Mais de 50 espetáculos compõem a programação do Teatro Municipal Joaquim Benite num ano que, segundo o diretor artístico Rodrigo Francisco, “abre um novo ciclo” na vida do espaço cultural almadense.
O Teatro Municipal Joaquim Benite (TMJB) prepara-se para um ano de 2026 de intensa atividade cultural, com mais de meia centena de espetáculos de teatro, dança e música, reunindo nomes maiores da dramaturgia mundial como William Shakespeare, Tom Murphy e David Mamet, bem como criações nacionais e propostas para a infância.
A programação arranca já a 16 de janeiro com “Um Adeus Mais que Perfeito”, encenação de Teresa Gafeira a partir de um texto de Peter Handke, obra autobiográfica onde o autor reflete sobre as circunstâncias que terão conduzido ao suicídio da mãe. O espetáculo, que estreou no Festival de Teatro de 2025, inaugura o novo ano em palco da Companhia de Teatro de Almada (CTA).
Em fevereiro, o teatro abre espaço ao público mais jovem com “O Vento nos Salgueiros”, uma proposta para a infância que estará em cena durante duas semanas. Destaque ainda para a apresentação em Almada da coprodução “Oleanna”, texto do norte-americano David Mamet, que reforça a presença de grandes autores contemporâneos na programação do teatro. Estará em cena entre 20 e 22 de fevereiro, na Sala Experimental.
Abril traz uma das estreias mais aguardadas da temporada: “Um Assobio no Escuro”, do dramaturgo irlandês Tom Murphy, um espetáculo que aborda o tema da imigração através da história de uma família pobre irlandesa que parte para o Reino Unido em busca de melhores condições de vida, levantando questões sociais que continuam a ecoar na atualidade. Ainda nesse mês, o TMJB acolhe também “Amor de Perdição”, num cruzamento entre teatro e dança.
O regresso aos clássicos acontece em outubro, com “Medida por Medida”, de William Shakespeare, numa encenação do espanhol Ignacio García. Já em novembro, estreia uma nova criação dirigida ao público infantil, “Uma Nova Volta ao Mundo”, especialmente pensada para os mais novos.
Para além das criações próprias, o TMJB mantém a aposta em residências artísticas, com cinco residências de jovens músicos integradas na terceira edição do ciclo de música de câmara, bem como uma residência de criação dirigida por Cláudio da Silva. Mantêm-se ainda as colaborações com a Casa da Dança, que apresenta no teatro de Almada obras integradas no festival de artes performativas Transborda, bem como com o Festival dos Capuchos, dedicado à música erudita.
Em julho, como já é tradição, o Teatro Municipal Joaquim Benite volta a ser um dos palcos centrais do Festival de Teatro. Este ano, a Sala Principal acolhe o espetáculo de honra distinguido em 2025, com duas sessões de “Teatro Delusio”.
A música tem igualmente lugar de destaque ao longo do ano: Fogo Fogo sobe ao palco a 31 de janeiro, Mazgani a 6 de março, Hélder Moutinho assinala o 25 de Abril com o concerto “Os Dias da Liberdade”, Márcia atua a 19 de setembro e Ana Bacalhau encerra o ano musical a 5 de dezembro.
Um “novo ciclo” para o teatro de Almada
Na apresentação da programação, o diretor artístico da CTA, Rodrigo Francisco, sublinhou que 2026 simboliza “um novo ciclo” para o teatro, assinalando os 20 anos do edifício atual, mais tarde batizado em homenagem a Joaquim Benite, fundador da Companhia de Teatro de Almada. Ao longo dessas duas décadas, passaram pelo teatro mais de 1,1 milhões de espectadores em cerca de 9 mil sessões, entre teatro, dança e música, destacou.
Recordando a renovação, no ano passado, do compromisso da autarquia em apoiar o TMJB por mais 20 anos, Rodrigo Francisco defendeu a necessidade de reforçar o investimento público, em particular o municipal. “A atividade teatral é também uma defesa da democracia. É um investimento feito nos sonhos”, afirmou.
Presente na sessão, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, garantiu que o município continuará a apoiar o projeto “dentro das suas possibilidades”, sublinhando o orgulho da autarquia no teatro. Concordando que o teatro é também “uma casa da democracia”, afirmou que “a cultura é política”, destacando o papel do TMJB na relação com a sociedade e com a polis.


