As falhas no abastecimento de água que têm afetado várias zonas do concelho de Almada poderão prolongar-se por mais “duas ou três semanas”. A previsão foi avançada esta quinta-feira pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, durante uma visita ao concelho, durante a qual reuniu com a presidente da Câmara Municipal, Inês de Medeiros.
A governante assegurou que o abastecimento “todos os dias vai melhorar”, graças às medidas que estão a ser implementadas. Entre essas medidas está o apoio do Governo ao licenciamento de novos furos de captação de água, destinados a “suprir as necessidades” da população, afirmou a ministra, em declarações aos jornalistas. O primeiro, que deverá entrar em funcionamento até ao final desta semana, vai aumentar em cerca de 20% a capacidade de abastecimento no concelho. Já o segundo furo, de maior dimensão, deverá demorar mais tempo para entrar em operação, mas permitirá “praticamente suprir as quantidades de água necessárias” para estabilizar o sistema.
“Para já, a ajuda do Governo é nos furos de água. Os custos são relativamente baixos, entre 15 a 20 mil euros”, avançou Maria da Graça Carvalho. O principal desafio, disse, é “localizar o furo e ter as autorizações necessárias. O Governo e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vão garantir um licenciamento imediato, o pedido entrou esta manhã”, afirmou.
Inês de Medeiros defende que aumento do consumo era imprevisível
Inês de Medeiros desvalorizou o impacto das ligações ilegais na atual situação, apontando antes para o aumento do consumo nas zonas de maior afluência durante o verão e com mais construção. “Haverá puxadas ilegais, as zonas mais críticas e mais pobres do concelho reduziram o consumo de água. Os maiores consumos estão nas zonas mais usadas durante o verão: Costa da Caparica, Charneca e Sobreda. É a zona onde temos tido mais construção”, afirmou.
A autarca admitiu ainda que o crescimento da construção poderá estar relacionado com a situação. “Não excluímos que isto se deva à flexibilização imposta aos municípios nas regras de licenciamento”, disse, numa crítica ao Governo.
Em declarações aos jornalistas, a presidente da Câmara reiterou também que o aumento do consumo foi excecional e imprevisível, defendendo que a autarquia não tinha forma de antecipar a atual situação. “O maior pico em Almada é sempre na segunda quinzena de julho e, este ano, começou em maio. Independentemente das projeções, estamos perante um aumento substancial e imprevisível do consumo de água que sai da rede. Desde maio que estamos a trabalhar neste problema com toda a consciência”, afirmou.
Corte de água na Trafaria e outras cinco localidades de Almada esta quinta-feira



