A Câmara de Almada declarou, esta quarta-feira, Situação de Alerta no concelho, na sequência da crise no abastecimento de água que afeta várias freguesias. A decisão foi tomada pela presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, com o objetivo de reforçar as medidas destinadas a garantir o fornecimento de água à população e aos serviços considerados essenciais.
Em comunicado conjunto, a Câmara Municipal e os SMAS de Almada explicam que a medida pretende intensificar as “medidas já em curso para garantir o abastecimento à população e aos serviços essenciais”.
Entre as medidas anunciadas, a Câmara Municipal e os SMAS vão implementar o corte total do abastecimento de água em várias zonas do concelho, entre as 22h e as 6h.
A medida entra em vigor já esta quarta-feira, 8 de julho, e abrange, nesta primeira fase, as localidades da Charneca de Caparica, Aroeira, Marisol, Fonte da Telha, Palhais, Lazarim, Botequim, Vila Nova de Caparica, Capuchos, Pilotos, Funchalinho, Vale Rosal, Vale Cavala, Quintinhas e Quinta de Santa Teresa.
Os moradores das zonas abrangidas serão informados antecipadamente, para que possam preparar-se para as interrupções no abastecimento.
Enquanto a Situação de Alerta estiver em vigor, entram também em vigor “restrições ao consumo de água que permitam preservar este recurso essencial para o abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população”.
Assim, fica temporariamente proibida a utilização de água da rede pública para fins não essenciais, incluindo a rega de jardins públicos e privados e de campos de golfe, a lavagem de automóveis, o enchimento de piscinas, a utilização de chuveiros nas praias, o funcionamento de fontes ornamentais e lagos artificiais, a lavagem de pavimentos exteriores, paredes e telhados, com exceção de intervenções de conservação do edificado, bem como outras utilizações recreativas ou consideradas dispensáveis.
A autarquia admite ainda que poderá avançar com novas medidas caso a situação o justifique, nomeadamente a “suspensão temporária de atividades ou equipamentos municipais particularmente consumidores de água”, de forma a acelerar a recuperação da capacidade do sistema.
Consumo acima da média nacional
Segundo a Câmara Municipal e os SMAS, a situação resulta de um aumento excecional do consumo de água, que colocou uma pressão inédita sobre o sistema de abastecimento. O objetivo imediato passa por reduzir rapidamente os consumos para recuperar os níveis de segurança dos reservatórios e assegurar a continuidade do serviço.
Os dados mais recentes revelam que o “consumo médio em Almada ultrapassa os 300 litros por habitante/dia, enquanto a média nacional é de cerca de 180 litros por habitante/dia”.
A autarquia acrescenta ainda que, até junho de 2026, “o consumo aumentou, em média, 4,3% no concelho”. As maiores subidas verificaram-se na Charneca de Caparica (+15,2%), Sobreda/Lazarim (+15%) e Costa da Caparica (+14,2%).
Medidas reforçadas para garantir o abastecimento
Perante este cenário, o município e os SMAS anunciaram ainda um conjunto de medidas adicionais para minimizar os impactos da crise. Entre elas estão o reforço da monitorização permanente da rede de abastecimento e dos níveis dos reservatórios, o aumento das equipas técnicas para deteção e reparação de fugas e roturas, o reforço das ações de fiscalização para combater consumos abusivos, utilizações ilegais e desperdícios de água, bem como a garantia do abastecimento a hospitais, centros de saúde, lares, corporações de bombeiros e restantes infraestruturas críticas.
Está igualmente prevista a disponibilização de meios alternativos de abastecimento, incluindo camiões-cisterna nas zonas onde seja necessário, além de uma articulação reforçada com municípios vizinhos e outras entidades competentes para assegurar toda a capacidade de resposta disponível.
No comunicado, Câmara Municipal e SMAS garantem ainda “lamentar profundamente todos os constrangimentos”, agradecendo o sentido de responsabilidade e a colaboração que os almadenses têm vindo a demonstrar”.
No âmbito da gestão da situação, realizou-se ainda uma reunião de trabalho com a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), representadas pelas respetivas presidentes, Vera Eiró e José Pimenta Machado, com o objetivo de analisar o ponto de situação e coordenar soluções técnicas que permitam reforçar a resposta do sistema de abastecimento.



