Pavimentação de estrada em zona dunar da Fonte da Telha levanta preocupação

Colocação de asfalto junto à praia da Fonte da Telha, no concelho de Almada, está a gerar preocupação junto de associações ambientalistas e de partidos, que questionaram o Governo sobre a obra. Intervenção conta com o aval da Agência Portuguesa do Ambiente.

 

Há muito tempo que a requalificação e o ordenamento dos acessos à praia da Fonte da Telha, no concelho de Almada, era reclamada por moradores e veraneantes. No entanto, a forma escolhida pela Câmara Municipal de Almada (liderada pelo PS) para qualificar a zona, através do asfaltamento da estrada junto à praia, está a gerar preocupação junto de associações ambientalistas e partidos políticos, que questionaram o Governo sobre a intervenção em curso.

De acordo com a autarquia, a intervenção visa “qualificar a estrada, reordenar o estacionamento e proteger o cordão dunar” e foi, de acordo com o PSD Almada, “autorizada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF)”.

Contudo, o facto da pavimentação se realizar numa zona dunar, inserida em área protegida da orla costeira, está a levantar polémica. Recordando que “desde sempre foi entendimento das várias entidades” com responsabilidade de preservação ambiental que “os acessos dentro da localidade da Fonte da Telha não podem ser pavimentados, pois aquele é um território ambientalmente sensível, em zona dunar, e que a sua impermeabilização constitui um crime ambiental”, o Partido Comunista Português enviou várias perguntas dirigidas ao ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, questionando nomeadamente “que medidas estão a ser tomadas para assegurar o cumprimento da lei e defender o equilíbrio ambiental daquela área sensível”.

No mesmo sentido, também a deputada Mariana Silva, do grupo parlamentar Os Verdes endereçou uma pergunta ao governante sobre o assunto, argumentando que a obra é “desadequada face à sensibilidade da zona” e criticando que entidades como o ICNF e a APA tenham “dado parecer positivo”.

A preocupação estende-se a associações ambientalistas, que entendem que a intervenção é “contrária às recomendações e àquilo que está previsto em termos de investimentos no plano de acção no litoral”, afirmou Carla Graça, da associação ZERO, em declarações à TVI.

Entendimento diferente tem a Câmara de Almada, responsável pela obra através do pelouro da rede viária, mobilidade e trânsito (coordenado pelo vereador Miguel Salvado, do PSD). Num comunicado pubicado nas redes sociais, a concelhia da formação indica que a obra garante “a proteção das dunas (impedindo-se a circulação e o estacionamento no cordão dunar)”, assegurando ainda que “será criada uma via pedonal e ciclável do lado das praias e também ordenado o estacionamento em toda da extensão da estrada”. O ALMADENSE procurou obter mais esclarecimentos junto da Câmara Municipal de Almada, mas não obteve resposta.

 

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2 Comentários

  • Junho 14, 2020 at 4:44 am
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    Polemicas a parte, a obra em curso so faz sentido ser enquadrada num projeto estruturante (leia se, protecao das dunas, estacionamentos), no passado a atual autarca defendia e reinvidicava a acessibilidade a praia por ciclovia desde a zonado Soutelo (Amora), pelo que pergunta se, esqueceu se?! Nao seria mais benefico comecar pela ciclovia a aproveitar os programas de incentivo da UE para essa alternativa de transporte e so depois, avancar com a questao da, por exemplo, da atual pavimentacao?

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    • Junho 14, 2020 at 9:52 pm
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      Durante 50 anos as Câmaras comunistas nada fizeram pela melhoria dos acessos e estacionamentos nas praias. Agora que finalmente uma câmara PS começou a trabalhar para tirar as praias da pré-história, e dar alguma dignidade à Fonte da Telha já têm muitas ideias contra….
      Porquê é que nunca fizeram ciclovias nem passeios nem estacionamentos nas praias???
      Tenham vergonha e fiquem caladinhos.

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