Anthropos estreia “32.3” no Casino da Trafaria com teatro, rádio e memória

Almada é o ponto de partida de “32.3”, o novo espetáculo da Anthropos, que escolheu o Casino da Trafaria para a estreia de uma criação construída a partir da memória, das experiências pessoais e da ligação entre as duas margens do Tejo.

 O Casino da Trafaria recebe, nos dias 24 e 25 de julho, às 21h, a estreia de “32.3”, o mais recente espetáculo da Anthropos – Associação Cultural. A peça combina teatro documental, emissão de rádio em direto, arquivo biográfico e criação sonora numa reflexão sobre a forma como cada pessoa constrói a sua perceção do mundo. Depois da passagem por Almada, o espetáculo sobe ao palco da Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, nos dias 29 e 30 de julho.

Criado por Amarílis Anchieta, Ana Rita Ferreira, Flávia Gusmão, João Condeça e Patrícia Fonseca, “32.3” parte de uma pergunta tão simples quanto impossível de responder: “O que é o Mundo?”. A partir dessa ideia, o espetáculo cruza histórias pessoais, ficção e emissão de rádio em direto para explorar temas como a memória, a identidade, o quotidiano e a forma como nos relacionamos com os outros.

Em palco, Ana Rita Ferreira e Patrícia Fonseca dão vida a uma criação que nasceu de um processo coletivo, desenvolvido a partir das experiências pessoais dos próprios criadores.

Em entrevista ao ALMADENSE, Ana Rita Ferreira explica que o ponto de partida surgiu da ligação das duas intérpretes a margens diferentes do Tejo. “Este projeto partiu de alguns registos autobiográficos e das duas atrizes serem precisamente duas imagens diferentes do rio, uma de Lisboa e outra de Almada.”

A partir dessa relação entre as duas margens, a companhia começou a explorar o quotidiano das intérpretes, as deslocações diárias, as diferentes profissões que conciliam com o teatro e a forma como essas vivências influenciam a construção da identidade. Paralelamente, surgiu a vontade de trabalhar com arquivos sonoros e com a linguagem radiofónica, elementos que acabaram por se tornar centrais na dramaturgia.

- PUBLICIDADE -
matrizauto-agosto

Segundo João Condeça, todo o espetáculo foi desenvolvido através de um processo colaborativo. “É um trabalho coletivo, com uma direção artística da Flávia Gusmão, mas com conteúdos e propostas de todos nós. Esta criação resulta do pensamento de várias pessoas que se cruzou para construir o espetáculo”, disse ao ALMADENSE.

A estreia acontece no Casino da Trafaria, um espaço onde a companhia atua pela primeira vez. A escolha do local enquadra-se na vontade da Anthropos de descentralizar a sua atividade artística e reforçar a presença em diferentes territórios da Margem Sul.

“Somos uma companhia emergente que tem trabalhado sobretudo em espaços não convencionais e temos procurado não ficar apenas na zona de Lisboa. Queremos chegar também a Almada, Setúbal e Palmela”, explica Patrícia Fonseca, acrescentando que a ligação ao concelho é também natural, uma vez que Ana Rita Ferreira é almadense. A atriz adianta ainda que o Casino será utilizado “de uma forma não convencional”, integrando-se na própria proposta cénica do espetáculo.

Embora “32.3” parta de uma questão central, os criadores não pretendem oferecer respostas fechadas. Pelo contrário, procuram deixar espaço para que cada espectador construa a sua própria interpretação. “Tentar responder à pergunta ‘O que é o mundo?’ é uma tarefa impossível. Esperemos que essa pergunta tenha uma resposta diferente para cada espectador”.

Fundada por artistas oriundos da Escola Superior de Teatro e Cinema e de áreas como as ciências sociais, comunicação e educação, a Anthropos – Associação Cultural dedica-se à criação de projetos nas áreas de teatro documental, teatro biográfico e teatro comunitário, privilegiando uma abordagem assente na memória, na identidade e na relação com as comunidades.

Com cerca de uma hora de duração, “32.3” conta com direção artística de Flávia Gusmão, interpretação de Ana Rita Ferreira e Patrícia Fonseca, dramaturgia de Amarílis Anchieta, desenho de som e música original de Xullaji e desenho de luz de Pedro Guimarães. O espetáculo é financiado pela Direção Geral das Artes, Fundação GDA e Câmara Municipal de Almada e conta com o apoio do jornal ALMADENSE como media partner. 

 

- PUBLICIDADE -
matrizauto-agosto

Texto: Marta Rodrigues

 

Somos uma voz local, livre e independente

O ALMADENSE não é detido por nenhuma empresa ou grupo de comunicação social. Escrevemos com total autonomia editorial, com critério e compromisso, sempre ao serviço da comunidade. Com o seu apoio, poderemos continuar a desenvolver o nosso trabalho.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

PUBLICIDADE
matrizauto-agosto2

Últimas

PUBLICIDADE

Mais Notícias

PUBLICIDADE

Artigos Relacionados

Cais2Cais convida comunidade a viver “experiência única” no Cais do Ginjal

O percurso teatral Cais2Cais regressa para novas sessões em setembro, convidando o público a...

Festival O Sol da Caparica regressa ao Parque Urbano com Calema, Nininho Vaz Maia e Sara Correia

O Parque Urbano da Costa da Caparica recebe, a partir desta quinta feira, 13...

Eclipse solar em Almada: locais para assistir e cuidados a ter

Esta quarta-feira, 12 de agosto, acontece um dos fenómenos astronómicos mais aguardados do ano:...

“Trafaria na Brasa” regressa no fim de agosto com peixe fresco, marisco e música

O evento “Trafaria na Brasa” está de regresso, nos dias 29 e 30 de...