A morte de Ana Maria Gonçalves, de 74 anos, na sequência do atropelamento de que foi vítima na Avenida Afonso de Albuquerque, na Costa da Caparica, reacendeu a preocupação dos moradores com a segurança rodoviária naquela zona. O acidente ocorreu no dia 17 de junho, com a vítima a falecer dez dias depois, no Hospital Garcia de Orta, num caso que voltou a colocar em evidência os riscos para os peões existentes naquele troço da avenida, junto ao Parque Urbano da Costa da Caparica e ao Parque de Campismo Orbitur.
Já há muito tempo que a comunidade local alerta para as passadeiras desgastadas, frequentemente ignoradas pelos condutores, que circulam muitas vezes em excesso de velocidade. À noite, a visibilidade das passadeiras é ainda mais reduzida devido à escassa iluminação do local. Por ser uma zona bastante movimentada e atravessada por famílias, crianças e turistas, a preocupação dos moradores é cada vez maior.
“A sinalização não está bem feita e os carros não desaceleram nas passadeiras, muito pelo contrário, já que continuam com a mesma velocidade, quer haja pessoas a atravessar a estrada ou não”, relata ao ALMADENSE Joana Jesus, moradora da Costa da Caparica e uma das vozes mais ativas na reivindicação de medidas de reforço da segurança rodoviária para aquela zona. A moradora, que diz já ter presenciado várias situações semelhantes, defende a implementação de medidas de acalmia de tráfego, considerando que muitos acidentes resultam do excesso de velocidade. “É muito triste ter de existir um acidente destes para que tenhamos de reivindicar um direito que é de todos nós”, lamenta.
Também Vanessa Krause, presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, manifesta preocupação com a segurança rodoviária naquela zona, garantindo já ter solicitado à Câmara Municipal de Almada a adoção de medidas de reforço. Ao ALMADENSE, a autarca adianta que a Junta de Freguesia enviou um email à autarquia, procurando servir de elo de ligação entre a comunidade local e o município. “Temos estado em contacto com a Câmara nesse sentido, para melhorar ao máximo possível a segurança rodoviária e da população que aqui habita e que nos visita”, afirma.
O objetivo, diz a presidente da Junta é “proteger a comunidade ao máximo”. “Esperemos que a autarquia trabalhe connosco para que estes acidentes não se voltem a repetir”, acrescenta.
Por seu lado, Joana Jesus dá como exemplo outras zonas do concelho, como a Charneca da Caparica, que apresenta “melhorias na sinalização de passadeiras e na pintura da estrada”, pedindo medidas semelhantes para a Costa. “Tem de existir um trabalho conjunto tanto de sinalização da estrada, horizontal, e não apenas de sinalização vertical. A tinta deve ser continuamente reposta para que seja visível constantemente. É preciso, também, lombas e, à noite, tem de existir uma melhor iluminação da zona”, defende.
Além disso, a moradora defende também o reforço da sensibilização rodoviária junto dos condutores. “É preciso existir uma campanha de sensibilização para os automobilistas que estão distraídos com o GPS ou que estão ao telemóvel”, admitindo mesmo “só não há mais acidentes porque os peões são muito cuidadosos”.
O tema marcou a última sessão da Assembleia de Freguesia da Costa da Caparica, que se iniciou com um minuto de silêncio em memória de Ana Maria Gonçalves. Para Joana Jesus, é fundamental que esta preocupação se traduza em ação. “É importante existir esta consciência cívica de trazermos voz a esta problemática, para que não seja apenas uma conversa de café”, afirma, manifestando a esperança de “que este acidente não tenha sido em vão”.
Costa da Caparica “não é prioridade”
Para Joana Jesus, a insegurança rodoviária é apenas um dos reflexos de um problema mais amplo. A moradora considera que “há falta de vontade política” e acredita que esta situação espelha “o abandono da Costa da Caparica por parte da Câmara Municipal de Almada”. “Não devia ser a comunidade a pedir mudanças, devia ser uma iniciativa da Câmara, mas parece que nunca é prioridade”, afirma.
Já a presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, Vanessa Krause, evita falar em “abandono”, mas reconhece que a freguesia “tem sido posta de lado”, defendendo um maior investimento por parte do município. A autarca lembra que a Costa da Caparica “é a freguesia que mais visitantes recebe durante o verão e durante a época balnear”, considerando que essa realidade deve traduzir-se numa maior atenção por parte da Câmara Municipal de Almada.
O ALMADENSE contactou a Câmara Municipal de Almada para saber se o município prevê adotar medidas de reforço da segurança rodoviária naquela zona, mas não obteve resposta.
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