Sexta-feira, Julho 19, 2024
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Conselho de Administração da Transtejo demite-se

Governo aceitou o pedido de exoneração da administração da Transtejo, feito hoje na sequência de um relatório do Tribunal de Contas, que acusa a empresa de práticas ilegais e irracionais.

 

O Conselho de Administração da Transtejo demitiu-se esta quinta-feira, dia 16 de março, após a divulgação de um acórdão muito duro do Tribunal de Contas, que critica a compra de navios elétricos sem as baterias. A decisão foi anunciada por Marina Ferreira, presidente do conselho de administração, em conferência de imprensa no terminal fluvial do Cais do Sodré, em Lisboa.

“Apresentamos a demissão após a crítica do Tribunal de Contas na compra de nove navios elétricos sem as respetivas baterias”, afirmou a presidente do Conselho de Administração demissionária

De acordo com o Ministério do Ambiente da Acção Climática, o pedido de demissão já foi aceite pelo Governo, informou em comunicado enviado pouco depois da conferência de imprensa.

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Em causa está o facto da Transtejo ter comprado, através de um concurso público internacional, dez navios elétricos por 52,4 milhões de euros, mas ter adiado a compra das baterias de nove das embarcações. Desta forma, a aquisição das baterias representou um acréscimo de 15 milhões de euros num contrato adicional.

“A Transtejo comprou um navio completo e nove navios incompletos, sem poderem funcionar, porque não estavam dotados de baterias necessárias para o efeito. O mesmo seria, com as devidas adaptações, comprar um automóvel sem motor, uma moto sem rodas ou uma bicicleta sem pedais, reservando-se para um procedimento posterior a sua aquisição”, escreve o Tribunal de Contas no acórdão disponibilizado online esta quarta-feira. Por este motivo, o tribunal admite mesmo a responsabilização financeira ou criminal dos gestores da transportadora fluvial, que assegura as ligações fluviais entre a margem sul do Tejo e Lisboa.

Segundo Marina Ferreira, “o procedimento foi bem feito e promoveu o interesse público”, disse aos jornalistas. Para a gestora, as considerações do Tribunal de Contas são “ofensivas e ultrajantes”, afirmou, citada pela agência Lusa.

“Inicialmente estava previsto um modelo da compra de baterias diferente deste. Nunca foi sequer imaginado que os navios podiam vir sem baterias, porque estão a ver nas nossas caras não somos maluquinhos, sabemos perfeitamente que não há navios sem baterias e, por isso, lamento a falta de respeito que têm pelas pessoas e assim acho importante estar aqui a dar a cara”, afirmou a responsável. “Somos pessoas sensatas, razoáveis, informadas e que tentam tomar as decisões acertadas”, disse.

 

 

Tribunal de Contas chumba compra de baterias elétricas para os novos barcos da Transtejo

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