“Com salários de 700 euros a TST não consegue fidelizar trabalhadores”

Trabalhadores da TST voltam hoje a parar para pedir aumentos salariais. Sindicatos afirmam que com as atuais remunerações a empresa poderá continuar a perder motoristas. 

 

“Há duas semanas saíram 16 motoristas. Nos últimos meses tem sido constante”. O alerta é feito por João Saúde, da Fectrans – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, no dia em que os trabalhadores da Transportes Sul do Tejo (TST) regressam à greve para pedir aumentos salariais.

“Com salários de 700 euros a TST não consegue fidelizar trabalhadores”, afirma o dirigente sindical ao ALMADENSE, adiantando que vários motoristas têm saído “para empresas que lhes dão salários mais atrativos e melhores condições de trabalho”. Por sua vez, os motoristas que continuam na empresa enfrentam uma “sobrecarga horária”, agravada nos últimos meses com o aumento da procura devido à descida do preço dos passes. 

Depois de várias paralisações no ano passado, os trabalhadores da TST voltam hoje à luta contra os “ordenados mais baixos” do sector na Área Metropolitana de Lisboa. Uma paragem que poderá provocar “perturbações na realização dos serviços programados”, admite a empresa, que opera na península de Setúbal e assegura as ligações entre Almada e Lisboa.

Para as 10h da manhã está convocado um plenário nas instalações da empresa, onde será discutida a “travagem repentina na negociação para a revisão salarial em 2020” explica João Saúde. Embora considerem que a nova administração da TST (que tomou posse em Junho do ano passado sob liderança de José Pires Fonseca) “tem um discurso positivo”, chegando a admitir “subir os salários para o nível dos trabalhadores da Carris”, os sindicatos mostram preocupação pelo facto de não terem ainda recebido qualquer proposta por parte da empresa.

 

Transportadora não ajusta salários antes de conhecer compensações 

Questionada pelo ALMADENSE, fonte da TST adiantou que a empresa não tem “condições para o ajustamento” dos salários “antes de saber quais os montantes a que o Governo, através da AML, está disponível para compensar os operadores” devido à introdução dos novos passes. Até hoje, “a AML ainda não apresentou o modelo de compensação aos operadores”, indica a empresa, defendendo que “o modelo da Carris deveria ser aplicado a todo o setor”.

De resto, a “insustentabilidade económica e humana” derivada do “crescimento exponencial” no número de passageiros após a introdução dos novos passes foi invocada no mês passado para justificar os cortes em várias carreiras por parte da TST. A empresa repôs alguns dos horários após uma reunião urgente com a AML, que criticou as supressões feitas de forma “unilateral”. Na altura, também a Câmara de Almada classificou a decisão como “incompreensível”.

 

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