Estudantes da FCT cuidam dos animais errantes do Monte da Caparica

Um grupo de alunos cuida, alimenta, leva ao veterinário e dá carinho aos animais do Monte da Caparica. Cumprem também a missão de sensibilizar a comunidade estudantil para a proteção animal. 

 

Estudante de Biologia Molecular, Mariana Cunha costuma deslocar-se até à faculdade até no dia de Natal para alimentar os animais acolhidos, dar-lhes algum mimo e limpar-lhes o abrigo. Trata-se de uma boxe cedida ao projeto PATA (Proteção Animal Todos a Ajudar), instalada na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT NOVA), no Monte da Caparica.

Deixa a família no dia de Natal durante algum tempo “porque eles (os animais) também precisam de se alimentar”, conta ao ALMADENSE. No fundo, eles são a sua segunda família e a deslocação não é grande, uma vez que vive em Almada, refere a jovem, que assume o cargo de presidente da Mesa da Assembleia Geral do Núcleo PATA.

O PATA é um projeto criado em 2014 que teve como primeiro objetivo cuidar de quatro cães errantes que apareceram na faculdade naquela época: o Tejo, a Lady, o Sonecas e o Cajú. O Tejo morreu de velhice, os restantes tiveram o futuro ambicionado por aqueles primeiros estudantes que os acolheram: foram adotados.

Em novembro de 2018, o projecto transformou-se num núcleo da Associação de Estudantes da FCT NOVA. Hoje é composto por um grupo de 56 jovens e, nestes oito anos de voluntariado, já ajudaram 30 animais. O núcleo assume a função de “resgatar animais que estejam perdidos, feridos ou abandonados”, situações em que o seu trabalho passa por “encontrar os donos, prestar os cuidados necessários e em caso de abandono, encontrar um novo lar” para os patudos, como explicam na página online da associação de estudantes.

São animais que passam pela faculdade ou que vagueiam nos arredores da FCT, no Monte da Caparica. Cristiano Barata, Presidente do Núcleo PATA desde 2019 conta ao ALMADENSE que o trabalho do projeto “está longe de estar terminado. Falta apanhar algumas cadelas para esterilizá-las. Até isso ser feito, as ninhadas continuarão a surgir”. Joana Quaresma, estudante de Engenharia Química e Biológica e voluntária há um ano no projeto, está convicta de que “às vezes os cães andam em matilha e aqui há uma comunidade para que se sintam seguros, num ambiente mais calmo. É bom para todos e ajuda os animais”.

 

Voluntários na boxe do projeto PATA da FCT NOVA
Mariana Cunha e Cristiano Barata, membros do PATA, na boxe onde acolhem animais na FCT.

 

Proteção animal, uma missão de todos

A missão do projeto passa também por sensibilizar os estudantes para a proteção animal. Com esse objetivo, todos os dias, à hora de almoço, os voluntários levam os animais a passear e brincar nos relvados da faculdade, onde muitos estudantes têm contacto com os cães e os gatos acolhidos pelo núcleo. Todos se divertem, os jovens riem e os animais brincam. Foi o caso de Joana Quaresma. “Vi cães bebés aqui na relva e a partir daí, através de um colega já fazia parte do PATA, também comecei a ajudar”, descreve a estudante.

“Quando temos bebés ou outros animais a nosso cargo, existem turnos para vir alimentar, limpar e tratar da boxe onde eles se encontram. Os voluntários também transportam e acompanham os animais ao veterinário”, explica Mariana Cunha. No entanto, como a boxe é um espaço aberto e “não muito grande”, só existe a possibilidade de acolher “um cão de cada vez ou cães que estejam habituados a estar juntos. Quando se trata de gatos, temos de recorrer a famílias de acolhimento temporárias porque não temos condições de os manter na boxe”, lamenta a jovem.

O núcleo depende da ajuda dos voluntários e das angariações de fundos que realiza durante os semestres. “Os professores e funcionários da faculdade têm sido valorosos na ajuda que dão ao PATA”, destaca Mariana Cunha. No entanto, para além da falta de apoio monetário e de bens, algo que lamentam é também “a falta de reconhecimento da faculdade face ao projeto, o que muitas vezes leva a que, com todas as burocracias envolvidas, a vida dos animais possa ficar em segundo plano”, admite a voluntária.

O projeto tem parecerias com duas associações de apoio a animais do concelho de Almada, o Canil da Aroeira e o Amor Rafeiro, que faz descontos nas consultas do veterinário para os cães do PATA. “Quando não temos animais, os voluntários podem ajudar estas associações, costumamos levar os cães do Canil da Aroeira a passear durante alguns eventos como o Almada Green Market e trazemos cães da associação Amor Rafeiro para a faculdade ou outros eventos para os mostrar à comunidade”, explica Mariana Cunha.

 

“Ajude-nos a ajudar”

O PATA presta cuidados, alimenta e higieniza a pequena casa dos patudos na FCT, com os fundos angariados na venda de fatias de bolos caseiros que os alunos à vez confecionam em suas casas, na venda de t-shirts e pins com o logótipo do núcleo. O projeto de proteção animal não tem apoio financeiro de nenhuma entidade, pelo que qualquer doação é bem-vinda.

O núcleo de estudantes aceita também doações em dinheiro, em alimentação para cães e gatos, em produtos de higiene para a limpeza da boxe onde pernoitam os animais acolhidos ou até mantas e brinquedos para os patudos.

As doações podem ser feitas entrando em contacto com o PATA através do e-mail  pata@ae.fct.unl.pt ou das suas páginas nas redes sociais Facebook e InstagramO projeto aceita como voluntários estudantes da FCT NOVA, aos quais é feita uma entrevista. A inscrição é realizada através dos mesmos contactos.

 

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