Sexta-feira, Julho 19, 2024
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Teatro de Almada: Novo espetáculo celebra a sorte de viver depois do 25 de Abril  

Peça que relembra a importância da Revolução dos Cravos vai estar em cena de 12 de abril a 5 de maio, no Teatro Municipal Joaquim Benite.

 

“A pequena vida, a vida quotidiana de uma pessoa anónima era limitada por uma quantidade brutal de coisas. É isso que me interessa mostrar. É a esta mudança que eu chamo sorte.” Quem o diz é Teresa Gafeira, encenadora do espetáculo “A Sorte Que Tivemos” que, a partir de 12 de abril e até 5 de maio, habita o palco principal do Teatro Municipal Joaquim Benite.

Para a encenadora, esta é uma obra que lembra a todos a sorte de viver depois de 1974: “antes, éramos fortemente violentados apenas por existirmos, e deixámos de o ser. É essa a diferença que eu quero que as pessoas sintam”, disse aos jornalistas após o ensaio de imprensa. Com textos de António Cabrita, Jacinto Lucas Pires, Patrícia Portela e Rui Cardoso Martins, “A Sorte Que Tivemos” constitui-se como uma ode à Revolução dos Cravos, um juntar de vozes que, embora diferentes, cantam em uníssono pela liberdade.

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A música de Martim Sousa Tavares acompanha através do piano, do saxofone, do sousafone e da percussão o desenrolar das diferentes histórias. Segundo a Companhia de Teatro de Almada (CTA), esta peça dirige-se principalmente “a quem Abril soa a uma coisa do antigamente”, mostrando “um mal-estar, uma ansiedade, uma apatia, um sentimento de culpa, enfim, uma depressão coletiva” que se sentia pelas ruas de Portugal antes da histórica quinta-feira, e que se materializava, por exemplo, no facto de um pai não poder dar a mão ao filho, de um homem ter de suportar, em silêncio, a morte de alguém próximo – “homem que é homem aguenta” – ou de uma mulher não poder ser polícia.

Através desta peça, a Companhia de Teatro de Almada pretende ainda recordar que “por muitas voltas que a História dê ou que nós dêmos à História, esta doença nunca mais foi a mesma desde esse dia de lunáticos, sonhadores”. Não perde de vista, no entanto, os novos desafios que hoje se fazem sentir: como explicar o ressurgimento da extrema-direita, a ideia de que “antes é que era bom” ou a vontade de alienação? Numa peça em que apenas no fim se chega ao começo, as personagens questionam-se: “Somos a revolução – e agora, o que é que fazemos?”

Para Rodrigo Francisco, diretor artístico da CTA, esta é uma forma de prestar tributo ao momento histórico que possibilitou a profissionalização da Companhia. “Se não tivesse havido 25 de Abril, não havia CTA”, indicou na apresentação do programa para 2024. No âmbito das comemorações oficiais do 25 de Abril, o TMJB recebe ainda, a partir de 12 de abril, a exposição “A Explosão da Liberdade pelos Olhos do Teatro”, co-apresentação do Arquivo Ephemera e da CTA que revela “um conjunto de programas de espetáculos originais e de cartazes das numerosíssimas peças” levadas à cena nos anos que se seguiram à Revolução de Abril.

“A Sorte Que Tivemos” conta com interpretação de Carolina Dominguez, Cláudio da Silva, David Pereira Bastos, Duarte Grilo, Flávia Gusmão, Joana Bárcia, João Farraia, João Maionde, Pedro Walter e Íris Cañamero e Matilde Santos. As sessões acontecem de quinta-feira a sábado, às 21h, e quarta-feira e domingo às 16h. Os bilhetes têm o valor de 13 euros (com descontos para jovens, seniores e grupos) e podem ser adquiridos na BOL ou na bilheteira do Teatro.

 

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