rotundas do MFA e Gil Vicente (única parte da intervenção que já se encontra adjudicada), e da criação de novas passadeiras para os peões, o projeto abrange ainda a Av. 25 de Abril, onde será acrescentada apenas uma via ciclável em ambos os lados.

 

“Projeto não tem em conta as alterações climáticas”

Longe de gerar consensos, o projeto apresentado foi alvo de várias críticas por parte de munícipes presentes. “Reduzir passeios e espaço para as pessoas e aumentar o espaço para os automóveis é uma conceção de cidade está ultrapassada desde os anos 70”, começou por afirmar Nuno Pinheiro. “Almada precisa de mais espaço para as pessoas, não de carros a circular mais depressa”, defendeu.

Por sua vez, Sofia Simões sublinhou que o projeto apresentado “não tem em conta a luta contra as alterações climáticas”, argumentando que a defesa dos modos suaves pode estimular o comércio, uma vez que “quando as pessoas andam a pé fazem mais compras”. Na mesma linha, um outro morador criticou o facto de se ter passado “90% do tempo a falar de mais espaço para carros e estacionamento, não tendo em conta tudo o que deve ser a fruição da cidade”. Alegando que as propostas representam um “retrocesso brutal”, indicou não ver uma “estratégia coerente”, nem qualquer benefício para o transporte público e os modos suaves.

Outros munícipes manifestaram-se a favor da solução apresentada. Foi o caso de Paulo Graça Lobo, para quem “o projeto faz sentido”, uma vez que “mais vale alterar do que estar imóvel”. Por sua vez, João Carlos Silveira afirmou que a proposta apresentada está “a corrigir erros na cidade de Almada, que está atrofiada na parte central em termos de trânsito”, classificando os críticos de “pseudo-ecologistas”.

Proprietária de uma sapataria na rua Olivença, Maria José pediu uma solução para aquela rua, que considera hoje praticamente um “beco sem saída”, com uma configuração que perjudica o comércio local.

Presente na sessão, a presidente da Câmara Municipal, Inês de Medeiros, fez questão de precisar que, com a exceção das duas rotundas, tudo o que foi apresentado está ainda em fase de estudo e foi consensuado com o Metro de superfície. Ainda assim, defendeu a intervenção indicando que tem como objetivo “descongestionar o trânsito” e rejeitou a ideia de que o projeto pretenda incentivar o uso do automóvel. “É absurdo dizer que este executivo é anti-ambiental”, sublinhou. Já o vereador Miguel Salvado, que detém o pelouro da mobilidade, argumentou que hoje “o centro da cidade não funciona” e precisa de mudar.

 

Rua de Olivença e Largo Gabriel Pedro em estudo

O município de Almada também deu a conhecer alguns dos projetos em estudo para a requalificação da rua de Olivença e envolvente do antigo Mercado Municipal de Almada e ainda para o Largo Gariel Pedro. Assim, para a rua de Olivença foram apresentadas duas soluções alternativas: uma que transforma a rua num espaço totalmente pedonal e outra que inclui a circulação de trânsito nos dois sentidos, com abertura da artéria por baixo da arcada da praça MFA.

Por sua vez, para o Largo Gabriel Pedro foi mostrado um projeto de requalificação da praça que inclui a criação de mais zonas verdes e também de novos lugares de estacionamento em “espinha”.

A sessão pública sobre as mudanças urbanísticas previstas para o eixo principal da cidade surgiu no seguimento da aprovação, em Março, de uma recomendação na Assembleia Municipal de Almada que pedia a abertura de uma ampla discussão pública sobre todas as fases do projeto, uma vez que as alterações anunciadas tinham motivado receios junto dos moradores. De acordo com Inês de Medeiros, haverá ainda lugar para outras sessões de esclarecimento, nomeadamente em Cacilhas.

 

Nuno Matias (PSD): “Incentivar a mobilidade suave em Almada não é só criar ciclovias”

7 Comentários

  • Junho 10, 2021 at 3:27 pm
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    O principal problema do eixo central de Almada só será resolvido quando deixar de haver duplicidade de transportes públicos nesse eixo. Tinha sido prometido que quando circulasse o metro deixariam de circular os autocarros. Só que isso implicava passe único nos dois tipos de transporte. Todos sabemos que não foi conseguido… Agora que o passe único é uma realidade, impõe-se tirar deste eixo os autocarros

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  • Junho 11, 2021 at 8:41 pm
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    Receita para converter estagnação em retrocesso: “o projeto faz sentido”, uma vez que “mais vale alterar do que estar imóvel”

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  • Junho 11, 2021 at 10:35 pm
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    Alguém que explique a quem gasta o dinheiro que o problema do congestionamento só se resolve se tivermos menos carros, e não mais.
    Quanto mais faixas houver, mais carros lá cabem para fazer congestionamento, é simples. E quem é que se lembra de juntar autocarros com bicicletas numa subida tão longa? É mau para os utilizadores de bicicleta, que não se vão sentir seguros, e é mau para o transporte público que na subida vai pisar ovos para acompanhar as bicicletas. Não tem pés nem cabeça esta intervenção.

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  • Junho 12, 2021 at 1:00 pm
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    O problema é que o PCP constrói, o PS destrói, assim vai a política do “faz tudo”. Mas, vamos votar como sempre !!

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    • Junho 17, 2021 at 5:57 am
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      Sempre considerei as vias pedonais um perigo. Não dá para distinguir entre estrada, metro e passeio. Um perigo ao peão atualmente com o trânsito e velocidade do mesmo.

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  • Junho 12, 2021 at 8:03 pm
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    Para as bicicletas, quero dizer, para os os ciclistas, a Camara até vai criar um prémio da montanha, só pode… E depois se é um Projeto que gera discussão e assembleias, como é que se dá já como adquirido que vai avançar? Cheira-me a esturro…

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  • Junho 16, 2021 at 9:34 am
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    Dá a impressão, que o importante é torrar dinheiro, que os munícipes estão a sentir tirar do bolso. Devolvam aos munícipes, que nem um único apoio tiveram durante a fase mais grave da pandemia. Ao contrário de outros municípios, que cortaram o preço da água, das taxas agregadas, máscaras, gel, etc, durante vários meses. Aqui tive o quê?

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