O Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, estreia, esta sexta-feira, dia 10 de abril, o espetáculo “Um Assobio no Escuro”, que reflete sobre o passado e o presente das migrações.
Em cena até 10 de maio, a nova criação da Companhia de Teatro de Almada sobe ao palco na sala experimental do teatro e inclui, em paralelo, um novo ciclo de “Conversas com o Público”. A encenação é de Rodrigo Francisco, diretor artístico da CTA.
Rejeitada em Dublin, na década de 1960, com o argumento de que era demasiado violenta apresentava personagens pouco realistas, a peça viria mais tarde a alcançar grande sucesso em Londres. “Um Assobio no Escuro” é uma adaptação da obra de 1961 de Tom Murphy, um dos mais importantes dramaturgos irlandeses, e conta a história de Michael Carney, um imigrante que se muda para Coventry, em Inglaterra, para escapar à pobreza. A narrativa desenvolve-se a partir do momento em que Michael recebe a visita do pai e dos irmãos mais novos, que cresceram num ambiente marcado pela violência e pelo ódio.
Baseada na experiência de vida do dramaturgo irlandês, onde quase todos os seus irmãos emigraram, “Um Assobio no Escuro” reflete a luta de Tom Murphy “contra o imperativo económico da emigração, bem como a hipocrisia da Igreja Católica, a pobreza da liderança política e as desigualdades flagrantes do seu país”, lê-se na nota de apresentação do espetáculo.
Ainda no âmbito da nova criação da CTA regressam as “Conversas com o público”, que vão decorrer no foyer do Teatro Municipal Joaquim Benite aos sábados (dias 11, 18 e 25 de abril e 9 de maio) às 18h.
Intitulado “Os imigrantes que temos – os emigrantes que fomos”, o ciclo de conversas olha para Portugal como país de partidas e chegadas, procura cruzar memórias, experiências sociais e análise social, relacionando, também, as migrações com outros problemas sociais.
Com moderação de Catarina Pires, estas cinco conversas juntam especialistas como o sociólogo António Barreto (dia 11), a psicóloga Cyntia de Paula (dia 18) ou o jornalista Ferreira Fernandes (dia 25 de abril). O objetivo é aproximar o teatro da vida quotidiana, marcada pelas questões de identidade, pertença e convivência.
A peça está em cena entre 10 de abril e 10 de maio. As sessões decorrem de quinta a sábado, às 21h, e às quartas e aos domingos, às 16h. Os bilhetes custam 13 euros e podem ser adquiridos online, mas também na bilheteira do Teatro Municipal Joaquim Benite, que está aberta de quarta a sábado, entre as 13h30 e as 22h30, e aos domingos, entre as 13h30 e as 19h30.
Texto: Mariana Aleixo
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